
Petróleo em Alta Volatilidade com Escalada do Conflito Entre Israel e Irão a Ameaçar Exportações do Médio Oriente
Questões-Chave:
- Brent e WTI chegaram a disparar mais de 4 dólares antes de perderem parte dos ganhos;
- Mísseis iranianos atingem Telavive e Haifa, alimentando receios de bloqueio no Estreito de Ormuz;
- Aproximadamente 20% do consumo global de petróleo passa por este corredor estratégico;
- Mercados atentos a possíveis impactos na produção iraniana e disrupções logísticas globais.
Os preços do petróleo oscilaram fortemente nesta segunda-feira, após um salto de 7% na sessão anterior, com o agravamento da tensão militar entre Israel e Irão a suscitar receios de interrupções significativas no fornecimento de petróleo a partir do Médio Oriente.
Os contratos futuros de Brent subiram 64 cêntimos (0,86%), fixando-se em 74,87 dólares por barril às 05h07 GMT. O crude WTI (West Texas Intermediate) norte-americano avançou 76 cêntimos (1,04%), para 73,74 dólares. Ambos os benchmarks chegaram a valorizar mais de 4 dólares por barril no início da sessão, tendo depois registado correcções que os colocaram brevemente em terreno negativo.
Na sexta-feira anterior, o Brent e o WTI fecharam com ganhos de 7%, atingindo níveis não observados desde Janeiro, depois de dispararem mais de 13% durante o dia.
O mais recente episódio de violência incluiu ataques com mísseis iranianos contra Telavive e Haifa na manhã de segunda-feira, destruindo habitações e intensificando os receios de alastramento regional. No domingo, os ataques de ambos os lados resultaram em baixas civis, com apelos de precaução dirigidos às populações pelas respectivas forças armadas.
O nervosismo dos mercados centra-se na possível interrupção da navegação no Estreito de Ormuz – por onde transita cerca de um quinto do consumo global de petróleo e derivados, equivalente a entre 18 e 19 milhões de barris por dia. “A compra foi impulsionada pelo conflito Israel-Irão, que não dá sinais de resolução à vista”, afirmou Toshitaka Tazawa, analista da Fujitomi Securities. “Mas, como se viu na sexta-feira, surgiram vendas com receios de reacção exagerada”, acrescentou.
A ameaça de disrupções na produção iraniana também preocupa os mercados, sobretudo após relatos de ataques israelitas contra infra-estruturas energéticas. O Irão, membro da OPEP, produz actualmente cerca de 3,3 milhões de barris por dia, dos quais mais de 2 milhões são exportados.
Segundo analistas e observadores da OPEP, a capacidade sobrante do cartel e seus aliados, incluindo a Rússia, é aproximadamente equivalente à produção iraniana, podendo, em teoria, compensar eventuais cortes no fornecimento. Ainda assim, o impacto seria significativo. “Se as exportações iranianas forem interrompidas, os refinadores chineses – os únicos compradores desses volumes – terão de procurar alternativas noutros países do Golfo e na Rússia”, alertou Richard Joswick, da S&P Global Commodity Insights. “Isso poderá aumentar os fretes e os prémios de seguro de navios-tanque, reduzir a diferença Brent-Dubai e pressionar as margens de refinação, especialmente na Ásia.”
No plano diplomático, o Presidente norte-americano Donald Trump manifestou esperança num cessar-fogo entre Israel e Irão, mas afirmou que “por vezes, os países têm de resolver as divergências no campo de batalha”. A chanceler alemã Friedrich Merz declarou esperar que a reunião do G7, em curso no Canadá, possa contribuir para a resolução do conflito.
Segundo fontes da Reuters, o Irão terá comunicado aos mediadores do Qatar e Omã que não está disposto a negociar enquanto continuar sob ataque israelita.
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