
Reconstrução Pós-Cheias em Moçambique Avaliada em US$644 Milhões e Acentua Pressão Sobre Finanças Públicas
Governo admite que danos causados pelas inundações exigem mais do que reconstrução física, defendendo nova abordagem assente em planeamento preventivo e resiliência climática.
- Infra-estruturas destruídas ou afectadas pelas cheias avaliadas preliminarmente em US$644 milhões (537,6 milhões de euros);
- Estradas, habitação, unidades sanitárias e escolas entre os sectores mais impactados;
- Governo aposta numa reconstrução resiliente como eixo central da resposta pós-cheias;
- Custos adicionais agravam constrangimentos orçamentais num contexto fiscal já pressionado.
O Governo moçambicano estima em cerca de 644 milhões de dólares o custo preliminar da reconstrução das infra-estruturas destruídas ou afectadas pelas cheias e inundações registadas nas últimas semanas, um montante que evidencia a dimensão do impacto económico do fenómeno climático e coloca pressão adicional sobre as finanças públicas.
Danos em Infra-estruturas Críticas Elevam Fatura da Reconstrução
As cheias causaram danos significativos em infra-estruturas rodoviárias, habitacionais, sanitárias e escolares, com destaque para a Estrada Nacional Número Um (N1), da qual cerca de três quilómetros ficaram severamente afectados. No total, mais de 1.336 quilómetros de estradas registaram destruição parcial ou total.
No sector habitacional, 771 casas ficaram totalmente destruídas e 3.447 foram parcialmente danificadas, enquanto 229 unidades sanitárias foram inundadas, comprometendo o acesso a serviços básicos de saúde em várias regiões do país.
Impacto Humano e Social de Grande Escala
De acordo com dados oficiais, as cheias afectaram 691.522 pessoas, correspondentes a 151.962 famílias, tendo provocado 14 mortes, 45 feridos e quatro desaparecidos. Cerca de 155 mil casas ficaram inundadas, forçando milhares de famílias a procurar abrigo em centros de acomodação temporários.
Actualmente, permanecem activos 100 centros de acomodação, acolhendo perto de 95 mil pessoas, sobretudo nas províncias do sul e centro do país, as mais atingidas pelas chuvas intensas e descargas de barragens.
Plano de Reconstrução Assume Viragem Estratégica
Falando após a reunião do Conselho de Ministros realizada em Xai-Xai, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, sublinhou que os valores apresentados são preliminares e integram o Plano de Reconstrução das Infra-estruturas Destruídas pelas Cheias e Inundações.
Segundo o Executivo, o plano visa garantir uma recuperação resiliente, inclusiva e sustentável, assumindo que “não basta reconstruir, é necessário planificar melhor para proteger mais, reduzir perdas e assegurar resultados duradouros”. A nova abordagem procura integrar a gestão do risco climático, a prevenção e a preparação permanente no modelo de governação e desenvolvimento.
Reconstrução Resiliente e Planeamento Preventivo Como Prioridade
O documento orienta a resposta do Estado ao longo de todo o ciclo de risco de inundações, colocando a proteção da vida humana no centro da acção governamental. Entre os pilares estratégicos estão o reforço dos sistemas de alerta precoce, a gestão integrada dos recursos hídricos, o ordenamento territorial com base em mapas de risco e a adopção de infra-estruturas concebidas para resistir a eventos climáticos extremos.
Esta orientação representa uma tentativa de reduzir a recorrência de perdas económicas significativas associadas a fenómenos climáticos cada vez mais frequentes.
Pressão Acrescida Sobre Orçamento e Mobilização de Apoios
Do ponto de vista económico, o montante estimado para a reconstrução surge num momento de fortes restrições orçamentais, exigindo ao Governo um esforço adicional de mobilização de recursos internos e externos. Parceiros internacionais como a União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Noruega e Japão já anunciaram apoio humanitário de emergência, mas a dimensão da reconstrução poderá exigir financiamento concessional e coordenação reforçada com doadores.
Cheias Expõem Vulnerabilidade Climática e Custos Económicos Repetidos
A época chuvosa e ciclónica, iniciada em Outubro de 2025 e prevista até Abril de 2026, voltou a expor a vulnerabilidade estrutural do país a choques climáticos, com impactos recorrentes sobre infra-estruturas, capital humano e crescimento económico.
Para o O.Económico, a reconstrução pós-cheias coloca um desafio central: transformar uma resposta de emergência num processo estrutural de resiliência, sob pena de eventos climáticos continuarem a traduzir-se em choques orçamentais e perdas económicas cíclicas.
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