
Voos domésticos reduziram, mas o número de passageiros aumentou
Moçambique está no segundo mês do Estado de Emergência, mas os outros países já saíram dessas medidas e a tendência dos cidadãos desses países, obviamente, é de querer viajar. Por isso, a Autoridade da Aviação Civil de Moçambique (IACM) criou mecanismos de filtragem para que Moçambique não seja apanhado por essa “avalanche de apetência” de pessoas que ficaram muito tempo retidas nos seus países.
Para o Comandante João de Abreu, falando hoje aos jornalistas, é impossível encerrar o espaço aéreo, devido ao facto de Moçambique ter ractificado a Convenção sobre Aviação Civil Internacional, também conhecida como a Convenção de Chicago, entretanto os voos domésticos reduziram até 10%, mas de Abreu observou que o nível de passageiros por operação aumentou.
“A crise decorrente da pandemia da COVID-19 veio trazer situações muito sérias para o transporte aéreo”, observou o Comandante João Martins de Abreu, Presidente do Conselho de Administração da Autoridade de Aviação de Moçambique (IACM), hoje (14), em Conferência de Imprensa. Para João de Abreu, a crise na aviação é proporcional ao tamanho, ou seja, quanto maior for a companhia maior é o efeito.
De Abreu toma como exemplo o cenário nebuloso da Europa, onde grandes companhias colapsaram, inclusive algumas que voam para Moçambique. As companhias europeias, afirma o comandante, debatem-se com problemas de revitalização, logo, Moçambique não seria uma excepção.
As Linhas Aéreas de Moçambique, de acordo com de Abreu, estão no processo de Turnover, para que voltem a ser uma companhia de vanguarda e que ocupe o seu lugar de “companhia de bandeira”. Mas para isso, alerta o comandante, não é a COVID-19 a culpada, é preciso olhar para os sistemas internos – o Rightsizing – e ver qual é o segmento que se pretende seguir.
Portanto, sublinha o nosso interlocutor, parafraseando o pensador chinês Confúcio, é com um passo que se inicia uma caminhada. “Tem que haver uma definição clara, mas, neste caso, é preciso que a companhia faça uma introspeção, para ver onde pretende ir e quais são os nichos e mercados a seguir.
Ainda que os voos tenham sido reduzidos, o comandante Abreu chama atenção para o aumento do número de passageiros, o que, provavelmente, pode ter melhorado as receitas da LAM. Agora, no sentido de restruturação, carimba de Abreu, cabe a gestão da própria LAM. “Penso que eles têm conhecimento e competências instaladas e, para o nosso bem na aviação, saberão fazer o Turnover da situação”.

João Martins de Abreu – PCA da IACM
Afinal, o espaço aéreo não está fechado
Desengane-se quem julgava que o espaço aéreo moçambicano estivesse fechado. O Comandante João de Abreu esclareceu aos jornalistas que “a paisagem aérea” moçambicana foi encerrada – à luz do Decreto Ministerial, no seu artigo 12 – apenas foi limitado o movimento de pessoas. Ou seja, cada caso será analisado em função do interesse, e só interesses do Estado, evacuação médica, aviões cargueiros e acções de carácter humanitária é que são autorizados. Já o movimento apenas de lazer, sem carácter de urgência, sublinha a fonte, está limitado.
“De todos operadores que voavam em Moçambique, maior parte suspendeu os seus voos”, garantiu João de Abreu, destacando que só uma companhia continuava a voar para Moçambique pelo seu carácter africano e pela sua forma de compromisso com a sociedade e com África no geral, mas também já suspendeu os seus voos de carreira, salvo se houver Cargueiros ou voos de interesse nacional, mas autorizados pelos órgãos de soberania.
“A nossa contribuição, olhando para os aspectos da economia, é não perigar o desenvolvimento da indústria, mas também não agravar os problemas que possam vir a criar uma disseminação fora do controle”, esclareceu de Abreu.
Voos charter salvam a aviação civil nacional
A nível nacional, felizmente, a crise na aviação civil ainda não é acentuada de modo que haja o colapso das companhias aéreas, pois as companhias conseguiram encontrar outro segmento de voos, aquilo que se chama de voos charter, ou seja, voos não regulares ou de prestação pontual, por isso continua haver ocupação. “Então, no país, ainda não afectou o emprego quer dos pilotos, quer das assistentes, dos mecânicos ou dos despachantes de operações; mas a nível internacional é um facto – uma companhia que tem 137 aviões de grande porte tem que fazer um Lay Off forçosamente”, anota.
Voos domésticos reduzidos a 10%
Moçambique registava, semanalmente, uma média de 140 voos. João de Abreu diz que este número foi reduzido a 90%, e os voos que restaram devem cumprir com medidas de prevenção, nomeadamente medidas de higiene, suspensão de serviços a bordo, uso das máscaras quer para passageiros ou tripulações nas cabines e a suspensão de companhias moçambicanas para o exterior, esperando que tudo volte à normalidade em Julho, claro, conjugado com as medidas de prevenção da COVID-19.


















