
São raros os países que vivem da renda de recursos naturais e são simultaneamente ricos
É preciso não secundarizar as actividades económicas tradicionais […] Moçambique está hoje melhor preparado para avançar de forma rápida e segura no caminho do progresso e prosperidade.
Em artigo de opinião na antecâmara dos 48 anos da independência de Moçambique, o académico e igualmente Presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores de Moçambique, Salim Valá, considera que existe muita gente bem intencionada que concorda que recursos naturais valiosos – como ouro, diamantes, petróleo, gás natural, rubis, grafite, carvão mineral, areias pesadas, entre outros – levam uma Nação, de forma rápida, para a prosperidade e geração de riqueza partilhada.
Entretanto, Salim Valá alerta que “a evidência empírica tem mostrado que são raros os países que vivem da renda de recursos naturais e são simultaneamente ricos”.
Para ele, alguns países com recursos naturais valiosos porque tem instituições políticas e económicas frágeis, optam por viver dependendo da renda dos recursos naturais, secundarizando as actividades económicas tradicionais.
“Temos muitos exemplos de países cujos recursos naturais valiosos geraram instabilidade e conflitos, golpes de Estado, corrupção, intriga política e ganância, levando ao fenómeno conhecido como a “maldição dos recursos naturais”, ou “doença holandesa”.
“Nenhum país pobre e com reservas de recursos naturais está livre dos problemas de desenvolvimento relacionados com má governação, políticas erráticas, corrupção, instabilidade e falta de previsibilidade”. Frisou
Na sua reflexão, Salim Valá faz notar que na véspera de completar 48 anos de independência política, Moçambique tem ainda um longo e sinuoso caminho a percorrer para o alcance da emancipação económica e cita o economista Carlos Lopes, que sustenta que a maioria dos países africanos precisam de modernizar a agricultura, diversificar a sua malha económica, transformando as suas estruturas económicas e apostando inequivocamente na industrialização, para assim favorecer o crescimento económico de qualidade, gerar mais empregos e focar-se em quatro acessos decisivos: à educação relevante e de qualidade, a digitalização, ao financiamento e aos mercados.
“O nosso sonho e futuro colectivo vai estar muito dependente desses quatro acessos, dando importância estratégia as pessoas, reforçando as instituições e aproveitando os ventos da globalização para ter ganhos económicos concretos e tangíveis”. Disse
Salim Valá conclui o seu exercício admitindo que Moçambique está hoje melhor preparado para avançar de forma rápida e segura no caminho do progresso e prosperidade.
“Mas teremos de entender e ter consciência que há novos problemas e armadilhas na nossa trajectória. Como vamos transformar a nossa Nação nos próximos 30 anos?”, lança o repto, apelando a sociedade sobre a necessidade de uma reflexão séria sobre o futuro de Moçambique a longo prazo, mas cujo exercício deve começar hoje.
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Economia Informal: um problema ou uma solução?
16 de Agosto, 2019 -
Governo admite nova operadora para a Mozal após suspensão das operações
14 de Março, 2026













