Durante um evento em Doha, no Catar, no passado sábado, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, afirmou que os países do BRICS não têm qualquer interesse em enfraquecer o dólar americano. Os seus comentários surgem numa altura de intensas especulações sobre as intenções do grupo relativamente ao sistema monetário global.

Jaishankar, que participou recentemente na conferência Diálogos do Mediterrâneo, em Roma, sublinhou a inexistência de planos por parte das grandes economias emergentes – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – para criar uma nova moeda ou apoiar uma alternativa que pudesse substituir o dólar como principal moeda de reserva global.

As declarações do governante indiano vieram uma semana depois de Donald Trump, Presidente eleito dos EUA, ter alertado os países do BRICS para não tomarem medidas que comprometam a supremacia do dólar, ameaçando com tarifas de 100% caso o façam. Esta postura reflecte as crescentes preocupações dos EUA sobre o fortalecimento da cooperação entre as economias emergentes e os seus potenciais impactos na ordem financeira global.

O BRICS tem intensificado o diálogo sobre a diversificação do comércio internacional, incluindo discussões acerca do uso de moedas locais em transacções bilaterais e multilaterais. Contudo, de acordo com Jaishankar, estas iniciativas não têm como objectivo substituir o dólar, mas sim fortalecer as economias dos países membros e facilitar o comércio num cenário global cada vez mais complexo.

Esta posição reafirma o papel do BRICS como um fórum de cooperação e não de confrontação, especialmente num momento em que as dinâmicas geopolíticas exigem maior colaboração entre as grandes economias para enfrentar desafios globais como mudanças climáticas, segurança alimentar e estabilidade financeira.

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