
FMI alerta para espiral da dívida sul-africana
Gita Gopinath, do Fundo Monetário Internacional (FMI), alertou que os juros devidos pela dívida pública da África do Sul poderiam aumentar exponencialmente, colocando o país numa espiral de dívida.
Gopinath interviu na conferência bienal do Banco Central da África do Sul na semana passada. Ela foi economista-chefe do FMI até 2022, após o qual foi nomeada a segunda no comando do fundo.
O FMI prevê que a factura de juros sobre a dívida do governo poderá disparar para triplicar o tamanho do seu orçamento de saúde dentro de cinco anos.
Isto resultaria em pagamentos de juros sobre a dívida consumindo 27% de todo o orçamento do país, acima dos 19%.
O actual rácio dívida/produto interno bruto (PIB) da África do Sul é de 73%. Em termos nominais, o país deve cerca de R5 triliões.
A situação deverá piorar muito, uma vez que o défice fiscal do país este ano será de cerca de 6% do PIB.
Déficit fiscal é o termo usado para descrever um déficit nas receitas do Governo em comparação com seus gastos.
Na África do Sul, o Estado gasta muito mais do que recebe, o que significa que tem um défice fiscal crescente e precisa de pedir dinheiro emprestado para fazer face às despesas.
O Tesouro Nacional revelou que a África do Sul registou o seu maior défice orçamental desde pelo menos 2004, provocando a queda do rand e diminuindo a procura por títulos do Governo.
Dados divulgados pelo Tesouro Nacional na quarta-feira mostraram que o orçamento passou para um déficit de R143,8 mil milhoes em Julho.
Este é o maior défice desde 2004 e superior aos 115,5 mil milhões de rands previstos pelos economistas. Houve superávit de R$ 36,7 mil milhoes em Junho.
O FMI apelou ao Governo para fazer mais para estabilizar a dívida do País, cortando despesas. No entanto, isto é politicamente desagradável e improvável de acontecer.
Gopinath disse que a trajetória crescente da dívida reflecte o fraco crescimento económico no médio prazo, receitas governamentais mais baixas e uma pressão considerável sobre os gastos.
Ela disse que o governo deve adoptar uma abordagem dupla para reduzir o seu défice – implementando reformas estruturais para impulsionar o crescimento e cortando as despesas públicas.
“Acho que há alguns frutos ao alcance da mão: se conseguirmos aumentar o fornecimento de eletricidade e eliminar a redução de carga, isso será positivo para o crescimento e ajudará no défice fiscal. A logística é outra área onde ações podem ser tomadas”, disse ela.
A redução do crime e da corrupção pode levar mais tempo, mas “é uma estratégia politicamente vencedora se for possível reduzir a corrupção no país”.
O FMI espera que a África do Sul cresça apenas 0,3% em 2023, principalmente devido a restrições energéticas e logísticas. Prevê a economia a crescer apenas 1,4% no médio prazo.
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