
Questões-Chave:
- Álvaro Massingue defende criação de Banco Agrícola com quadro legal próprio e missão de financiar sectores produtivos;
- Apenas 15% das terras aráveis do país estão em uso, apesar do potencial de 36,5 milhões de hectares;
- Nampula regista taxa alarmante de desnutrição crónica de 47,6% nas crianças com menos de 5 anos;
- Sector privado assume-se como protagonista na luta contra a fome, promovendo cadeias de valor locais;
- Conferência em Nampula considerada “um apelo à consciência nacional”.
O Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, lançou um forte apelo à criação urgente de um Banco Agrícola robusto e à transformação da nutrição numa prioridade económica nacional. A intervenção ocorreu na abertura da Conferência Internacional de Nutrição e Agronegócio (CINA), realizada em Nampula, num contexto de preocupação crescente com os indicadores de desnutrição e subaproveitamento do potencial agrícola do país.
Discursando perante autoridades provinciais, parceiros de desenvolvimento e empresários nacionais e internacionais, Massingue afirmou que o país se encontra perante uma “encruzilhada histórica”: ou continua a importar alimentos e a perpetuar a pobreza, ou aposta na produção local e na criação de riqueza interna. “É urgente a criação de um Banco Agrícola robusto, com um quadro legal adequado, para financiar de forma estratégica e sustentável os sectores produtivos — com destaque absoluto para o agronegócio”, declarou.
Apenas 15% dos 36,5 milhões de hectares de terras aráveis em Moçambique estão actualmente em uso para a produção agrícola. Este dado, segundo Massingue, é um “grito de alerta” para uma transformação estrutural urgente na economia rural. A escassez de divisas, a ausência de financiamento adequado e a elevada dependência de importações agravam a situação.
No plano social, o discurso centrou-se nos dados alarmantes de desnutrição. Cerca de 37% das crianças moçambicanas com menos de cinco anos sofrem de desnutrição crónica — número que sobe para 47,6% na província de Nampula, a mais populosa do país. “Estamos a falar de um drama nacional que compromete o desenvolvimento cognitivo, a capacidade de aprendizagem e, no futuro, a inserção no mercado de trabalho”, alertou.
Para a CTA, a nutrição não deve ser tratada apenas como uma questão social, mas como uma gigantesca oportunidade económica. “Produzir mais, melhor e localmente” é, para Massingue, a via sustentável para garantir nutrição digna num país em rápido crescimento populacional. A conferência foi descrita como mais do que um evento técnico ou económico: “É, acima de tudo, um apelo à consciência nacional”.
O sector privado moçambicano, através da CTA, reafirmou o seu compromisso com a causa da nutrição, destacando iniciativas como a Rede de Empresas para a Nutrição (SBN-MOZ), o Plano Director de Avicultura e o apoio à fortificação obrigatória de alimentos. A aposta está na construção de cadeias de valor locais com impacto nutricional directo, e na promoção de parcerias inovadoras que transformem desafios em novas oportunidades.
Massingue também lançou um convite directo aos empresários nacionais e estrangeiros: “Vamos, juntos, transformar os desafios que Moçambique, e em particular a província de Nampula, enfrentam em oportunidades de negócios sustentáveis, inclusivos e socialmente responsáveis.”
O Presidente da CTA apelou ainda ao Governo para facilitar o ambiente de negócios através da redução da burocracia no acesso ao DUAT e de incentivos claros ao investimento produtivo. “A nutrição é uma prioridade económica e o sector privado está pronto para liderar, lado a lado com o Governo e os parceiros de desenvolvimento.”
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