
Crescimento económico: Necessidade de uma nova visão para enfrentar crises globais
À medida que as crises climáticas e tecnológicas se intensificam, a forma como o crescimento económico tem sido perseguido por nações ao longo das últimas décadas está a ser cada vez mais questionada. O economista Daniel Susskind sublinha a urgência de repensar este conceito, especialmente à luz dos impactos ambientais e sociais que o modelo tradicional de crescimento gerou.
Historicamente, o crescimento económico foi visto como a chave para libertar milhões da pobreza extrema e melhorar os indicadores de saúde e educação. Contudo, este crescimento não veio sem custos elevados, como a crescente desigualdade social e os efeitos devastadores no ambiente. Segundo Susskind, embora o crescimento tenha trazido progresso, também foi responsável pela intensificação de problemas como a crise climática, que ameaça a estabilidade global, e o desenvolvimento de tecnologias disruptivas, como a inteligência artificial, que colocam em risco o futuro do emprego em várias indústrias.
A questão central que Susskind levanta é que o crescimento, como o conhecemos, precisa de ser reformulado. A sua crítica vai além da dimensão ambiental, focando-se também nos impactos sociais e tecnológicos que resultam de um modelo de crescimento baseado unicamente no aumento do Produto Interno Bruto (PIB). O autor argumenta que a obsessão pelo crescimento económico desconsidera os limites ecológicos do planeta e promove uma distribuição desigual dos benefícios económicos.
Para muitos, o conceito de decrescimento — a proposta de travar o crescimento económico em prol da sustentabilidade — parece uma solução. No entanto, Susskind discorda. Para ele, o decrescimento ignora as necessidades de milhares de milhões de pessoas que dependem dos benefícios do crescimento económico para escapar à pobreza. Em vez disso, defende uma transformação da natureza do crescimento, focada em promover inovações sustentáveis e na distribuição mais justa dos benefícios económicos.
Susskind sugere uma abordagem mais abrangente para redefinir o crescimento, estruturada em quatro pilares fundamentais:
- Reforma dos regimes de propriedade intelectual: Estes regimes, ao protegerem excessivamente invenções do passado, estão a sufocar o progresso e a limitar as inovações futuras.
- Investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D): O investimento em I&D tem vindo a diminuir em várias economias avançadas, mas é essencial para estimular novas descobertas e avanços tecnológicos.
- Redução das desigualdades: As desigualdades sociais são um travão ao progresso económico. Milhões de pessoas não conseguem contribuir para a inovação e crescimento por estarem à margem da economia global.
- Aproveitamento das novas tecnologias: A inteligência artificial e outras tecnologias emergentes podem ser utilizadas para acelerar o progresso científico, como já se vê em áreas como a biomedicina, onde a IA tem ajudado a resolver problemas complexos como o dobramento de proteínas, com implicações significativas para o desenvolvimento de novos medicamentos.
O que Susskind propõe não é abandonar o crescimento, mas transformá-lo. O objectivo é um crescimento que respeite os limites ambientais, que reduza as desigualdades e que aproveite as novas tecnologias de forma responsável e inclusiva. O grande desafio, afirma Susskind, é gerar crescimento sustentável que beneficie a sociedade como um todo, sem comprometer o futuro do planeta.
Num momento em que o mundo enfrenta crises simultâneas, esta abordagem representa uma oportunidade existencial para reconfigurar o desenvolvimento económico e garantir um futuro mais justo e equilibrado.
Esta nova visão de crescimento pode tornar-se uma peça central para enfrentar os desafios do século XXI, ao mesmo tempo que promove um desenvolvimento económico sustentável e inclusivo.
No seu ensaio Daniel Susskind convida à reflexão sobre o futuro do crescimento económico, abordando não apenas as oportunidades, mas também os desafios globais que exigem uma mudança de paradigma.
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