
Reformas Logísticas Sul-Africanas Ganham Tração, Mas Sector Empresarial Alerta Para Necessidade De Aceleração
- Business Leadership South Africa defende que os avanços recentes nos portos, caminhos-de-ferro e participação privada já começam a produzir resultados, mas alerta que atrasos continuam a comprometer competitividade, crescimento económico e emprego.
- Sector empresarial sul-africano considera reformas logísticas essenciais para crescimento económico;
- Volume de navios nos portos atingiu máximo de 15 anos;
- Novos operadores privados deverão adicionar 24 milhões de toneladas de capacidade ferroviária;
- Investimentos privados multimilionários começam a transformar operações portuárias;
- Empresários alertam que atrasos continuam a penalizar competitividade e emprego.
As reformas em curso no sector logístico sul-africano começam a produzir sinais concretos de recuperação operacional, mas o sector empresarial alerta que o ritmo das mudanças ainda permanece insuficiente face à urgência económica e ao agravamento do desemprego no país.
Num artigo publicado esta semana, a CEO da Business Leadership South Africa (BLSA), Busi Mavuso, defendeu que a modernização logística representa uma condição indispensável para o futuro económico da África do Sul, sublinhando que o país “não pode ser uma nação exportadora competitiva sem portos eficientes e acessos eficientes a esses portos”.
A responsável argumenta que a competitividade logística constitui um elemento central para permitir que sectores como agricultura, indústria e mineração consigam colocar os seus produtos nos mercados internacionais em condições competitivas, impulsionando crescimento económico e criação de emprego.
Desemprego E Fragilidade Económica Aumentam Pressão Sobre Reformas
A pressão para acelerar as reformas intensificou-se depois de a taxa de desemprego sul-africana ter subido para 32,7% no primeiro trimestre de 2026, contra 31,4% no trimestre anterior.
Segundo os dados citados por Busi Mavuso, a economia perdeu cerca de 345 mil empregos no trimestre, elevando o número total de desempregados para 8,1 milhões de pessoas.
“Crescimento é o único caminho para criar os empregos de que desesperadamente precisamos. E crescimento exige logística competitiva que permita aos exportadores ter sucesso nos mercados globais”, escreveu a CEO da BLSA.
A posição reflecte uma preocupação crescente no país relativamente ao impacto dos estrangulamentos logísticos sobre sectores exportadores estratégicos, num momento em que a economia sul-africana procura recuperar capacidade industrial e competitividade externa.
Portos Registam Recuperação E Novos Investimentos Privados
Apesar das dificuldades, o sector empresarial reconhece sinais importantes de recuperação operacional.
Segundo os dados referidos no artigo, os portos sul-africanos registaram em 2025 um total de 8.630 navios, o nível mais elevado dos últimos 15 anos.
A recuperação é atribuída, em parte, à crescente participação do sector privado nas operações logísticas.
A empresa filipina International Container Terminal Services assumiu em Janeiro a gestão do Durban Gateway Terminal e prevê investir cerca de 11 mil milhões de rands para aumentar a capacidade em 40%, refere o texto.
Ao mesmo tempo, a FFS Tank Terminals vai assumir o Cape Town Liquid Bulk Terminal, investindo aproximadamente 200 milhões de rands na modernização da infra-estrutura e duplicação da capacidade operacional.
Segundo Busi Mavuso, estes avanços demonstram “o que é possível quando o Governo facilita, em vez de bloquear, o investimento privado”.
Caminhos-De-Ferro Entram Em Nova Fase De Abertura
Outro desenvolvimento considerado estratégico foi a conclusão dos contratos entre a Transnet Freight Rail Infrastructure e 11 operadores ferroviários privados.
Segundo o artigo, os novos operadores deverão acrescentar cerca de 24 milhões de toneladas de capacidade ferroviária em segmentos como carvão, manganês, contentores, combustíveis e carga geral.
Parte das operações poderá arrancar ainda este ano, embora a maioria esteja prevista para 2027.
A abertura progressiva da rede ferroviária representa uma das reformas estruturais mais relevantes do sector logístico sul-africano, historicamente dominado pela Transnet.
Ainda assim, o sector empresarial continua a defender maior rapidez na implementação das reformas e regras mais favoráveis à participação privada.
Segundo o artigo, a BLSA considera que os actuais termos de transacção continuam a transferir riscos excessivos para investidores privados, enquanto a Transnet mantém forte controlo sobre as condições de acesso às infra-estruturas públicas.
Debate Sobre Concorrência Ganha Centralidade
No centro do debate permanece a questão da concorrência no sistema logístico sul-africano.
Para Busi Mavuso, a sustentabilidade do crescimento logístico dependerá da criação de um ambiente verdadeiramente concorrencial, no qual operadores portuários e ferroviários disputem eficiência, preços e qualidade de serviço.
A responsável defende igualmente a rápida conclusão do chamado “Network Statement”, documento regulatório considerado essencial para consolidar o modelo de acesso aberto à rede ferroviária.
“Estamos a fazer progressos, mas continuamos anos atrás de onde deveríamos estar”, advertiu.
O debate sul-africano em torno das reformas logísticas continua a ser acompanhado atentamente na região austral africana, sobretudo devido ao impacto que os portos, corredores ferroviários e cadeias logísticas sul-africanas exercem sobre o comércio regional, exportações mineiras e competitividade da SADC.
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