
PMI: Condições das empresas estagnaram em Outubro, à medida que o crescimento das novas encomendas abranda
- As vendas aumentam ao ritmo mais lento dos últimos nove meses
- Expansões modestas na produção e no emprego
- As aquisições diminuem pelo segundo mês consecutivo
Os resultados do mais recente inquérito PMI® Moçambique indicaram uma quebra do crescimento na economia do sector privado no início do quarto trimestre, à medida que as empresas registaram um abrandamento no ritmo da procura e uma redução dos inventários. Em Outubro, os novos negócios cresceram ao ritmo mais fraco dos últimos nove meses, enquanto os níveis de produção e emprego registaram apenas recuperações modestas.
A compra de meios de produção manteve uma tendência decrescente, apesar do aumento da confiança das empresas em relação à atividade futura. A redução das aquisições esteve na base de uma nova queda nos custos gerais dos encargos, contrastando com um aumento adicional nos encargos com a produção das empresas.
O principal valor calculado pelo inquérito é o Purchasing Managers’ IndexTM (PMI®). Indicadores acima de 50,0 apontam para uma melhoria nas condições das empresas no mês anterior, ao passo que indicadores abaixo de 50,0 mostram uma deterioração.
Após indicadores acima de 50,0 em cada um dos últimos oito meses, o índice básico desceu de 50,2 em Setembro para 50,0 em Outubro, assinalando uma estagnação das condições de operação e pondo fim a uma tendência recente de crescimento.
Apesar de as empresas moçambicanas terem continuado a registar um aumento nos volumes de novas encomendas no final do trimestre anterior, a subida foi muito ligeira e a mais fraca dos últimos nove meses. Enquanto as vendas aumentaram em algumas das empresas inquiridas, outras registaram condições desafiantes por parte dos clientes e uma atividade de investimento mais reduzida.
O panorama misto refletiu diferentes tendências ao nível do sector em Outubro. Apesar de ter sido registado um crescimento nos sectores secundário, da construção e do comércio por grosso e a retalho, este foi contrabalançado, em grande medida, pelas vendas reduzidas em empresas de agricultura e serviços.
O crescimento da produção no sector privado moçambicano manteve-se em Outubro, apesar de, tal como aconteceu em Setembro, a taxa de expansão ter sido modesta e mais fraca do que a registada em meados do ano. Pelo lado positivo, as empresas comunicaram uma subida mais rápida nos níveis de emprego, ainda que fortemente concentrada nos sectores secundário e dos serviços.
Pelo lado negativo, em Outubro, as aquisições de meios de produção caíram pelo segundo mês consecutivo, refletindo um abrandamento no crescimento da procura e a pressão resultante da falta de capacidade.
Apesar da estagnação das condições das empresas, estas indicaram um maior grau de confiança em relação à actividade futura em Outubro. Na realidade, o otimismo recuperou de mínimos recentes para o nível mais elevado desde Junho. De um modo geral, os membros do painel mostraram- se confiantes de que novos trabalhos e investimentos nos próximos meses irão apoiar a actividade.
Relativamente aos resultados do inquérito, Fáusio Mussá, economista-chefe do Standard Bank – Moçambique, afirmou:
“O PMI do Standard Bank Moçambique desceu para o nível de 50 em Outubro, de 50,2 em Setembro. Ocorreu uma recuperação tímida na produção e na criação de postos de trabalho, mas com as empresas a reduzirem as existências, o que sugere uma estagnação do crescimento no início deste quarto trimestre. A par de uma fraca procura, assistiu-se a uma nova contracção dos preços dos meios de produção, um sinal de que as pressões inflacionárias continuam a regredir. Tendo permanecido ao nível do valor de referência de 50, o PMI de Outubro sugere uma estagnação das condições das empresas.
Os episódios de protestos e violência, na sequência das eleições autárquicas de 11 de Outubro, poderão deteriorar ainda mais o desemprenho económico fora da indústria extractiva.
Observou-se uma restrição na emissão de licenças fitossanitárias no norte de Moçambique, após uma campanha para resolver irregularidades no processamento das exportações, o que causou uma interrupção temporária das exportações agrícolas. Este facto, conjugado com a importação de determinados alimentos e uma procura local moderada, contribuiu para reduzir as pressões sobre os preços dos alimentos.
A inflação, com o valor mais recente de 4,6% em Setembro em termos homólogos, a percentagem mais baixa dos últimos 32 meses, poderá estar perto de um nível mínimo, com o aumento dos riscos, considerando as tensões geopolíticas e possíveis pressões dos preços do petróleo. Isto sugere que a política monetária continuará a ser restritiva, sendo que, provavelmente, a taxa de juro de referência será mantida no actual nível de 17,25% na reunião do CPMO de Novembro.
Os riscos fiscais aumentaram, tendo em conta as eleições gerais de Outubro de 2024. Assinalamos que a proposta de Orçamento Geral do Estado para 2024 implica um elevado volume de empréstimos líquidos em moeda nacional de 22,8 mil milhões de Meticais ou 1,5% do PIB, para ajudar a financiar parcialmente um aumento acentuado das despesas de investimento.”
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