Rovuma LNG Adjudica Tubagens de Até US$250 Milhões Para Rede Submarina

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  • A Corinth Pipeworks, da Grécia, deverá fabricar cerca de 250 quilómetros de tubagens destinadas ao desenvolvimento da Área 4 da Bacia do Rovuma. A adjudicação, avaliada entre 200 milhões e 250 milhões de dólares, integra a aceleração das actividades preparatórias para a decisão final de investimento do Rovuma LNG.
Questões-Chave:
  • A Corinth Pipeworks foi seleccionada para fornecer aproximadamente 250 quilómetros de tubagens para a rede submarina do Rovuma LNG;
  • O contrato está avaliado entre 200 milhões e 250 milhões de dólares;
  • A encomenda corresponde a cerca de 120 mil toneladas de tubagens de aço, com diâmetros entre 20 e 24 polegadas;
  • Toda a produção industrial deverá ser realizada em Thisvi, na Grécia, antes do envio para Moçambique;
  • A adjudicação integra um pacote mais amplo de contratos de pré-investimento, avaliado em cerca de 1,1 mil milhões de dólares;
  • O Rovuma LNG prevê uma capacidade anual de produção de 18,6 milhões de toneladas de GNL;
  • O desenvolvimento está estimado em cerca de 20 mil milhões de dólares e a decisão final de investimento é aguardada ainda em 2026;
  • A aquisição antecipada de equipamentos críticos reduz riscos de calendário, mas volta a colocar em destaque a limitada participação da indústria moçambicana nos segmentos industriais de maior valor.

A ExxonMobil e os restantes parceiros da Área 4 adjudicaram à Corinth Pipeworks, da Grécia, o fornecimento de aproximadamente 250 quilómetros de tubagens destinadas à rede submarina do Rovuma LNG, em Cabo Delgado.

O contrato está estimado entre 200 milhões e 250 milhões de dólares, correspondentes a cerca de 172 milhões e 215 milhões de euros, e envolve aproximadamente 120 mil toneladas de tubagens de aço soldadas longitudinalmente por arco submerso, conhecidas na indústria pela sigla LSAW.

As tubagens, com diâmetros entre 20 e 24 polegadas, serão utilizadas no sistema de transporte do gás extraído em águas profundas da Bacia do Rovuma. O fornecimento inclui revestimentos anticorrosão e de betão, necessários para assegurar a resistência, estabilidade e durabilidade das infra-estruturas no ambiente submarino.

Segundo a Corinth Pipeworks, a totalidade das tubagens será fabricada na unidade industrial de Thisvi, na Grécia, e posteriormente transportada para Moçambique.

A adjudicação constitui mais um sinal de que os parceiros da Área 4 estão a avançar com aquisições críticas antes da decisão final de investimento, procurando reduzir os riscos de atrasos na fase de execução do projecto.

Aquisições Antecipadas Preparam Decisão de Investimento

A encomenda surge depois de a ExxonMobil ter anunciado contratos de pré-investimento avaliados em cerca de 1,1 mil milhões de dólares, destinados à engenharia, aquisição e fabrico de equipamentos considerados essenciais para o desenvolvimento do Rovuma LNG.

Esses contratos abrangem sistemas de produção submarina, válvulas de grande diâmetro, gasodutos e outros equipamentos com processos de engenharia e fabrico prolongados.

Ao adjudicar antecipadamente estes componentes, os parceiros procuram assegurar capacidade industrial junto dos fornecedores, limitar a exposição a eventuais constrangimentos nas cadeias internacionais e reduzir o período entre a decisão final de investimento e o início efectivo da construção.

A estratégia também indica um aumento gradual dos compromissos financeiros associados ao empreendimento. Embora não substituam a decisão final de investimento, os contratos preparatórios elevam o nível de prontidão técnica e comercial do projecto.

A directora-geral e presidente do Conselho de Administração da ExxonMobil em Moçambique, Johanna Boothey, considerou que as adjudicações representam um passo importante no avanço do Rovuma LNG e demonstram o compromisso dos parceiros da Área 4 com o desenvolvimento dos recursos de gás natural de Moçambique.

Contrato Concentra Produção Industrial na Grécia

O valor da encomenda mostra a dimensão da procura industrial que será gerada pelo projecto, mas também evidencia que uma parte substancial das despesas de capital será absorvida por fornecedores internacionais com capacidade tecnológica e certificações para produzir equipamentos destinados à exploração em águas profundas.

A fabricação de 120 mil toneladas de tubagens envolve compras de aço, engenharia, soldadura especializada, revestimentos, controlo de qualidade, certificação, logística marítima e serviços técnicos.

Como toda a produção será realizada em Thisvi, os efeitos industriais directos do contrato — incluindo emprego fabril, aquisição de matérias-primas, utilização de capacidade instalada e arrecadação tributária — deverão concentrar-se principalmente na Grécia.

Moçambique poderá beneficiar da logística, recepção, movimentação, instalação e apoio operacional das tubagens, mas a proporção de valor retida internamente dependerá da participação de empresas nacionais nos contratos complementares.

A adjudicação volta, deste modo, a colocar o conteúdo local no centro da discussão económica sobre os grandes projectos de gás. A participação moçambicana não depende apenas da existência de obrigações contratuais, mas também da capacidade das empresas nacionais para cumprir requisitos de qualidade, segurança, escala, financiamento e certificação internacional.

Infra-Estruturas Submarinas Constituem Componente Crítica

A rede de tubagens deverá transportar o gás dos campos submarinos até às instalações de processamento e liquefação previstas para a Península de Afungi, em Cabo Delgado.

As condições de águas profundas exigem materiais capazes de suportar pressão, corrosão, movimentos do fundo do mar e longos períodos de operação com necessidades reduzidas de manutenção.

O revestimento anticorrosão protege o aço contra a degradação provocada pela água do mar, enquanto o revestimento de betão aumenta o peso e a estabilidade das tubagens depois da instalação.

Falhas neste sistema poderiam interromper o abastecimento da unidade de liquefação e comprometer a produção. As tubagens constituem, por isso, um dos elementos essenciais para a fiabilidade operacional e económica do empreendimento.

A escala da encomenda também oferece uma indicação da extensão do sistema submarino necessário para ligar os campos de produção às instalações terrestres.

Rovuma LNG Avança Nas Componentes Terrestre e Marítima

A adjudicação à Corinth Pipeworks ocorre em paralelo com os preparativos para o desenvolvimento terrestre do Rovuma LNG.

A ExxonMobil seleccionou o consórcio SMDC, composto pela Saipem, McDermott Energy Solutions, Daewoo Engineering & Construction e China Petroleum Engineering & Construction Corporation, para desenvolver actividades preliminares de engenharia e aquisição.

A Saipem confirmou, a 7 de Agosto, que a adjudicação final do contrato de engenharia, aquisição e construção permanece dependente de uma decisão final de investimento positiva dos parceiros da Área 4 e das aprovações governamentais e regulatórias. O valor inicial das actividades preliminares foi estabelecido em 32 milhões de dólares. 

O desenvolvimento em terra prevê duas unidades de liquefação, compostas por 12 módulos, com capacidade conjunta para produzir aproximadamente 18,6 milhões de toneladas de GNL por ano.

De acordo com a fonte, a opção por módulos permite dividir a construção em componentes fabricadas em diferentes localizações e posteriormente montadas no local do projecto. Esta abordagem pode reduzir determinados riscos de execução, embora aumente a complexidade logística e a dependência de cadeias internacionais de fornecimento.