PMI Recua Para 50,2 e Sinaliza Perda de Ritmo da Actividade Empresarial em Setembro

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  • Indicador do Standard Bank permaneceu acima do limiar de 50 pontos pelo terceiro mês consecutivo, mas a produção voltou a cair, o emprego diminuiu e o crescimento das novas encomendas perdeu força. Banco mantém previsão de crescimento económico de 0,7% em 2026.
QUESTÕES-CHAVE
  • PMI caiu de 51,9 pontos em Agosto para 50,2 em Setembro, aproximando-se do limiar entre expansão e contracção;
  • Produção do sector privado diminuiu pela primeira vez desde Maio e registou a queda mais acentuada desde Janeiro de 2025;
  • Novas encomendas continuaram a crescer, mas ao ritmo mais baixo desde Junho;
  • Emprego recuou pela segunda vez em três meses, condicionado pelo abrandamento dos novos negócios e pelas restrições de liquidez;
  • Standard Bank mantém a previsão de crescimento do PIB em 0,7% em 2026 e 2,3% em 2027.

A actividade empresarial em Moçambique perdeu força no final do terceiro trimestre, com o PMI do Standard Bank a recuar de 51,9 pontos em Agosto para 50,2 em Setembro, aproximando-se do limiar de 50 pontos que separa melhoria de deterioração das condições das empresas.

Apesar de o índice agregado permanecer em terreno positivo pelo terceiro mês consecutivo, os indicadores subjacentes mostram uma conjuntura menos favorável: a produção diminuiu, o crescimento das novas encomendas abrandou e as empresas voltaram a reduzir postos de trabalho.

O desempenho contrasta com Agosto, quando o PMI atingiu 51,9 pontos, igualando o valor mais elevado desde Junho de 2022. Em Setembro, a melhoria das condições empresariais foi apenas ligeira.

O PMI, compilado pela S&P Global para o Standard Bank a partir de um painel de cerca de 400 empresas privadas, acompanha mensalmente variáveis como novas encomendas, produção, emprego, prazos de entrega e stocks. Valores superiores a 50 indicam melhoria em relação ao mês anterior e valores inferiores sinalizam deterioração.

Produção Volta a Cair

O sinal mais evidente do enfraquecimento da conjuntura veio da produção.

O respectivo índice caiu abaixo dos 50 pontos em Setembro, indicando uma diminuição da actividade do sector privado pela primeira vez desde Maio. Embora moderada, a contracção foi a mais acentuada desde Janeiro de 2025.

Entre as empresas abrangidas pelo inquérito, 26% reportaram uma redução da actividade, enquanto 19% registaram crescimento.

O abrandamento da procura foi apontado como uma das principais razões para a redução da produção. As novas encomendas continuaram a aumentar, mas a expansão foi a mais fraca desde Junho.

Os resultados sugerem que a recuperação observada nos meses anteriores ainda não adquiriu intensidade suficiente para sustentar uma expansão mais robusta da actividade empresarial.

As restrições financeiras e a redução da actividade dos clientes foram identificadas pelas empresas como factores que limitaram as vendas. A melhoria das novas encomendas esteve sobretudo associada ao aumento da procura de produtos transformados.

Emprego Recua Pela Segunda Vez em Três Meses

A perda de dinamismo da procura começou igualmente a reflectir-se nas decisões de contratação.

O emprego diminuiu pela segunda vez nos últimos três meses, embora a redução tenha sido ligeira. Segundo o inquérito, o crescimento mais lento dos novos negócios e as restrições de liquidez levaram algumas empresas a reduzir o número de trabalhadores.

A evolução do emprego acrescenta uma dimensão relevante à leitura do PMI. A manutenção do indicador agregado acima dos 50 pontos não está, neste momento, a ser acompanhada por uma expansão consistente da produção e da força de trabalho.

As empresas conseguiram, simultaneamente, reduzir o volume de encomendas em atraso pelo terceiro mês consecutivo. O movimento indica que a capacidade disponível continua suficiente para responder ao actual volume de procura, mesmo perante a redução marginal do emprego.

Liquidez e Mercado Cambial Continuam a Condicionar Actividade

O Standard Bank associa o desempenho mais fraco do final do terceiro trimestre a um conjunto mais amplo de condicionantes da economia.

Fáusio Mussá, economista-chefe do Standard Bank Moçambique, considera que o PMI de Setembro aponta para a continuação de uma recuperação lenta do crescimento económico.

Entre os factores identificados estão o aumento da factura de importação de combustíveis e das pressões inflacionárias, os efeitos das alterações climáticas, o reduzido investimento fora do sector dos recursos naturais e os constrangimentos no mercado cambial.

O banco assinala particularmente que os atrasados cambiais continuam a afectar a actividade económica e o crescimento do crédito.

Esta combinação ajuda a explicar uma característica do actual ciclo empresarial: mesmo quando a procura apresenta alguma recuperação, as limitações financeiras e de liquidez condicionam a capacidade das empresas para converter novas oportunidades de negócio em produção, emprego e investimento.

Empresas Aumentam Compras e Reconstituem Stocks

Os dados de Setembro apresentam um sinal diferente no comportamento das aquisições.

