O Ministro dos Transportes e Comunicações, João Matlombe, reafirmou o papel crucial da Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) no sector da aviação nacional, sublinhando que o Governo está comprometido com a recuperação financeira e operacional da companhia aérea estatal.

Durante uma visita de trabalho à sede da empresa, na sexta-feira, Matlombe destacou que o Executivo está a implementar medidas para retirar a LAM da falência técnica, assegurando que a companhia continue a desempenhar um papel estratégico na conectividade aérea do país.

Reestruturação e Entrada de Novos Investidores

A visita do Ministro surge num momento em que o Governo aprovou a entrada de três empresas estatais na estrutura accionista da LAM, adquirindo 91% do capital da companhia. As empresas envolvidas são:

  • Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) – Operadora da barragem de Cahora Bassa, considerada uma das mais rentáveis empresas públicas do país.
  • Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) – Responsável pela gestão da infraestrutura ferroviária e portuária nacional.
  • Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) – A maior seguradora do país, com forte presença no sector financeiro.

Estas três entidades, que se destacam pela rentabilidade e solidez financeira, foram escolhidas para garantir a recapitalização e recuperação da companhia aérea, que há vários anos enfrenta dívidas superiores a 230 milhões de dólares.

Crise Financeira e Escândalos de Corrupção

Nos últimos dez anos, a LAM tem sido marcada por uma grave crise financeira, impulsionada por escândalos de corrupção e má gestão na aquisição de serviços e contratos fraudulentos. O resultado foi o endividamento excessivo da companhia, que acumulou passivos com fornecedores e sofreu um declínio operacional acentuado.

Para tentar reverter a situação, o Governo contratou, em 2023, a empresa sul-africana Fly Modern Ark (FMA) para gerir a companhia e restaurar a sua sustentabilidade financeira. No entanto, a consultoria falhou em atingir os objectivos traçados, deixando a LAM ainda em dificuldades e com capacidade operacional limitada.

Compromisso do Governo e Desafios Futuros

Segundo João Matlombe, a reestruturação da LAM passará por um processo de modernização e melhoria da eficiência operacional, permitindo à companhia recuperar competitividade no mercado. O ministro reforçou que a estratégia de recuperação dependerá do envolvimento do sector público e de uma gestão mais eficaz, garantindo que os problemas do passado não se repitam.

A direcção da LAM alertou para a necessidade de um maior apoio do Governo, destacando desafios como a renovação da frota, melhoria dos serviços e recuperação da confiança dos passageiros.

O reforço da participação estatal na LAM e o compromisso do Governo com a sua recuperação indicam uma nova fase para a companhia aérea nacional. No entanto, a viabilidade da empresa dependerá da implementação de estratégias rigorosas de gestão, da eliminação de práticas fraudulentas e da capacidade de competir num mercado cada vez mais exigente.

A aposta na modernização e sustentabilidade da LAM será determinante para definir o futuro da aviação em Moçambique, garantindo um serviço de qualidade e uma melhor integração regional e internacional.

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