
Sasol Certifica Mais Seis MPME e Reforça Capacidade de Empresas Nacionais Para Disputar Contratos
Programa de certificação ISO 9001:2015 já abrange 11 empresas moçambicanas desde 2025 e pretende chegar a 30. Duas das novas beneficiárias já conseguiram contratos nos sectores de petróleo e gás e energia, colocando em evidência a relação entre padrões internacionais, organização empresarial e acesso às cadeias de fornecimento.
Questões-Chave:
- Seis MPME moçambicanas concluíram em Setembro a certificação ISO 9001:2015;
- Quatro empresas são de Inhambane e duas de Maputo;
- Programa lançado em 2023 prevê certificar 30 empresas nacionais;
- Cinco MPME já tinham obtido certificação em 2025, elevando para 11 o número acumulado;
- Duas empresas beneficiárias conseguiram novos contratos nos sectores de petróleo e gás e energia;
- Iniciativa integra o Plano de Conteúdo Local da Sasol e concentra-se no desenvolvimento das capacidades técnicas e de gestão das empresas nacionais.
A Sasol concluiu, em Setembro de 2026, a certificação de mais seis Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) moçambicanas segundo a norma internacional ISO 9001:2015, elevando para 11 o número de empresas certificadas desde 2025 no âmbito do seu programa de desenvolvimento empresarial.
A iniciativa coloca uma questão central na agenda do conteúdo local em Moçambique: a capacidade das empresas nacionais para cumprir padrões técnicos, organizacionais e de gestão exigidos pelas grandes cadeias de fornecimento.
As novas empresas certificadas são Madiver Construções, Angelina Israel e Inhassoro Builders, todas de Inhassoro; Remote Health Care, de Vilankulo; e Sá Machado e Technical Marine, de Maputo.
Quatro receberam os certificados no recém-inaugurado Escritório de Apoio às MPME em Temane — Centro de Parcerias Locais — e duas nos escritórios da Sasol, em Maputo.
Programa Pretende Certificar 30 Empresas
O programa foi lançado em Junho de 2023, com apoio técnico da Energy Works, e estabelece como meta a certificação de 30 empresas moçambicanas, com particular incidência nas províncias de Inhambane e Maputo.
Em 2025, cinco MPME concluíram o processo. Com as seis certificações de Setembro, o programa alcançou 11 empresas, correspondentes a cerca de 37% da meta estabelecida.
A iniciativa integra o Plano de Conteúdo Local da Sasol, desenvolvido em parceria com o Governo, e incide particularmente sobre o reforço das capacidades técnicas e de gestão das empresas nacionais.
A certificação ISO 9001:2015 estabelece requisitos para sistemas de gestão da qualidade, envolvendo organização de processos, controlo das operações, documentação, monitorização do desempenho e melhoria contínua.
Para pequenas e médias empresas que pretendem integrar cadeias de fornecimento de grandes projectos, estas capacidades podem assumir importância na qualificação como fornecedores e na resposta aos requisitos dos concursos.
Certificação Começa A Traduzir-se Em Contratos
Um dos resultados apresentados pela Sasol permite observar a passagem da capacitação para o mercado.
Duas empresas beneficiárias indicaram ter conseguido novos contratos nos sectores de petróleo e gás e energia depois do processo de certificação.
O caso de Angelina Israel, empresa sediada em Inhassoro, oferece um exemplo concreto. Segundo a sua representante, a preparação desenvolvida durante a certificação permitiu à empresa organizar antecipadamente a documentação necessária para responder a um concurso lançado pela ENKA, empreiteira responsável pela construção da Central Térmica de Temane.
Quando foi solicitada a documentação das viaturas para a prestação de serviços de transporte, a empresa conseguiu responder imediatamente aos requisitos do concurso e acabou por assegurar o contrato.
O episódio evidencia uma dimensão frequentemente determinante no acesso das MPME às grandes cadeias de fornecimento: oportunidades de negócio podem ser perdidas por insuficiências de organização interna, documentação, sistemas de gestão e capacidade de resposta aos procedimentos de contratação.
Conteúdo Local Exige Capacidade Empresarial
O desenvolvimento do conteúdo local ganha particular importância num período em que Moçambique se prepara para uma nova fase de investimentos de grande dimensão nos sectores de energia, gás natural, mineração e infra-estruturas.
A participação das empresas nacionais nestes investimentos estará associada à sua capacidade de cumprir requisitos de qualidade, segurança, gestão, capacidade financeira e desempenho operacional exigidos pelas grandes empresas e pelos principais empreiteiros.
Francisco Augusto, Vice-Presidente de Manutenção e Operações da Sasol em Moçambique, destacou precisamente a dimensão empresarial da certificação, considerando que o seu valor deverá ser observado na aplicação do conhecimento adquirido, na melhoria contínua e no crescimento dos negócios.
A experiência das empresas que já converteram o processo de certificação em contratos sugere que os programas de desenvolvimento de fornecedores podem produzir resultados quando a capacitação responde directamente aos requisitos encontrados no mercado.
Dos Grandes Projectos Para Uma Base Nacional De Fornecedores
A questão assume uma dimensão económica mais ampla perante a expansão prevista dos grandes investimentos em Moçambique.
O conteúdo local terá maior impacto quando uma parcela crescente da despesa realizada pelos grandes projectos for capturada por empresas estabelecidas no País, através do fornecimento de bens, serviços, manutenção, logística, construção, engenharia e outras actividades.
Nesse contexto, certificações internacionais podem contribuir para reduzir a distância entre as exigências dos grandes compradores e as capacidades operacionais das MPME nacionais.
Também podem ampliar as possibilidades de essas empresas fornecerem para diferentes projectos e sectores, reduzindo a dependência de um único cliente ou investimento.
A presença da Administração do Distrito de Inhassoro, do Conselho Empresarial de Inhassoro e do Grupo Técnico de Conteúdo Local do Governo nas cerimónias de certificação evidencia igualmente a articulação institucional associada ao programa.
O Desafio Está Na Escala
Com 11 empresas certificadas de uma meta de 30, o programa encontra-se ainda em fase de expansão.
O indicador seguinte será a capacidade de transformar as restantes certificações em participação empresarial efectiva nas cadeias de fornecimento e acompanhar os resultados obtidos pelas empresas já abrangidas.
Volume de contratos conquistados, empregos criados, crescimento da facturação, entrada em novas cadeias de fornecimento e capacidade de prestar serviços a diferentes operadores constituem indicadores que podem permitir uma avaliação económica mais completa do programa.
Sónia Chembeze, Directora-Geral da Sasol em Moçambique, enquadra a iniciativa precisamente na perspectiva de tornar as MPME nacionais mais competitivas, sustentáveis e capazes de converter capacidades adquiridas em oportunidades de negócio.
A relação entre qualificação empresarial, padrões internacionais e acesso aos contratos constitui uma das componentes práticas da agenda de conteúdo local em Moçambique. O objectivo económico é aumentar a capacidade das empresas nacionais para participar na despesa gerada pelos grandes investimentos e reter internamente uma parcela crescente do valor criado pelas cadeias de energia, recursos naturais e infra-estruturas.
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