A quantidade de compras realizada pelas empresas aumentou ao ritmo mais rápido em mais de quatro anos. Cerca de 23% das empresas aumentaram as aquisições, contra 14% que reportaram uma redução, levando a taxa de expansão ao nível mais elevado desde Maio de 2022.

O Standard Bank atribui parte deste movimento aos esforços das empresas para reconstituir stocks depois dos cortes anteriores.

A maior procura de factores de produção começou, entretanto, a exercer pressão sobre as cadeias de abastecimento. Os prazos médios de entrega dos fornecedores aumentaram pela primeira vez em quatro meses e registaram a maior deterioração desde Dezembro de 2024.

Apesar do aumento das aquisições, os stocks cresceram apenas ligeiramente, devido às dificuldades enfrentadas por alguns fornecedores para repor materiais e efectuar entregas.

A continuidade da reposição de stocks, acompanhada por uma recuperação das encomendas, poderá criar condições para uma retoma da produção. A persistência das limitações de procura e liquidez poderá produzir um quadro diferente.

Pressões Sobre Custos Abrandam, Mas Combustíveis Pesam

O PMI trouxe também algum alívio do lado dos preços.

A inflação dos custos dos meios de produção abrandou pelo segundo mês consecutivo e os preços cobrados pelas empresas aumentaram ao ritmo mais baixo dos últimos quatro meses.

Ainda assim, 19% das empresas reportaram aumento das despesas, contra 15% que indicaram redução. Os custos globais continuaram a aumentar na maioria dos sectores acompanhados pelo inquérito.

Combustíveis, transporte e aquisição de materiais permaneceram entre as principais fontes de pressão. As empresas que aumentaram os preços de venda referiram sobretudo a repercussão dos custos mais elevados dos combustíveis e das importações.

A moderação das pressões inflacionárias ao nível empresarial constitui um sinal favorável, embora a exposição aos preços dos combustíveis e aos custos de importação continue a representar um risco para os próximos meses.

Standard Bank Mantém Crescimento de 0,7% em 2026

A leitura do PMI de Setembro reforçou a avaliação prudente do Standard Bank sobre o desempenho da economia em 2026.

O banco mantém a previsão de crescimento real do PIB de 0,7% este ano, seguido de uma aceleração para 2,3% em 2027. Para a inflação, antecipa uma taxa ligeiramente inferior a 7% no final do ano.

O PMI de 50,2 mostra uma economia empresarial ainda em terreno marginalmente positivo, mas com diferenças importantes entre os seus componentes.

As novas encomendas continuam a crescer e as empresas estão a aumentar as aquisições, enquanto produção e emprego recuaram. Ao mesmo tempo, restrições de liquidez, constrangimentos cambiais, baixo investimento fora dos recursos naturais e custos de importação continuam a limitar a velocidade da recuperação.

A evolução destes indicadores durante o último trimestre do ano permitirá aferir se a perda de ritmo observada em Setembro representa uma oscilação mensal ou se começa a configurar um abrandamento mais persistente da actividade empresarial.

A actividade empresarial em Moçambique perdeu força no final do terceiro trimestre, com o PMI do Standard Bank a recuar de 51,9 pontos em Agosto para 50,2 em Setembro, aproximando-se do limiar de 50 pontos que separa melhoria de deterioração das condições das empresas.

Apesar de o índice agregado permanecer em terreno positivo pelo terceiro mês consecutivo, os indicadores subjacentes mostram uma conjuntura menos favorável: a produção diminuiu, o crescimento das novas encomendas abrandou e as empresas voltaram a reduzir postos de trabalho.

O desempenho contrasta com Agosto, quando o PMI atingiu 51,9 pontos, igualando o valor mais elevado desde Junho de 2022. Em Setembro, a melhoria das condições empresariais foi apenas ligeira.

O PMI, compilado pela S&P Global para o Standard Bank a partir de um painel de cerca de 400 empresas privadas, acompanha mensalmente variáveis como novas encomendas, produção, emprego, prazos de entrega e stocks. Valores superiores a 50 indicam melhoria em relação ao mês anterior e valores inferiores sinalizam deterioração.

Produção Volta a Cair

O sinal mais evidente do enfraquecimento da conjuntura veio da produção.

O respectivo índice caiu abaixo dos 50 pontos em Setembro, indicando uma diminuição da actividade do sector privado pela primeira vez desde Maio. Embora moderada, a contracção foi a mais acentuada desde Janeiro de 2025.

Entre as empresas abrangidas pelo inquérito, 26% reportaram uma redução da actividade, enquanto 19% registaram crescimento.

O abrandamento da procura foi apontado como uma das principais razões para a redução da produção. As novas encomendas continuaram a aumentar, mas a expansão foi a mais fraca desde Junho.

Os resultados sugerem que a recuperação observada nos meses anteriores ainda não adquiriu intensidade suficiente para sustentar uma expansão mais robusta da actividade empresarial.

As restrições financeiras e a redução da actividade dos clientes foram identificadas pelas empresas como factores que limitaram as vendas. A melhoria das novas encomendas esteve sobretudo associada ao aumento da procura de produtos transformados.

