
TotalEnergies e ExxonMobil Preparam Operação de 400 Navios por Ano em Afungi e Avançam com Concurso Marítimo Conjunto
Concessionárias das Áreas 1 e 4 lançam procedimento para contratação de sete embarcações de apoio, antecipando intensa movimentação logística na península de Afungi, numa fase decisiva para o relançamento estrutural do GNL moçambicano.
- Total e Exxon preveem movimentar 400 navios por ano em Afungi;
- Concurso conjunto procura cinco rebocadores, um barco-piloto e dois barcos de trabalho;
- Rovuma LNG avança para FID em 2026 após levantamento da “força maior”;
- Mozambique LNG retoma plena com produção prevista para 2029;
- Logística marítima torna-se eixo crítico da soberania energética e económica.
A TotalEnergies e a ExxonMobil avançaram com um concurso conjunto para contratação de meios marítimos de apoio aos projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL) nas Áreas 1 e 4 da Bacia do Rovuma, antecipando a movimentação anual de cerca de 400 navios na península de Afungi, em Cabo Delgado.
Segundo informação avançada pela Lusa, o procedimento corresponde a uma manifestação de interesse para prestação de serviços marítimos associados ao Mozambique LNG (Área 1, liderada pela TotalEnergies) e ao Rovuma LNG (Área 4, liderada pela ExxonMobil), este último ainda a aguardar a Decisão Final de Investimento (FID), prevista para 2026.
O edital prevê a contratação de cinco rebocadores com 80 toneladas de tracção estática, um barco-piloto e dois barcos de trabalho, destinados a assegurar operações seguras, eficientes e fiáveis de transporte, carregamento e descarregamento de GNL desde Afungi para os mercados globais.
Escala logística inédita no Norte de Moçambique
Os números projectados são reveladores da dimensão operacional esperada. Para a Área 1, estima-se a movimentação anual de 160 navios-tanque de GNL e dez navios de condensado. Já para a Área 4, a previsão ascende a 220 navios-tanque de GNL e 15 de condensado por ano.
No total, a perspectiva de 400 navios anuais posiciona Afungi como um dos mais relevantes hubs de exportação de GNL do continente africano, com implicações directas na logística portuária, nos serviços marítimos especializados e na cadeia de valor associada.
Retoma plena do Mozambique LNG e sinal político forte
A movimentação logística surge num momento de retoma formal do projecto Mozambique LNG, avaliado em 20 mil milhões de dólares, suspenso desde 2021 devido à activação da cláusula de “força maior” na sequência de ataques terroristas.
O Presidente da República, Daniel Chapo, classificou a retoma como símbolo de “resiliência, coragem e determinação”, sublinhando que o projecto deverá iniciar exportações em 2029 e contribuir com cerca de 35 mil milhões de dólares em receitas para o Estado ao longo de 25 anos.
Actualmente, mais de 4.000 trabalhadores encontram-se nas instalações, prevendo-se que o pico da construção envolva até 17.000 postos de trabalho, 80% dos quais moçambicanos.
Paralelamente, a TotalEnergies avançou com concurso para expansão do acampamento de Afungi para 2.000 trabalhadores, incluindo infra-estruturas modulares, telecomunicações e serviços essenciais, sinalizando aceleração operacional efectiva.
ExxonMobil prepara FID para 2026
Do lado da Área 4, a ExxonMobil levantou a declaração de “força maior”, passo essencial para avançar com a Decisão Final de Investimento, estimada para meados de 2026.
O projecto Rovuma LNG, avaliado em 30 mil milhões de dólares, prevê capacidade de 18 milhões de toneladas por ano (mtpa), configurando-se como o maior projecto de GNL projectado em África.
A partilha de infra-estruturas com a Área 1 reforça a racionalidade económica do avanço coordenado, reduzindo custos e consolidando Afungi como centro integrado de exportação.
Rovuma consolida posição estratégica global
Com a produção já em curso da Coral Sul (cerca de 7 mtpa) e a FID aprovada para a Coral Norte, que duplicará a produção a partir de 2028, Moçambique aproxima-se de um patamar estrutural de exportador relevante de GNL no mercado global.
Se a Área 1 (13 mtpa) e a Área 4 (18 mtpa) avançarem conforme o calendário previsto, o país poderá ultrapassar 38 mtpa na próxima década, posicionando-se entre os principais produtores globais.
O concurso marítimo conjunto sinaliza que a fase de retoma já entrou numa dimensão operacional concreta. A logística passa a ser o eixo crítico de sustentação do ciclo de investimentos, com impacto directo no sector marítimo, nos serviços especializados e no conteúdo local.
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