
Sinomine negoceia com o Zimbabwe retoma das exportações de lítio após proibição governamental
Decisão de Harare de suspender exportações de minerais brutos insere-se numa estratégia mais ampla de industrialização e valorização local dos recursos críticos usados na produção de baterias.
- Sinomine está em negociações com o Governo do Zimbabwe para retomar exportações de lítio;
- Harare suspendeu em Fevereiro todas as exportações de minerais brutos e concentrados de lítio;
- Medida visa promover processamento local e maior captura de valor na cadeia das baterias;
- Zimbabwe é o maior produtor africano de lítio e um fornecedor importante para a indústria chinesa.
A empresa chinesa Sinomine Resource Group iniciou negociações com o Governo do Zimbabwe para tentar retomar as exportações de lítio provenientes da sua mina de Bikita, depois de o país ter imposto uma proibição à exportação de minerais brutos e concentrados de lítio no final de Fevereiro.
Segundo a Reuters, a empresa confirmou que está em contacto com as autoridades zimbabweanas para apresentar um novo pedido de exportação, na sequência da decisão do governo de suspender temporariamente as exportações de concentrados de lítio.
A medida adoptada por Harare faz parte de uma estratégia mais ampla para reforçar o processamento local de minerais críticos, um segmento considerado essencial para a cadeia global de produção de baterias eléctricas.
Estratégia de “valor acrescentado interno”
O Governo do Zimbabwe justificou a suspensão das exportações com a necessidade de combater irregularidades no comércio de minerais e, sobretudo, promover valor acrescentado dentro do país.
A decisão determina a proibição da exportação de minerais brutos e concentrados de lítio, incluindo cargas que já se encontravam em trânsito, numa medida considerada uma das mais assertivas políticas de beneficiamento mineral adoptadas por um país africano nos últimos anos.
A intenção estratégica é incentivar as empresas mineiras a refinar e processar o lítio dentro do território nacional, criando emprego, receitas fiscais adicionais e uma participação mais significativa na cadeia de valor global das baterias.
O Zimbabwe já havia anunciado anteriormente que pretendia proibir exportações de concentrados de lítio a partir de 2027, mas decidiu antecipar a medida, acelerando o calendário da política industrial.
País tornou-se actor relevante no mercado global
O Zimbabwe é actualmente o maior produtor africano de lítio, mineral estratégico utilizado em baterias para veículos eléctricos e sistemas de armazenamento de energia.
Em 2025, o país exportou cerca de 1,128 milhões de toneladas de concentrado de espodumena, um aumento de 11% face ao ano anterior.
Grande parte desse material é tradicionalmente exportado para a China, onde é posteriormente refinado em produtos químicos utilizados na produção de baterias, como hidróxido e carbonato de lítio.
A interrupção das exportações provocou reacções imediatas nos mercados internacionais e levou a um aumento dos preços do lítio na China, evidenciando a importância crescente do Zimbabwe na cadeia global de fornecimento de minerais críticos.
Forte presença de empresas chinesas
O sector do lítio no Zimbabwe tem sido marcado por fortes investimentos de empresas chinesas, que procuram garantir acesso a matérias-primas essenciais para a indústria global de baterias.
Entre as principais empresas presentes no país estão a própria Sinomine, bem como grupos como Zhejiang Huayou Cobalt, Chengxin Lithium e Yahua Group.
A Sinomine adquiriu em 2022 a mina de Bikita, uma das maiores reservas de lítio do país, num investimento avaliado em cerca de 200 milhões de dólares.
O grupo chinês anunciou também planos para investir cerca de 500 milhões de dólares na construção de instalações de processamento de lítio no país, precisamente para responder à estratégia de industrialização defendida pelo Governo zimbabweano.
Tendência crescente de nacionalismo dos recursos
A decisão do Zimbabwe insere-se numa tendência mais ampla em África, onde vários países estão a rever os modelos tradicionais de exportação de matérias-primas para tentar capturar uma parcela maior do valor gerado pelos seus recursos naturais.
Governos africanos têm vindo a adoptar medidas que limitam exportações de minerais brutos e exigem processamento local ou investimentos industriais, sobretudo em sectores estratégicos como lítio, cobalto, cobre e níquel, minerais fundamentais para a transição energética global.
No caso do Zimbabwe, a aposta no beneficiamento do lítio poderá transformar o país num actor relevante não apenas na extracção do mineral, mas também na produção de materiais intermediários para baterias, posicionando-o numa fase mais avançada da cadeia global da mobilidade eléctrica.
Conecte-se a Nós
Economia Global
Mais Vistos
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Economia Informal: um problema ou uma solução?
16 de Agosto, 2019 -
Governo admite nova operadora para a Mozal após suspensão das operações
14 de Março, 2026
















