
· Reguladores buscam fortalecer o sistema bancário global;
- A UBS concordou em comprar seu rival Credit Suisse por 3 mil milhões de francos suíços (US$ 3,2 mil milhões);
- Nos termos do acordo, os accionistas do Credit Suisse receberão uma acção do UBS para cada 22,48 acções do Credit Suisse que detêm;
- O Banco Nacional Suíço também prometeu um empréstimo de até 100 biliões de francos suíços (US$ 108 mil milhões) para apoiar a aquisição;
- UBS considera o acordo uma operação comercial e não um resgate.
O banco suíço UBS acordou, domingo, 19/03, a compra do seu rival em dificuldades, o Crédito Suisse por 3 mil milhões de francos suíços (US$ 3,2 mil milhões de dólares), um processo mediado pelos reguladores, que tiveram um papel fundamental para o desfecho.
O acordo aconteceu em contexto onde vários governos, europeus, asiáticos e norte americano, tomam medidas para conter um contágio que ameace o sistema bancário global.
“Com a aquisição do Credit Suisse pelo UBS, foi encontrada uma solução para garantir a estabilidade financeira e proteger a economia suíça nesta situação excepcional”, lê-se num comunicado do Banco Nacional Suíço, que refere que o banco central trabalhou com o Governo e a Autoridade de Supervisão do Mercado Financeiro, para conseguir o entendimento entre os dos dois maiores bancos do País.
Nos termos do acordo, os accionistas do Credit Suisse receberão uma acção da UBS para cada 22,48 acções do Credit Suisse que detenham. “Estamos empenhados em fazer deste negócio um grande sucesso. Não há opções nisso”, disse Kelleher quando questionado durante a conferência de imprensa se o banco poderia desistir do negócio. “Isto é absolutamente essencial para a estrutura financeira da Suíça e (…) às finanças globais.” Disse
O Banco Nacional Suíço prometeu um empréstimo de até 100 mil milhões de francos suíços (US$ 108 mil milhões de dólares) para apoiar a aquisição. O Governo suíço também concedeu uma garantia para assumir perdas de até 9 mil milhões de francos suíços de certos activos acima de um limite predefinido “a fim de reduzir quaisquer riscos para a UBS”, disse o Governo em um comunicado separado.
“Esta aquisição é atraente para os accionistas da UBS, mas, sejamos claros, no que diz respeito ao Credit Suisse, este é um resgate de emergência. Estruturamos uma transacção que preservará o valor deixado no negócio, limitando nossa exposição negativa”, disse o Presidente do UBS, Colm Kelleher, em comunicado.
De acordo com o UBS, o banco combinado terá US$ 5 biliões em activos investidos. “Esta é uma solução comercial e não um resgate”, disse Karin Keller-Sutter, Ministra das Finanças Suíça, numa conferência de imprensa no domingo, 19/03.
O acordo da UBS foi fechado antes que os mercados reabrissem para negociação nesta segunda-feira, 20/03, depois de as acções do Credit Suisse terem registado a sua pior queda semanal desde o início da pandemia de coronavírus. As perdas ocorreram apesar de um novo empréstimo de até 50 mil milhões de francos suíços (US$ 54 mil milhões de dólares) concedido pelo Banco Central suíço na semana passada, em um esforço para deter a queda e restaurar a confiança no banco.
A notícia do acordo foi saudada pela secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, e pelo Presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. “As posições de capital e liquidez do sistema bancário dos EUA são fortes, e o sistema financeiro dos EUA é resiliente. Temos estado em estreito contacto com os nossos homólogos internacionais para apoiar a sua implementação”, disseram, ambos em comunicado conjunto.
O Credit Suisse já vinha lutando contra uma série de perdas e escândalos e, nas últimas duas semanas, o sentimento foi abalado novamente à medida que os bancos nos EUA se recuperavam do colapso do Silicon Valley Bank e do Signature Bank.
Os controlos dos reguladores dos EUA para depósitos não garantidos nos bancos falidos e a criação de um novo mecanismo de financiamento para instituições financeiras problemáticas não conseguiram conter o choque e ameaçam envolver mais bancos nos EUA e no exterior.
O Presidente do Credit Suisse, Axel Lehmann, disse na conferência de imprensa que a instabilidade financeira provocada pelo colapso dos bancos regionais dos EUA atingiu o banco no momento errado.
Apesar do envolvimento dos reguladores no emparelhamento, o acordo dá ao UBS autonomia para administrar os activos adquiridos como achar melhor, o que pode significar cortes significativos de empregos, disseram fontes a David Faber, da CNBC.
A escala e o impacto potencial do Credit Suisse na economia global são muito maiores do que os bancos regionais dos EUA, que pressionaram os reguladores suíços a encontrar uma maneira de unir as duas maiores instituições financeiras do país. O balanço do Credit Suisse tem cerca de duas vezes o tamanho do Lehman Brothers quando entrou em colapso, cerca de 530 mil milhões de francos suíços no final de 2022. Também está muito mais interligado globalmente, com várias subsidiárias internacionais – tornando ainda mais importante uma gestão ordenada da situação do Credit Suisse.
Aproximar os dois rivais não foi sem lutas, mas a pressão para evitar uma crise sistémica acabou por vencer. A UBS inicialmente ofereceu comprar o Credit Suisse por cerca de US$ mil milhões de dólares no domingo, 19/03, de acordo com vários relatos da mídia. O Credit Suisse teria recusado a oferta, argumentando que era muito baixa e prejudicaria accionistas e funcionários, conforme revelaram à Bloomberg, fontes que acompanharam de perto a operação. Já na tarde de domingo, a UBS estava em negociações para comprar o banco por “substancialmente” mais de 1 bilião de francos suíços. O preço do acordo aumentou no decorrer das negociações durante dia.
O Credit Suisse perdeu cerca de 38% de seus depósitos no quarto trimestre de 2022 e revelou em seu relatório anual atrasado no início da semana passada, que as saídas ainda não foram revertidas. A empresa reportou um prejuízo líquido anual de 7,3 mil milhões de francos suíços em 2022 e espera uma nova perda “substancial” em 2023.
O banco já havia anunciado uma grande reforma estratégica em uma tentativa de resolver esses problemas crónicos, com o actual CEO e veterano do Credit Suisse, Ulrich Koerner, a assumir o cargo em Julho.
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