
África Subsariana Cresce em 2024, mas Previsões Para 2025 Ficam Abaixo do Potencial da Região
Questões-Chave:
- O crescimento regional acelerou para 3,5% em 2024, com mais de 60% das economias a registarem melhorias;
- A previsão para 2025 é de 3,7%, abaixo da média histórica e insuficiente para reduzir a pobreza extrema;
- A inflação alimentar persiste, afectada por secas e conflitos, e o rendimento per capita continua baixo;
- Moçambique caiu para 1,8% em 2024, com recuperação tímida para 3,0% em 2025, segundo o Banco Mundial;
- O relatório destaca a necessidade de disciplina fiscal, reformas e maior resiliência face a choques externos.
Apesar de uma recuperação moderada em 2024, impulsionada por investimento público e exportações, a África Subsariana continua a enfrentar grandes desafios para sustentar o crescimento e melhorar as condições de vida. As previsões para 2025 foram revistas em baixa, com o Banco Mundial a alertar que o crescimento regional continua abaixo do necessário para reduzir a pobreza e recuperar os níveis de rendimento anteriores à pandemia.
De acordo com o relatório Global Economic Prospects – África Subsariana, publicado pelo Banco Mundial em Junho de 2025, a região registou uma aceleração do crescimento para 3,5% em 2024, acima dos 2,9% em 2023. Esta melhoria foi impulsionada por investimentos públicos acrescidos e exportações de matérias-primas em alta, com mais de 60% das economias da região a registarem desempenho superior ao do ano anterior.
No entanto, o relatório adverte que esta dinâmica poderá ser insustentável. A previsão para 2025 é de 3,7%, o que, embora ligeiramente superior ao ano anterior, permanece abaixo da média de longo prazo da região e insuficiente para provocar reduções substanciais na pobreza extrema. O crescimento do rendimento per capita na África Subsariana deverá situar-se em 1,6% ao ano até 2027, com mais de um quarto dos países a não recuperarem os níveis pré-pandemia até esse ano.
O desempenho dos maiores mercados da região foi assimétrico: a Nigéria cresceu 3,4% em 2024, impulsionada pelos serviços e recuperação petrolífera, enquanto a África do Sul estagnou em 0,5%, travada por desafios estruturais e gastos fiscais ineficientes. Entre os restantes países, o crescimento médio foi mais robusto, atingindo 4,6%.
Em Moçambique, o quadro é particularmente preocupante. Após crescer 5,4% em 2023, a economia desacelerou para 1,8% em 2024, com uma recuperação modesta para 3,0% projectada para 2025. Este desempenho reflete limitações internas, vulnerabilidade a choques externos e desafios na execução orçamental e atracção de investimento privado.
A inflação alimentar continua a ser um obstáculo sério. A desinflação estagnou no início de 2025 devido à subida dos preços alimentares, especialmente em resultado das secas que afectaram a África Oriental. Em países como Angola, Etiópia e Nigéria, os bancos centrais suspenderam novas subidas das taxas de juro, após progressos na contenção da inflação. Ainda assim, o custo de vida continua elevado em boa parte da região.
O relatório salienta que o endividamento elevado e os custos de financiamento em alta limitam o espaço fiscal da maioria dos países africanos, exigindo reformas orçamentais e consolidação fiscal. A boa notícia: os saldos orçamentais primários melhoraram em 2024, e espera-se que o défice primário médio atinja o equilíbrio até 2027.
Contudo, os riscos permanecem inclinados para o lado negativo:
- Nova desaceleração da China;
- Persistência de conflitos armados, como no Sudão;
- Agravamento de choques climáticos, como secas e cheias;
- Prolongamento das tarifas comerciais e incertezas políticas a nível global.
O crescimento em África não basta. É preciso garantir que ele seja inclusivo, resiliente e capaz de gerar empregos e rendimento sustentável. Para isso, o Banco Mundial propõe um tripé: reformas estruturais internas, integração económica regional e parcerias internacionais inteligentes, incluindo a mobilização de financiamento concessional.
Para Moçambique, o desafio é alinhar-se com esta estratégia e acelerar reformas para evitar perder mais terreno no contexto africano
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