
Governo Avança Com Revisão Do Selo “Made In Mozambique” Para Impulsionar Produção Nacional
- Proposta Pretende Reforçar Competitividade, Reduzir Dependência Das Importações E Modernizar Sistema De Certificação
- Revisão legal introduz critérios mais exigentes, incentivos e mecanismos de controlo para consolidar identidade económica nacional
- Governo prepara revisão do regulamento do selo “Made in Mozambique”;
- Objectivo é incentivar consumo de produtos nacionais e reduzir importações;
- Proposta reforça critérios de qualidade, incorporação local e conformidade normativa;
- Novos mecanismos incluem controlo, rastreabilidade e digitalização do sistema;
- Selo é reposicionado como instrumento estratégico de política industrial;
Um Instrumento De Política Industrial Em Reconfiguração
O Governo moçambicano está a avançar com a revisão do quadro legal do selo “Made in Mozambique”, num movimento que visa reposicionar este instrumento como um pilar mais efectivo da política industrial e de promoção da produção nacional.
A iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla de reforço da competitividade das empresas nacionais e de estímulo ao consumo de bens produzidos localmente, com o objectivo de reduzir a dependência estrutural das importações.
A informação foi confirmada por Ericksson Duarte, durante um seminário realizado na cidade da Beira, que reuniu empresários, associações e instituições para discutir a harmonização da proposta de revisão do regulamento.
De Marca Simbólica A Instrumento Económico Activo
Mais do que uma simples etiqueta de origem, o selo “Made in Mozambique” está a ser conceptualizado como um instrumento com maior densidade económica e institucional.
A leitura apresentada pelas autoridades aponta para a necessidade de transformar o selo num verdadeiro activo estratégico, capaz de influenciar decisões de consumo, reforçar a confiança dos consumidores e criar vantagens competitivas para as empresas nacionais.
Neste sentido, o selo deixa de ser apenas um elemento de identificação e passa a assumir um papel activo na promoção da produção, inovação e identidade económica do país.
Critérios Mais Exigentes E Alinhados Com Padrões Internacionais
A proposta de revisão introduz um conjunto de melhorias que visam reforçar a credibilidade e a eficácia do sistema.
Entre os aspectos centrais está o endurecimento dos critérios de elegibilidade, com maior exigência em matéria de qualidade, incorporação local e conformidade com normas técnicas e regulatórias.
Este ajustamento responde a uma necessidade clara: garantir que o selo não apenas identifica produtos nacionais, mas também certifica padrões que sejam reconhecidos tanto no mercado interno como nos mercados internacionais.
Num contexto global cada vez mais competitivo, a certificação torna-se um elemento determinante para o posicionamento dos produtos.
Controlo, Rastreabilidade E Digitalização Como Novos Pilares
Outro eixo relevante da reforma prende-se com o reforço dos mecanismos de controlo e monitoria.
A proposta prevê a introdução de sistemas mais robustos de fiscalização, bem como a adopção de soluções digitais que permitam melhorar a gestão do selo, assegurar a rastreabilidade dos produtos e facilitar a sua promoção.
A digitalização surge, neste contexto, como um factor crítico para aumentar a transparência, reduzir práticas indevidas e fortalecer a confiança dos diferentes intervenientes no sistema.
Incentivos E Sustentabilidade Financeira Do Sistema
A revisão do regulamento inclui também a clarificação dos benefícios e incentivos associados ao selo, procurando torná-lo mais atractivo para as empresas.
Paralelamente, está prevista a introdução de um modelo que assegure a sustentabilidade financeira do sistema, um aspecto frequentemente negligenciado em instrumentos desta natureza, mas essencial para a sua continuidade e eficácia.
A combinação entre incentivos e sustentabilidade financeira poderá determinar o nível de adesão das empresas e, consequentemente, o impacto do selo na economia.
Entre Protecção E Competitividade: O Desafio Da Execução
Apesar do potencial da iniciativa, o seu sucesso dependerá da capacidade de equilibrar dois objectivos que nem sempre são convergentes.
Por um lado, a promoção da produção nacional exige mecanismos de valorização e protecção dos produtores locais. Por outro, a competitividade implica garantir que esses produtos cumprem padrões elevados e conseguem competir em mercados abertos.
A eficácia do selo dependerá, assim, da forma como este equilíbrio for alcançado, evitando que o instrumento se transforme numa barreira simbólica sem impacto real.
Um Sinal De Reorientação Da Política Industrial
A revisão do selo “Made in Mozambique” pode ser interpretada como um sinal de reorientação da política industrial moçambicana.
Num contexto marcado por desafios externos, volatilidade económica e necessidade de diversificação, a aposta na valorização da produção nacional surge como uma resposta estratégica.
Mais do que uma medida isolada, trata-se de um passo no sentido de construir uma base produtiva mais robusta, integrada e capaz de sustentar o crescimento económico no médio e longo prazo.
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