PAM Precisa de 32 Milhões de Dólares Para Responder à Crise das Cheias em Moçambique

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As cheias no sul e centro do país já afectaram cerca de 700 mil pessoas e agravaram os riscos para a segurança alimentar, enquanto limitações de financiamento ameaçam reduzir drasticamente a assistência humanitária.

Questões-Chave:
  • Programa Alimentar Mundial necessita de 32 milhões de dólares para os próximos três meses;
  • Cheias afectaram cerca de 700 mil pessoas no sul e centro do país;
  • Mais de 100 mil deslocados encontram-se em centros temporários;
  • Infra-estruturas críticas e terras agrícolas severamente danificadas;
  • Falta de fundos ameaça cortes adicionais na assistência alimentar.

Cheias Agravam Emergência Humanitária

O Programa Alimentar Mundial (PAM) alertou para a necessidade urgente de 32 milhões de dólares norte-americanos para garantir assistência alimentar e nutricional vital às populações afectadas pelas cheias em Moçambique ao longo dos próximos três meses.

Segundo a agência das Nações Unidas, trata-se da pior vaga de inundações registada no país em décadas, afectando sobretudo as regiões sul e centro, onde cerca de 700 mil pessoas sofreram impactos directos, incluindo perda de habitações, destruição de campos agrícolas e isolamento de comunidades inteiras.

Infra-estruturas Destruídas e Comunidades Isoladas

De acordo com o comunicado do PAM, mais de 100 mil pessoas foram forçadas a refugiar-se em centros de acomodação temporária, enquanto aproximadamente 1.500 quilómetros de estradas se tornaram intransitáveis, comprometendo seriamente as cadeias de abastecimento e o acesso a serviços essenciais.

Para alcançar as populações isoladas, o PAM está a recorrer a meios logísticos especializados, incluindo viaturas anfíbias, embarcações, camiões de grande capacidade, aviões e helicópteros, numa operação considerada de elevada complexidade operacional.

Capacidade Existe, Mas Falta Financiamento

A directora do PAM em Moçambique, Claire Conan, sublinhou que a organização dispõe de equipas e capacidade logística para ampliar rapidamente a resposta humanitária, mas alertou que a escassez de financiamento está a limitar seriamente essa capacidade.

“Temos as equipas, a logística e a capacidade para escalar rapidamente a assistência alimentar e nutricional às famílias afectadas pelas cheias. No entanto, as lacunas de financiamento estão a restringir o apoio a um número crescente de pessoas em necessidade”, afirmou.

Ameaça à Segurança Alimentar de Médio Prazo

Para além da resposta imediata, o PAM alertou que as cheias representam uma ameaça significativa à segurança alimentar a médio e longo prazo. Grandes extensões de terras agrícolas ficaram submersas, o que poderá comprometer as próximas colheitas e provocar escassez de alimentos e aumento dos preços nos mercados locais.

“Estas cheias não são apenas uma emergência imediata, mas um risco sério para a segurança alimentar futura”, frisou Claire Conan, destacando a necessidade de conjugar a resposta de emergência com iniciativas estruturais de resiliência alimentar.

Pressão Acrescida Num Contexto de Conflito

O alerta surge num momento particularmente sensível, em que o PAM já presta assistência alimentar a 425 mil pessoas afectadas pelo conflito armado no norte de Moçambique. A conjugação de crises  climática e de segurança está a exercer uma pressão sem precedentes sobre os recursos disponíveis da organização.

Em 2025, a falta de financiamento obrigou o PAM a reduzir em 60% o número de beneficiários no norte do país. Segundo o comunicado, novos cortes de 40% estão previstos para Março de 2026, podendo a assistência ser totalmente suspensa em Maio, caso não sejam mobilizados fundos adicionais.

Apelo à Comunidade Internacional

Face à gravidade da situação, o PAM apelou à comunidade internacional para apoiar não apenas a resposta imediata às cheias, mas também os programas de segurança alimentar e resiliência de longo prazo, essenciais para reduzir a vulnerabilidade recorrente das populações moçambicanas aos choques climáticos.

Num país cada vez mais exposto a eventos climáticos extremos, a crise actual reforça o nexo entre alterações climáticas, segurança alimentar e estabilidade económica, colocando desafios acrescidos às autoridades nacionais e aos parceiros internacionais.

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