
Títulos tarifários de Trump elevam taxas globais, afirma Chefe do FMI
As ameaças tarifárias do Presidente Eleito dos EUA, Donald Trump, já estão a impulsionar os custos de endividamento a longo prazo em todo o mundo, segundo Kristalina Georgieva, Directora-Geral do Fundo Monetário Internacional (FMI). Este fenómeno deve-se à incerteza sobre as políticas comerciais da nova administração norte-americana, o que está a gerar ventos contrários na economia global e a traduzir-se em taxas de juro a longo prazo mais elevadas. Em contrapartida, as taxas de curto prazo registaram uma descida, o que Georgieva descreveu como “uma combinação muito invulgar”.
Trump prometeu impor novas tarifas sobre importações de países adversários, como a China, e aliados, incluindo o Canadá e o México. Estas medidas levantam receios de que interrupções nas cadeias de abastecimento possam desacelerar o crescimento económico e pressionar os preços em alta. O FMI já havia alertado, em Outubro, que a incerteza comercial poderia reduzir o produto global em cerca de 0,5%.
Os últimos dias de 2024 e o início de 2025 foram marcados por aumentos acentuados nos rendimentos obrigacionistas em grande parte do mundo e pela valorização do dólar norte-americano. Estes movimentos reflectem a avaliação dos investidores sobre as políticas da segunda administração de Trump, particularmente no que respeita a tarifas, impostos e desregulamentação.
Georgieva também advertiu que o fortalecimento do dólar poderá encarecer os custos de financiamento para economias emergentes, afectando especialmente países de baixo rendimento. Por outro lado, os dados económicos dos EUA indicam que a Reserva Federal poderá aguardar por mais indicadores antes de efectuar novos cortes na taxa de juro de referência.
O FMI prevê um crescimento económico global de 3,2% em 2025, apesar das divergências regionais. Enquanto os EUA estão a superar as expectativas, a União Europeia enfrenta dificuldades, a Índia regista alguma fraqueza, e a China enfrenta desafios relacionados com a pressão deflacionária e a baixa procura interna.
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