Reestruturar dívida de África é inevitável, África precisa mudar a narrativa e apresentar-se como solução

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  • Peritos consideraram que a reestruturação da dívida de África essencial, e salientam que o continente é uma fonte de soluções e não de problemas.

“A reestruturação da dívida é inevitável porque os montantes, as necessidades e a sua composição mudou”, disse o antigo Ministro das Finanças do Senegal, Amadeu Hott, durante o África Fórum, organizado em Londres pelo jornal britânico Financial Times.

Nos últimos anos “a percentagem de dívida comercial no total passou de 20% para 43%, são necessários 240 mil milhões de dólares todos os anos para o financiamento climático e só recebemos US$ 18 mil milhões de dólares, ou seja, precisamos de 13 vezes mais”, disse o também enviado do Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) para a Aliança para as Infra-Estruturas Verdes em África (AGIA) no Painel sobre Dívida, Investimento e Nova Arquitectura Financeira Internacional.

Para a Directora do Bank of America para a África Subsaariana, Yvonne Ike, o cálculo sobre as necessidades de financiamento dos países africanos é ainda maior, rondando os US$ 400 mil milhões de dólares por ano, durante dez anos.

“Este é o valor necessário para fechar o défice na energia e infra estruturas e potenciar o crescimento verde”, disse a banqueira, salientando que o mais importante é mudar a narrativa relativamente a África. Na conferência, o Director Executivo para os Serviços Financeiros na Corporação Financeira Africana disse que o continente tinha de mudar a narrativa e apresentar-se como solução. “Temos de mudar a narrativa e mostrar que África é a solução, não é a criança problemática no mundo”, afirmou, salientando que o mundo já está a mudar, com os africanos a obterem lugares de destaque em organizações importante como a organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT). 

Os africanos, defendeu, “têm de posicionar-se e ter um lugar à mesa, algo que já estão a fazer”, concluiu, exemplificando com a presença permanente no G20 e a atribuição de mais um lugar no Conselho de Administração do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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