
Consultora exorta à criatividade africana no acesso ao financiamento
O Director da Filial africana da consultora Oxford Economics considerou esta semana que os países africanos terão de ser mais criativos para encontrar financiamento, vincando que o acesso aos mercados internacionais não é, de momento, exequível.
“Muitos países recorreram ao Fundo Monetário Internacional, mesmo sem terem grandes problemas de divida, como o Senegal ou a Costa do Marfim, para tranquilizarem os investidores, mas a maioria das nações da África Subsaariana terá de explorar novas avenidas para financiar os investimentos, porque ir ao mercado não funciona, de momento”, disse Jacques Neil.
Respondendo a uma pergunta da Lusa sobre o crescimento da dívida pública e a dificuldade de financiar os investimentos necessários nas infra-estruturas, no seminário sobre “Riscos e Recompensas na África Subsaariana”, Jacques Neil afirmou que “os países terão de ser mais criativos, explorar a privatização de algumas empresas públicas, apostar nos novos canais de financiamento climático e ambiental e têm de imprimir melhorias institucionais para garantir o acesso a esse financiamento”.
Isto, continuou, “pode originar mudanças significativas no enquadramento regulatório e jurídico para fomentar os investimentos na mitigação e adaptação às alterações climáticas”.
O problema da divida pública, que tem crescido nos últimos anos não só devido às medidas para com bater a pandemia de Covid 19, mas depois com o aumento da inflação, na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia, não coloca apenas dificuldades aos investidores; é um problema sério para os governos e para as populações, afirmou o analista.
“A dívida não interessa apenas aos investidores, é problemática para os governos, que perdem capacidade de investir nos seus países, e é uma preocupação real para a população, que fica com piores condições económicas e deteriorações nos serviços públicos”, explicou, acrescentando que é também um problema porque a falta de fmanciamento fomenta o descontentamento popular.
“Há também o risco de mais instabilidade social, que conduz a extremismos, e na última década muitos países assistiram a um enfraquecimento da sua capacidade orçamental, precisando de um piano para recuperar o controlo das finanças públicas”, concluiu o analista.
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