
UE e China em Confronto Silencioso: Tensões Comerciais Agravam-se à Sombra das Tarifas Norte-Americanas
Questões-Chave:
- Relações comerciais UE-China deterioram-se em meio a investigações mútuas e medidas punitivas;
- UE restringe acesso de empresas chinesas a concursos públicos; China responde com tarifas sobre o brandy europeu;
- Especialistas descartam melhoria da relação e apontam risco de nova escalada;
- Alinhamento europeu com os EUA contra a China preocupa Pequim.
Enquanto as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos dominam o centro da atenção mediática, uma disputa mais discreta, mas igualmente preocupante, intensifica-se entre a União Europeia e a China, marcada por um clima de desconfiança, acusações mútuas e medidas de retaliação em vários sectores económicos.
A relação comercial entre a União Europeia e a China conheceu tempos de entusiasmo e promessa, mas os analistas são unânimes: o contexto actual é de “grandes riscos e poucas oportunidades”. Segundo Marc Julienne, do Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI), a ligação bilateral está hoje “bastante degradada”, com pouca margem para reconciliação no curto prazo.
As recentes tensões incluem restrições da UE à participação de empresas chinesas em concursos públicos para fornecimento de equipamentos médicos, prontamente respondidas por Pequim com imposição de tarifas sobre o brandy europeu. Este gesto é interpretado como retaliação directa à decisão anterior da UE de aplicar tarifas aos veículos eléctricos de fabrico chinês.
Grzegorz Stec, do Mercator Institute for China Studies, sustenta que a relação UE-China está num “trajecto de colisão” — fruto da sobrecapacidade industrial chinesa e da crescente necessidade de exportar, que colidem com o esforço europeu de proteger a sua base industrial.
“O desejo urgente de Pequim de exportar choca com a necessidade da UE de proteger as suas indústrias”, afirmou Stec.
Para além disso, os especialistas apontam dificuldades crescentes para empresas europeias a operar na China, agravadas por um ambiente regulatório hostil e um défice comercial cada vez mais desfavorável à UE.
A tensão intensificou-se ainda mais após a assinatura de um acordo-quadro entre os EUA e a China, em Junho, que abordou temas sensíveis como as terras raras e a regulamentação tecnológica. Segundo Jean-Marc Fenet, do ESSEC Institute, este acordo reduziu o interesse de Pequim em formar um “frente comum” com Bruxelas face à pressão tarifária norte-americana. Pelo contrário, a China teme agora que a UE alinhe com a política anti-China de Washington.
“A China receia que a UE aceite alinhar-se com uma linha dura imposta pelos EUA à margem das negociações comerciais”, alertou Fenet.
O ambiente é ainda mais tenso às vésperas da Cimeira UE-China marcada para 24 de Julho, em Pequim, onde se espera que Ursula von der Leyen se encontre com Xi Jinping. Fontes europeias antecipam uma reunião “difícil e provavelmente inconclusiva”, reflexo de um endurecimento da política comercial da Comissão Europeia e da utilização crescente de instrumentos de defesa comercial.
No horizonte, as perspectivas são sombrias. Stec antevê mais turbulências, especialmente se Pequim continuar a usar o controlo da exportação de terras raras como moeda de troca nas negociações sobre veículos eléctricos. Com ambos os blocos a adoptar posturas mais proteccionistas, as fricções estão destinadas a agravar-se.
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