
Ramaphosa Inicia Visita Tensa Aos EUA Para “Repor” Laços Estratégicos e Evitar Rutura Económica
Destaques
- Encontro com Donald Trump agendado para 21 de Maio na Casa Branca;
- África do Sul procura garantir permanência no AGOA e retomar apoio financeiro americano;
- Reforma agrária, caso Israel no TPI e política de acção afirmativa geraram atritos com Washington;
- Ramaphosa quer evitar o colapso do relacionamento económico com o segundo maior parceiro comercial do país;
- Mercado sul-africano reage positivamente à visita, mas incertezas persistem.
O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, iniciou esta semana uma visita oficial aos Estados Unidos com o objectivo declarado de “repor” a relação estratégica entre os dois países. O ponto alto será o encontro com o Presidente Donald Trump, marcado para quarta-feira, 21 de Maio, num contexto de tensões bilaterais agravadas por medidas unilaterais de Washington e por posições divergentes sobre temas internacionais sensíveis.
A crescente tensão entre Pretória e Washington levou o Presidente sul-africano a procurar um novo entendimento com Trump, com enfoque no comércio, energia, AGOA e financiamento ao desenvolvimento.
Uma Visita em Clima de Desconfiança
As relações entre Pretória e Washington deterioraram-se significativamente desde o regresso de Trump à presidência, em Janeiro de 2025. A suspensão de todo o apoio financeiro dos EUA à África do Sul — motivada por críticas à política de reforma agrária e à acção judicial sul-africana contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça — marcou o ponto de viragem.
A Tensão dos Refugiados Afrikaners
A situação agravou-se quando os Estados Unidos acolheram dezenas de cidadãos brancos sul-africanos, os chamados afrikaners, como refugiados políticos, alegando perseguição racial — uma alegação que Pretória classifica como infundada e baseada numa leitura enviesada da realidade do país.
Economia no Centro da Agenda
A visita pretende evitar o colapso da relação económica bilateral. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial da África do Sul (após a China), com mais de 600 empresas americanas a operar no território sul-africano. Ramaphosa procurará garantir a continuidade dos benefícios ao abrigo do AGOA (African Growth and Opportunity Act), que permite o acesso preferencial de produtos sul-africanos ao mercado norte-americano — fundamental para sectores como o automóvel, têxtil e agrícola.
Energia, Infraestruturas e Financiamento
Outros temas centrais da visita incluem a cooperação no domínio energético, nomeadamente projectos nucleares civis e investimentos em energias renováveis. Ramaphosa quer também recuperar o acesso a fundos de desenvolvimento anteriormente garantidos por Washington, como o PEPFAR — programa que financiava acções de combate ao HIV/SIDA e cuja suspensão deixou um vazio considerável nos serviços de saúde pública.
Reforma Agrária e o Dilema Interno
Do lado sul-africano, Ramaphosa enfrenta o desafio de explicar e defender a nova lei de expropriação de terras, aprovada com o argumento de corrigir injustiças históricas da era do apartheid. A lei permite, em casos excepcionais, a expropriação de terras sem compensação — uma medida que levantou alertas em sectores conservadores dos EUA, mas que o Governo sul-africano defende como legal, justa e necessária.
Impacto no Mercado e Perspectivas Geopolíticas
A simples confirmação da visita produziu efeitos nos mercados: o rand sul-africano valorizou-se face ao dólar, e alguns analistas vêem a visita como uma tentativa pragmática de reconciliação. No entanto, as incertezas permanecem, especialmente à luz do novo alinhamento geopolítico de Washington e da crescente aposta de Pretória na liderança do G20 — cuja cimeira de 2025 terá lugar em Joanesburgo, com foco em desenvolvimento inclusivo e inovação.
A visita de Ramaphosa aos Estados Unidos é, simultaneamente, um gesto de sobrevivência económica e uma manobra diplomática estratégica. Pretória joga alto para restaurar uma relação que, apesar de abalada por narrativas populistas e confrontos ideológicos, continua a ser vital para a estabilidade económica e política da África do Sul. Resta saber se Washington responderá com pragmatismo ou manterá o braço-de-ferro geopolítico.
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