
Porto da Beira não é competitivo, Cornelder deve melhorar eficiência – Ministro
O Governo de Moçambique instou a Cornelder de Moçambique, concessionária do Porto da Beira, a melhorar os seus níveis de eficiência para tornar a infra-estrutura mais competitiva. A preocupação principal reside no congestionamento provocado pelo elevado fluxo de camiões que tentam aceder às instalações portuárias, um problema que tem impactado negativamente a cadeia logística e a fluidez das operações.
O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, visitou nesta quarta-feira o Porto da Beira com o objectivo de compreender os desafios operacionais e avaliar de que forma o Governo pode contribuir para optimizar o desempenho do porto. No final da visita, Matlombe reconheceu os esforços da concessionária, mas enfatizou a necessidade de melhorias para que a infra-estrutura seja mais eficiente e competitiva.
“Avaliamos positivamente o trabalho da concessionária, mas acreditamos que pode ser feito um pouco mais. Neste momento, o Porto da Beira não é competitivo, e isso é evidente para a própria concessionária. Precisamos melhorar os serviços para reduzir os tempos de espera e optimizar a relação com os diferentes stakeholders que utilizam o porto”, afirmou Matlombe.
Medidas para reduzir congestionamentos e melhorar acessos
A cidade da Beira enfrenta graves desafios de congestionamento, com filas de camiões que chegam a atingir 15 quilómetros ao longo da Estrada Nacional do Noroeste, dificultando a circulação de bens e pessoas. Para aliviar esta pressão, o Governo está a estudar a construção de uma via alternativa que permita um acesso directo ao Porto da Beira.
“A via alternativa é uma solução importante que está a ser estudada. A curto prazo, estamos a analisar medidas para melhorar a transitabilidade no acesso ao porto”, explicou o ministro.
Além disso, está a ser considerada a criação de um terminal logístico fora da cidade da Beira, onde os camiões possam realizar todos os processos de desalfandegamento antes de entrarem no porto, uma experiência que poderá reduzir significativamente os congestionamentos e melhorar a fluidez do tráfego.
Outro ponto crítico identificado é o tempo de espera dos camiões na terminal de combustíveis, um factor que afeta a distribuição e disponibilidade de produtos petrolíferos no mercado. Para mitigar este problema, o Governo está a trabalhar em conjunto com a CFM – Caminhos de Ferro de Moçambique para encontrar soluções que garantam um fluxo mais eficiente de combustível no porto.
“Estamos a avaliar diferentes cenários e iremos coordenar com todos os intervenientes para aplicar as medidas mais eficazes. Queremos garantir que o combustível em trânsito flui de forma eficiente, aumentando a disponibilidade no mercado e maximizando a receita do Porto da Beira”, destacou Matlombe.
Diálogo com o sector privado
Para definir com maior clareza as intervenções do Governo na cadeia logística, Matlombe pretende reunir-se com empresários da região de Sofala, de modo a compreender os desafios enfrentados pelo sector privado e garantir que as soluções implementadas respondam às reais necessidades do mercado.
O Porto da Beira desempenha um papel estratégico no comércio nacional e regional, sendo um dos principais corredores de escoamento para países do interior, como Zimbabué, Zâmbia e Malawi. Assim, a melhoria da sua eficiência poderá ter um impacto positivo não apenas para Moçambique, mas para toda a região.
O Governo reitera o seu compromisso em promover a modernização e eficiência do Porto da Beira, adoptando medidas que permitam reduzir tempos de espera, melhorar a logística e aumentar a competitividade da infra-estrutura no contexto do comércio internacional.
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