
Standard Bank Anuncia 250 Biliões de Rands para Iniciativas Sustentáveis em África
- A cidade de Maputo acolheu nesta quarta-feira, 1/11, a primeira edição da ESG Talks sobre o tema “Financiamento, Impacto e Boas Práticas para um Futuro Verde em Moçambique”. Trata-se de uma iniciativa inovadora que pretende debater, esclarecer e promover o trabalho das empresas, organizações e figuras moçambicanas que se destacam pela implementação de práticas sustentáveis.
A área de energias renováveis hoje em dia tem levantado grande interesse de muitas empresas. Empresas que operavam na área de energias fósseis estão a mudar para a energia solar ou projectos que estão ligados à energia eólica. Mayra Pereira é especialista em energias renováveis na Gaia Consulting e diz que a tecnologia faz muita diferença nesta era de transição.
“Com esta queda do preço, por exemplo, dos painéis solares, nós temos uma oportunidade muito maior deste tipo de tecnologia em Moçambique. Há 3 tecnologias principais que estão a ser financiadas: as mini-redes de energia, sistemas solares domésticos e soluções de cozinha melhorada.” Explicou.
É neste sentido que o Standard Bank anunciou um financiamento de 250 biliões de Rands para o quadriénio 2022-2026, a ser investidos em projectos relacionados com a ESG com destaque para os sistemas solares.
“Nós grupo do Standard Bank temos um compromisso de financiar, entre 2022 e 2026, 250 biliões de rands para o ESG em África e, os critérios de selecção dependem do projecto mas sempre vai se avaliar o impacto ambiental”. Revelou Fanile Shongwe chefe do Executivo de Investimento Bancário no Standard Bank, S.A.
Shongwe disse que o anúncio é bastante novo em Moçambique, mas além fronteiras há uma grande procura por esse tipo de financiamento e o objectivo é orientar as empresas moçambicanas para que possam aderir ao financiamento.
Segundo Mayra Pereira, o Standard Bank demonstrou a forma como financia os projectos mais sustentáveis, cabendo ao sector privado tirar partido.
“Portanto, hoje em dia, o que nós temos que tentar perceber é como é que este financiamento pode funcionar. Isto é uma oportunidade para o sector privado muito grande. No momento em que todos nós estamos aqui sentados nesta sala e que já existe o interesse das diferentes partes, portanto, as que querem desenvolver projectos que têm esta lente verde e mais social”.
Intervindo na ocasião, o economista sénior do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) em Moçambique, Rómulo Correia, explicou que o ESG é uma realidade não só em África, mas em todo o mundo, salientando que é importante que os países comecem a investir no financiamento verde, sob o risco de ficarem descontinuados e não alcançarem os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
De acordo com o interveniente, o País deve investir em plataformas e legislação robusta, que estejam em concordância com o actual nível de desenvolvimento, optando sempre por incluir o sector privado para assim impulsionar os critérios de sustentabilidade.
“Já existem iniciativas relacionadas a ESG, mas precisamos de muitas outras que criem engajamento para as empresas privadas e ajudem a perceber mais sobre os diversos eventos climáticos, pois quanto mais sustentáveis formos, menos propenso o mundo fica”, explicou.
Para Rómulo Correia, a questão das mudanças climáticas tem criado muitos desafios para os países em vias de desenvolvimento, sendo por isso crucial que se aposte em fontes renováveis que tragam segurança para o ambiente e a sustentabilidade seja alcançada.
“Moçambique tem diversas oportunidades de ascender, sobretudo em matérias de ESG e, nos próximos tempos, a economia deverá ajustar-se a esta realidade. Há que trabalhar em conjunto com as Pequenas e Médias Empresas (PME)”, concluiu.
O ESG Talks é uma iniciativa organizada pela Media4Development, detentora da revista Economia & Mercado e dos portais Diário Económico e 360º Mozambique, em parceria com a InSite Moçambique, a Stravillia Sustainability Hub e a agência de comunicação EMS (Enhanced Media Systems) e com o patrocínio, nesta primeira edição, do Standard Bank Moçambique e da consultora EY.
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