Reservas Internacionais de Moçambique Crescem Para US$3,45 Mil Milhões e Reforçam Colchão Cambial em 2024

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Questões-Chave:

  • Reservas internacionais líquidas aumentaram 11,3% em 2024, atingindo 3.454,2 milhões USD;
  • Nível de cobertura situou-se em 3,3 meses de importações de bens e serviços, dentro do intervalo de conforto internacional;
  • Acumulação foi impulsionada por entradas de IDE, empréstimos externos e rendimento de activos;
  • Ausência de intervenções significativas no mercado cambial contribuiu para preservação do stock;
  • Estrutura das reservas continua centrada em activos líquidos e de elevado grau de segurança.

Moçambique terminou o ano de 2024 com um reforço considerável das suas reservas internacionais, que se fixaram em 3,45 mil milhões USD. Este aumento reflecte entradas robustas de capital, sobretudo através de investimento directo estrangeiro e financiamento externo, num contexto de contenção das pressões cambiais. Com uma cobertura de 3,3 meses de importações, as reservas conferem maior resiliência externa, embora desafios estruturais como a dependência das exportações primárias persistam.

Evolução e Determinantes da Acumulação

As reservas internacionais líquidas cresceram 11,3% face ao ano anterior (quando se situavam em 3.103,3 milhões USD). Este aumento foi sustentado por:

  • Entradas líquidas de IDE, em especial associadas aos projectos de gás natural e mineração;
  • Recebimentos de empréstimos de longo prazo contraídos pelo Governo e projectos de infraestrutura;
  • Receitas com activos de reservas, incluindo juros de títulos do Tesouro norte-americano e depósitos remunerados;
  • Moderada pressão cambial, que reduziu a necessidade de intervenções do Banco de Moçambique.

Cobertura e Comparabilidade Regional

A cobertura de reservas de 3,3 meses de importações de bens e serviços posiciona Moçambique acima do limiar mínimo recomendado (3 meses), embora abaixo do ideal para economias com elevada vulnerabilidade externa (entre 4 a 6 meses segundo o FMI).

Comparando com países da região SADC:

  • África do Sul: 5,5 meses
  • Zâmbia: 3,2 meses
  • Tanzânia: 4,7 meses
  • Angola: 5,9 meses

Moçambique encontra-se, assim, num intervalo intermédio, com margem para reforço adicional sobretudo num cenário de normalização das importações e menor liquidez global.

Composição e Gestão das Reservas

As reservas permanecem investidas em activos de elevada liquidez e segurança, maioritariamente em:

  • Títulos soberanos de curto prazo;
  • Depósitos em bancos centrais e instituições multilaterais;
  • Direitos Especiais de Saque (DES) no FMI.

O Banco de Moçambique mantém uma política de gestão conservadora, com foco na segurança, liquidez e rendimento, em consonância com práticas prudenciais internacionais.

Desafios e Perspectivas

Embora o nível actual de reservas ofereça uma margem de segurança confortável, persistem riscos relevantes:

  • Possíveis choques nos preços de exportação de matérias-primas;
  • Aumento dos custos de financiamento externo em contextos de subida de juros globais;
  • Eventual repatriamento de dividendos por parte de grandes investidores.

Para garantir sustentabilidade, é essencial:

  • Diversificar a base exportadora do país;
  • Aumentar a poupança externa líquida;
  • Fortalecer a coordenação entre política cambial e fiscal.

Reservas Reforçadas, Mas Sustentabilidade Depende da Diversificação Externa

O reforço das reservas internacionais em 2024 representa um sinal claro de robustecimento da posição externa do país. No entanto, esta robustez deve ser consolidada por estratégias activas de diversificação económica, reforço da base produtiva e gestão prudente dos passivos externos. Só assim as reservas poderão continuar a servir como verdadeiro colchão de estabilidade macroeconómica e cambial em tempos de incerteza.

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