
Preços do Petróleo Descem com Alerta da AIE e Agravamento das Tensões Comerciais
O mercado reage a previsões de sobre-oferta global e à escalada nas tensões entre as duas maiores economias do mundo, que ameaçam enfraquecer a procura energética.
- A Agência Internacional de Energia (AIE) alerta para um excedente global de até 4 milhões de barris por dia em 2026;
- O Brent caiu para 62,30 USD por barril e o WTI recuou para 58,67 USD, mínimos de cinco meses;
- Tensões comerciais entre os EUA e a China reacendem-se, com novas taxas portuárias e ameaças de tarifas até 100%;
- Analistas preveem impacto directo na procura mundial de petróleo e no crescimento económico;
- Relatórios de inventário dos EUA deverão confirmar aumento das reservas de crude na última semana.
Os preços do petróleo voltaram a descer esta quarta-feira, prolongando as perdas da sessão anterior, depois de a Agência Internacional de Energia (AIE) ter alertado para um possível excesso de oferta no mercado global em 2026, num contexto de procura fraca e recrudescimento das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China.
Os futuros do Brent recuaram 0,14%, fixando-se em 62,30 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) perdeu 0,05%, para 58,67 dólares. Ambos os índices atingiram mínimos de cinco meses, reflectindo a crescente apreensão dos investidores face ao desequilíbrio entre oferta e procura.
Num relatório divulgado na terça-feira, a AIE advertiu que o mercado poderá enfrentar um excedente de até 4 milhões de barris por dia em 2026, resultado da expansão simultânea da produção da OPEP+ e de produtores independentes, num ambiente de procura global estagnada. O cenário de sobre-oferta, aliado a sinais mistos sobre a retoma económica, reforça a tendência de pressão descendente sobre os preços.
Segundo Emril Jamil, analista sénior da LSEG, “o mercado está a reagir ao risco de excesso de oferta, num contexto de procura incerta e de tensões comerciais crescentes. O abrandamento das ameaças geopolíticas também reduziu o prémio de risco que sustentava os preços”.
Tensões EUA–China Agravam Perspectiva
As relações comerciais entre Washington e Pequim deterioraram-se nos últimos dias, depois de ambos os países imporem novas taxas portuárias sobre embarcações que transportam mercadorias bilaterais, medida que aumenta custos logísticos e ameaça desacelerar o comércio global.
O analista Tony Sycamore, da IG, observou que “o foco permanecerá na recente re-escalada das tensões entre os EUA e a China e nos riscos que ela representa para a economia mundial”.
A crise intensificou-se após a China anunciar a expansão dos controlos às exportações de terras raras, essenciais para a indústria tecnológica, e o Presidente Donald Trump ameaçar elevar as tarifas sobre bens chineses para 100%, além de endurecer restrições às exportações de software a partir de 1 de Novembro.
Inventários e Dados Económicos
O mercado também aguarda com expectativa os dados semanais sobre os inventários de petróleo nos Estados Unidos, considerados um indicador fundamental do equilíbrio entre oferta e procura.
Uma sondagem preliminar da Reuters estima que as reservas de crude norte-americanas tenham aumentado em 200 mil barris na semana até 10 de Outubro, enquanto os stocks de gasolina e destilados terão diminuído.
Os relatórios oficiais do Instituto Americano de Petróleo (API) e da Administração de Informação de Energia (EIA) serão divulgados com um dia de atraso, devido ao feriado do Columbus Day.
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