
Cessar-Fogo na Ucrânia Impulsiona o Euro enquanto Tarifas dos EUA Abalam Mercados
A aceitação de um cessar-fogo temporário por parte da Ucrânia teve um impacto significativo nos mercados financeiros globais, impulsionando o euro e trazendo uma relativa estabilidade às moedas emergentes. No entanto, a imposição de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos sobre o aço e o alumínio gerou incertezas nos mercados acionistas, resultando numa oscilação acentuada nas bolsas internacionais.
Cessar-Fogo e Reação dos Mercados
A Ucrânia aceitou um cessar-fogo de um mês, uma decisão que levou os Estados Unidos a restaurarem a ajuda militar e a reforçar a partilha de informações com Kiev. Como resposta, os mercados financeiros reagiram positivamente: o euro atingiu o seu nível mais alto desde outubro, sendo negociado a 1,0913 dólares, após atingir um pico de 1,0947 dólares no dia anterior. O rublo russo também se valorizou, atingindo o seu nível mais alto em sete meses.
Os futuros das ações europeias subiram 1,1%, enquanto o FTSE avançou 0,5%, refletindo o otimismo dos investidores quanto à possibilidade de um alívio nas tensões geopolíticas no leste europeu. No entanto, as bolsas dos EUA permaneceram voláteis, com o S&P 500 recuando 0,8%, ampliando uma queda acumulada de 10% desde fevereiro.
Impacto das Tarifas dos EUA
Paralelamente ao desenrolar da crise na Ucrânia, os Estados Unidos implementaram tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio, afetando diretamente os setores industrial e manufatureiro global. A Europa anunciou que retaliará com tarifas sobre produtos americanos, aumentando a incerteza comercial.
O mercado asiático mostrou uma reação mista às novas tarifas:
- Hong Kong e China permaneceram estáveis.
- Coreia do Sul e Taiwan registaram uma leve recuperação.
- Japão viu o índice Nikkei atingir um mínimo de seis meses antes de estabilizar.
Os investidores continuam atentos ao impacto que as tarifas poderão ter no comércio global e na competitividade das indústrias, sobretudo à luz de uma possível desaceleração da economia dos EUA.
Risco de Recessão e Declínio no Consumo
O economista-chefe global do J.P. Morgan, Bruce Kasman, afirmou que há um risco crescente de recessão nos EUA, estimado em 40% para 2025. Esse alerta reflete preocupações de que o aumento das tarifas e a instabilidade política possam reduzir o crescimento econômico do país.
O setor de varejo já apresenta sinais de fraqueza:
- Dick’s Sporting Goods registrou uma queda de 5,7% nas suas ações devido a uma previsão pessimista de vendas.
- Kohl’s Corp teve uma desvalorização impressionante de 24% após reportar uma queda nas vendas.
O setor aéreo também foi impactado pela incerteza econômica. A Delta Air Lines reduziu pela metade sua previsão de lucros, enquanto a United e American Airlines alertaram sobre a deterioração das reservas e a incerteza na demanda por viagens.
Perspectivas e Próximos Passos
A divulgação dos dados de inflação dos EUA para fevereiro, esperados para o final do dia, poderá fornecer mais clareza sobre o impacto real das tarifas no custo de vida americano. Além disso, uma reunião do Banco Central do Canadá será acompanhada de perto para avaliar a resposta das autoridades monetárias a esta nova fase da guerra comercial.
O mercado cambial também reflete essa incerteza:
- Dólar canadense atingiu uma mínima de uma semana antes de se recuperar para C$ 1,445 por dólar.
- Iene japonês caiu de um pico de cinco meses para 148 por dólar.
- Dólar australiano, considerado um termômetro do apetite por risco, manteve-se abaixo de 63 centavos de dólar.
- Petróleo Brent foi negociado pouco abaixo de 70 dólares por barril, demonstrando uma estabilização dos preços das commodities.
Enquanto os investidores aguardam novas movimentações diplomáticas entre EUA, Europa e Rússia, os mercados continuam em estado de alerta, refletindo a complexidade do atual cenário geopolítico e econômico.
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