Petróleo Caminha Para Ganhos Semanais Apesar de Licença dos EUA Para Compra de Petróleo Russo

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Brent ultrapassa os 100 dólares por barril enquanto mercados continuam pressionados pela disrupção do abastecimento no Médio Oriente e pela persistente incerteza em torno do Estreito de Ormuz.

Questões-Chave:
  • Preços do petróleo encaminham-se para ganhos semanais significativos apesar de medidas de alívio da oferta;
  • Brent supera a barreira psicológica dos 100 dólares por barril, impulsionado por tensões geopolíticas;
  • Licença temporária dos EUA para compra de petróleo russo não convence os mercados;
  • Bloqueio do Estreito de Ormuz continua a ser o principal factor de risco para a oferta global.

Os mercados internacionais de petróleo caminham para ganhos semanais expressivos, num contexto em que as tensões geopolíticas no Médio Oriente continuam a dominar o comportamento dos preços, mesmo depois de os Estados Unidos terem anunciado medidas destinadas a aliviar as restrições de oferta.

Na sexta-feira, os contratos Brent para Maio negociavam em torno de 100,56 dólares por barril, registando um aumento semanal de cerca de 9%, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) se situava nos 95,57 dólares por barril, encaminhando-se para uma valorização semanal próxima de 7%.

Este movimento ocorre apesar de Washington ter emitido uma licença temporária de 30 dias que permite a alguns países adquirir petróleo e produtos petrolíferos russos que se encontram retidos no mar, uma decisão que o Tesouro norte-americano considera destinada a estabilizar os mercados energéticos globais.

Contudo, os analistas consideram que a medida possui um alcance limitado, uma vez que não resolve as causas estruturais da actual disrupção do abastecimento global.

De acordo com Emril Jamil, analista sénior da LSEG, o facto de o Brent ter ultrapassado a barreira dos 100 dólares demonstra que o mercado continua a antecipar restrições persistentes na oferta global de crude.

“Os contratos futuros do Brent já ultrapassaram os 100 dólares por barril e continuam a ser sustentados, apesar das tentativas de acalmar os mercados com a licença sobre o petróleo russo e a libertação de reservas estratégicas”, referiu o analista.

A percepção dominante entre os investidores é que estas medidas constituem soluções de curto prazo, incapazes de resolver a questão central: a interrupção das rotas de transporte energético no Médio Oriente.

Estreito de Ormuz continua a ser o epicentro da tensão energética

No centro desta turbulência encontra-se o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de petróleo, por onde transita cerca de um quinto da oferta mundial.

Analistas sublinham que a reabertura segura da navegação naquela passagem marítima é vista como o elemento decisivo para estabilizar os mercados.

Yang An, analista da Haitong Futures, considera que a licença norte-americana ajudou a aliviar momentaneamente algumas preocupações, mas sublinha que a verdadeira solução depende da normalização da navegação no Estreito de Ormuz.

A situação agravou-se após declarações do novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, que afirmou que o Irão continuará a utilizar o bloqueio do estreito como instrumento de pressão estratégica contra os Estados Unidos e Israel.

Liberação de reservas estratégicas falha em acalmar mercados

Num esforço coordenado para conter a escalada dos preços, os Estados Unidos anunciaram também a libertação de 172 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo, numa operação articulada com a Agência Internacional de Energia (IEA).

No total, a IEA planeia disponibilizar 400 milhões de barris de petróleo provenientes de reservas estratégicas, numa das maiores intervenções de sempre para estabilizar o mercado energético global.

Apesar disso, o impacto positivo destas medidas revelou-se limitado. Analistas apontam que a recente escalada militar no Médio Oriente rapidamente anulou o efeito calmante destas iniciativas.

Entre os episódios mais recentes, dois navios-tanque foram atingidos por embarcações carregadas com explosivos em águas iraquianas, levando à suspensão das operações nos portos petrolíferos do Iraque, um dos principais produtores da OPEP.

Europa mais vulnerável à crise energética

Outro factor que explica a maior pressão sobre o Brent, comparativamente ao WTI, reside na maior vulnerabilidade da Europa a choques de segurança energética.

Enquanto os Estados Unidos conseguem amortecer parcialmente o impacto da crise graças à sua produção doméstica de petróleo, a Europa permanece fortemente dependente das importações de energia provenientes do Médio Oriente e de outras regiões.

Este desequilíbrio estrutural reforça a sensibilidade do Brent às tensões geopolíticas, tornando o mercado europeu particularmente exposto a qualquer disrupção nas rotas de abastecimento.

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