Porto Da Beira Vai Ter Estrada Alternativa, Mas Desafios Da Eficiência Logística Persistem

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Nova via de acesso representa um passo relevante para o descongestionamento urbano e a fluidez do Corredor da Beira, mas a competitividade logística de Moçambique continua condicionada por constrangimentos estruturais num contexto regional cada vez mais competitivo.

Questões-Chave:
  • A estrada alternativa ao Porto da Beira visa aliviar o congestionamento urbano e melhorar a fluidez do tráfego pesado;
  • A iniciativa insere-se nos esforços de modernização do Porto da Beira e do Terminal Logístico de Dondo;
  • Persistem desafios estruturais na eficiência logística nacional, incluindo custos, tempos de espera e burocracia;
  • Moçambique enfrenta concorrência directa de corredores regionais consolidados como Durban, Walvis Bay, Dar-es-Salaam e, cada vez mais, o Corredor do Lobito.

O lançamento da estrada alternativa de acesso ao Porto da Beira constitui um sinal positivo do esforço do Governo para responder a estrangulamentos logísticos críticos. Contudo, a iniciativa surge num momento em que Moçambique continua a enfrentar desafios profundos na eficiência do seu sistema logístico, num contexto de forte concorrência regional e de elevadas expectativas quanto ao seu potencial para se afirmar como um hub logístico de referência no sul e no leste de África.

A nova estrada alternativa de acesso ao Porto da Beira, lançada a 12 de Dezembro de 2025, representa um avanço importante na mitigação de um dos problemas mais visíveis da cidade: o congestionamento provocado pelo elevado fluxo de camiões com destino ao porto. A intervenção deverá contribuir para melhorar a mobilidade urbana, reduzir tempos de espera e aliviar a pressão sobre a Estrada Nacional Número Seis, um dos eixos rodoviários mais críticos do País.

No acto de lançamento da obra, o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, reconheceu que o sector enfrenta desafios estruturais persistentes, nomeadamente elevados custos de manuseamento e transporte de mercadorias, longos tempos de espera associados à burocracia dos serviços e fragilidades ao nível da segurança logística. Estes factores continuam a penalizar a competitividade dos operadores económicos e a eficiência global dos corredores logísticos nacionais.

A intervenção na Beira enquadra-se numa estratégia mais ampla de modernização do Porto da Beira, que inclui a construção do Centro de Apoio e Facilitação Logística de Dondo e a integração da nova estrada de acesso num modelo de concessão que prevê a construção, conservação e exploração de infra-estruturas rodoviárias sob regime de portagens. O objectivo declarado é reforçar a fluidez logística, reduzir congestionamentos e tornar o porto mais atractivo para o comércio regional.

Contudo, os números avançados pelo Governo ilustram a dimensão do desafio. Cerca de três mil camiões circulam diariamente na EN6, dos quais aproximadamente mil têm como destino o Porto da Beira, mas apenas cerca de 200 conseguem aceder ao terminal portuário em tempo útil. Esta limitação evidencia que o problema da logística nacional não se resume apenas às vias de acesso, mas envolve também a eficiência operacional, a coordenação institucional e a capacidade de resposta das infra-estruturas portuárias e logísticas.

Num plano mais amplo, a questão da eficiência logística assume um carácter estratégico para Moçambique, que ambiciona posicionar-se como um hub logístico regional e continental, capitalizando a sua localização geográfica privilegiada e a existência de múltiplos corredores de desenvolvimento. Essa ambição enfrenta, porém, uma concorrência intensa de corredores já consolidados e altamente eficientes, como Durban e Walvis Bay, na África Austral, Dar-es-Salaam, na África Oriental, e, mais recentemente, o emergente Corredor do Lobito, que tem vindo a captar crescente atenção e investimento internacional.

Neste contexto competitivo, a melhoria pontual de infra-estruturas, embora necessária, revela-se insuficiente se não for acompanhada por reformas estruturais que incidam sobre a redução de custos logísticos, a simplificação de procedimentos, a digitalização de processos, o reforço da segurança e a articulação eficaz entre os diversos actores públicos e privados do sector.

A estrada alternativa de acesso ao Porto da Beira constitui, assim, um passo relevante e simbólico, mas também um lembrete de que a competitividade logística de Moçambique — e, por extensão, da sua economia — depende de uma abordagem sistémica e consistente. Num país que luta por dias melhores, o sector da logística permanece um dos pilares centrais para impulsionar o crescimento económico, atrair investimento, integrar-se nas cadeias regionais e globais de valor e transformar potencial geográfico em vantagem competitiva real.

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