Desaceleração da economia da China afectará o crescimento da África Subsaariana – FMI

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  • O envolvimento económico do país com a região está a evoluir, com implicações para o crescimento, o comércio e o investimento

A China criou laços económicos profundos com países da África Subsariana ao longo dos últimos 20 anos, tornando-a no maior parceiro comercial individual da região. A China compra um quinto das exportações da região – metais, minerais e combustíveis – e fornece a maior parte dos bens manufaturados e maquinaria importados pelos países africanos.

No entanto, a recuperação da China da pandemia abrandou recentemente devido a uma recessão no sector imobiliário e à diminuição da procura pelos seus bens manufacturados, à medida que o crescimento global também abrandou.

Isto é importante para África, dizem os especialistas do FMI, Hany Abdel-Latif, Wenjie Chen, Michele Fornino e Henry Rawlings, num trabalho conjunto, que tornaram publica na quinta-feira, 09/11 

De acordo com os autores, um declínio de um ponto percentual na taxa de crescimento da China poderia reduzir o crescimento médio na região em cerca de 0,25 pontos percentuais no prazo de um ano, citando as últimas Perspectivas Económicas Regionais do próprio FMI. 

“Para os exportadores de petróleo, como Angola e Nigéria, a perda poderá ser de 0,5 pontos percentuais, em média”, afirmam.

O estudo refere que os efeitos em cascata do abrandamento da economia da China estendem-se aos empréstimos soberanos à África Subsariana, que caíram para menos de mil milhões de dólares no ano passado – o nível mais baixo em quase duas décadas. “O corte marca um afastamento do financiamento de grandes infra-estruturas, à medida que vários países africanos lutam com a escalada da dívida pública”, sublinham os autores.

Os empréstimos chineses à região aumentaram rapidamente na década de 2000, com a percentagem do país no total da dívida pública externa da África Subsariana a saltar de menos de 2 por cento antes de 2005 para 17 por cento em 2021.

Isto faz da China o maior credor oficial bilateral aos países da região. Contudo, a parte da dívida à China permanece relativamente pequena, pouco menos de 6% da dívida pública global da região, e é maioritariamente devida por cinco países – Angola, Camarões, Quénia, Nigéria e Zâmbia.

Adaptando-se à mudança

Os autores recomendam que, face ao aumento “da fragmentação geoeconómica” , os países da África Subsariana terão de se adaptar ao abrandamento do crescimento da China e ao declínio dos compromissos económicos, criando resiliência através do aumento do comércio inter-africano e da reconstrução de reservas, nomeadamente através de reformas da política fiscal e melhorias na administração de receitas.

“Os esforços para diversificar as economias africanas são também vitais para sustentar o crescimento futuro. A forte procura de minerais que apoiam o desenvolvimento de energias renováveis ​​poderia constituir uma oportunidade para os países estabelecerem novas relações comerciais e desenvolverem mais capacidades de processamento local”, afirmam Hany Abdel-Latif, Wenjie Chen, Michele Fornino e Henry Rawlings

“Os países podem melhorar a sua competitividade criando um ambiente empresarial favorável, investindo em infra-estruturas e aprofundando os mercados financeiros nacionais”. Concluem

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