“É sempre muito importante discutir o financiamento aos jovens. Financiar os jovens é criar desenvolvimento, é financiar o país. Temos uma taxa elevada de desemprego juvenil, a população jovem dos 20-40 anos representa 29%.”

Foi esse quadro que o Presidente da Comissão Executiva do BNI, Tomás Matola, apresentou à uma audiência constituída por jovens empreendedores, na sua alocução, intitulada “Linhas de Apoio para negócios dos jovens: facilidades e mecanismos de acesso”, feita na 9ª Conferencia Nacional de Empreendedorismo, que decorre desde ontem, 17/11 e termina hoje, 18/11, na cidade de Maputo, organizada pela Associação Nacional de Jovens Empresários.

O gestor mor do BNI, reconheceu que os jovens enfrentam dificuldades de financiamento formal por várias razões conhecidas, dai a importância da discussão sobre como ajudar os jovens a se reerguerem e a criar empregos próprios e para outros jovens.

Para Tomás Matola, existe uma relação causa efeito directa entre o financiamento aos jovens e o aumento da oferta de produtos locais, os postos de trabalho, os rendimentos das famílias, substituição das importações, que vai melhorar a balança de pagamentos, aumentar a base tributária e a base de coletas fiscais, e maior orçamento do Estado, reduzir e controlar melhor a inflação.

Somatório de tudo isso, segundo Tomás Matola, resulta no crescimento económico. “Mas um crescimento económico acompanhado pela melhoria das condições de vida das pessoas”. Frisou.

Tomas Matola, exortou os jovens empreendedores a abraçar áreas, como por exemplo o agronegócio, em virtude do seu impacto na redução das importações.  “Então há necessidade de acrescentar valor porque os efeitos são multiplicadores para substituição de importações, redução da inflação, aumento da receita em divisas, aumento de postos de trabalho”. Disse.

O PCE do BNI, disse que a sua instituição dispõe de linhas de financiamento para o empreendedorismo juvenil, que cobrem, por exemplo, a aquisição de tecnologias de processamento de produtos produzidos em Moçambique.

Tomas Matola, todavia, alertou aos jovens a se organizarem melhor com vista a trabalhar com instituições financeiras e melhor aproveitamento das oportunidades existentes. Deu exemplo da questão dos colaterais: “Relativamente às questões das garantias, infelizmente é assim que funciona a banca formal, mas é preciso perceber que o maior interesse do banco não são as colaterais, mas sim o negócio. A primeira coisa que o banco quer saber quando é apresentado um projecto é até que nível este projecto é viável -até que nível existe capacidade técnica operacional de implementar este projecto, o projecto tem mercado, tem garantia de colocação do produto com compradores consistentes que durante a vigência do financiamento o promotor vai ter capacidade de pagar. Há capacidade de gestão?”. Indagou Tomas Matola na tentativa de despertar a consciência dos jovens empreendedores nos aspectos que têm a ver com o acesso ao financiamento.

“Quando todos esses elementos estão reunidos, o projecto é muito interessante para o banco. Os bancos disputam determinados projectos, estes estão a procura de bons projectos, então quando o projecto é bom interessa mais ao banco e o promotor tem possibilidade de avaliar várias ofertas dos bancos. A colateral é uma questão de mitigação de risco, no sentido de, no caso de incumprimento, o banco poderá minimizar o prejuízo, tanto mais que o negócio do banco não é vender imóveis ou outras formas de garantias”. Elucidou o PCE do BNI.

Tomás Matola, disse aos jovens empreendedores que quando os projectos são bons, os bancos disputam por eles, “procurando formas alternativas de apoiar ainda que haja fragilidade das colaterais”

Neste aspecto em particular, disse que o BNI tem um seguro de garantia que tem sido muito usado, para minimizar eventuais fragilidades das colaterais nos financiamentos. “Estamos a trabalhar com praticamente todas as seguradoras e temos viabilizado muitos projectos com recurso ao seguro de garantia.” Ajustou.

Respondendo a questoes lancadas pelos participantes, o PCE do BNI, disse que do lado do sistema financeiro a responsabilidade é encontrar soluções para os problemas colocados pelos jovens e assegurar que as ideias são transformadas em projectos e esses são estruturados em modelos operacionais implementáveis, depois em modelos financeiros bancáveis e finalmente que sejam financiados. “Estaremos sempre disponíveis para apoiá-los nesse sentido”. Asseverou.

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