Emprego Recua Pela Segunda Vez em Três Meses

A perda de dinamismo da procura começou igualmente a reflectir-se nas decisões de contratação.

O emprego diminuiu pela segunda vez nos últimos três meses, embora a redução tenha sido ligeira. Segundo o inquérito, o crescimento mais lento dos novos negócios e as restrições de liquidez levaram algumas empresas a reduzir o número de trabalhadores.

A evolução do emprego acrescenta uma dimensão relevante à leitura do PMI. A manutenção do indicador agregado acima dos 50 pontos não está, neste momento, a ser acompanhada por uma expansão consistente da produção e da força de trabalho.

As empresas conseguiram, simultaneamente, reduzir o volume de encomendas em atraso pelo terceiro mês consecutivo. O movimento indica que a capacidade disponível continua suficiente para responder ao actual volume de procura, mesmo perante a redução marginal do emprego.

Liquidez e Mercado Cambial Continuam a Condicionar Actividade

O Standard Bank associa o desempenho mais fraco do final do terceiro trimestre a um conjunto mais amplo de condicionantes da economia.

Fáusio Mussá, economista-chefe do Standard Bank Moçambique, considera que o PMI de Setembro aponta para a continuação de uma recuperação lenta do crescimento económico.

Entre os factores identificados estão o aumento da factura de importação de combustíveis e das pressões inflacionárias, os efeitos das alterações climáticas, o reduzido investimento fora do sector dos recursos naturais e os constrangimentos no mercado cambial.

O banco assinala particularmente que os atrasados cambiais continuam a afectar a actividade económica e o crescimento do crédito.

Esta combinação ajuda a explicar uma característica do actual ciclo empresarial: mesmo quando a procura apresenta alguma recuperação, as limitações financeiras e de liquidez condicionam a capacidade das empresas para converter novas oportunidades de negócio em produção, emprego e investimento.

Empresas Aumentam Compras e Reconstituem Stocks

Os dados de Setembro apresentam um sinal diferente no comportamento das aquisições.

A quantidade de compras realizada pelas empresas aumentou ao ritmo mais rápido em mais de quatro anos. Cerca de 23% das empresas aumentaram as aquisições, contra 14% que reportaram uma redução, levando a taxa de expansão ao nível mais elevado desde Maio de 2022.

O Standard Bank atribui parte deste movimento aos esforços das empresas para reconstituir stocks depois dos cortes anteriores.

A maior procura de factores de produção começou, entretanto, a exercer pressão sobre as cadeias de abastecimento. Os prazos médios de entrega dos fornecedores aumentaram pela primeira vez em quatro meses e registaram a maior deterioração desde Dezembro de 2024.

Apesar do aumento das aquisições, os stocks cresceram apenas ligeiramente, devido às dificuldades enfrentadas por alguns fornecedores para repor materiais e efectuar entregas.

A continuidade da reposição de stocks, acompanhada por uma recuperação das encomendas, poderá criar condições para uma retoma da produção. A persistência das limitações de procura e liquidez poderá produzir um quadro diferente.

Pressões Sobre Custos Abrandam, Mas Combustíveis Pesam

O PMI trouxe também algum alívio do lado dos preços.

A inflação dos custos dos meios de produção abrandou pelo segundo mês consecutivo e os preços cobrados pelas empresas aumentaram ao ritmo mais baixo dos últimos quatro meses.

Ainda assim, 19% das empresas reportaram aumento das despesas, contra 15% que indicaram redução. Os custos globais continuaram a aumentar na maioria dos sectores acompanhados pelo inquérito.

Combustíveis, transporte e aquisição de materiais permaneceram entre as principais fontes de pressão. As empresas que aumentaram os preços de venda referiram sobretudo a repercussão dos custos mais elevados dos combustíveis e das importações.

A moderação das pressões inflacionárias ao nível empresarial constitui um sinal favorável, embora a exposição aos preços dos combustíveis e aos custos de importação continue a representar um risco para os próximos meses.

Standard Bank Mantém Crescimento de 0,7% em 2026

A leitura do PMI de Setembro reforçou a avaliação prudente do Standard Bank sobre o desempenho da economia em 2026.

O banco mantém a previsão de crescimento real do PIB de 0,7% este ano, seguido de uma aceleração para 2,3% em 2027. Para a inflação, antecipa uma taxa ligeiramente inferior a 7% no final do ano.

O PMI de 50,2 mostra uma economia empresarial ainda em terreno marginalmente positivo, mas com diferenças importantes entre os seus componentes.

As novas encomendas continuam a crescer e as empresas estão a aumentar as aquisições, enquanto produção e emprego recuaram. Ao mesmo tempo, restrições de liquidez, constrangimentos cambiais, baixo investimento fora dos recursos naturais e custos de importação continuam a limitar a velocidade da recuperação.

A evolução destes indicadores durante o último trimestre do ano permitirá aferir se a perda de ritmo observada em Setembro representa uma oscilação mensal ou se começa a configurar um abrandamento mais persistente da actividade empresarial.