
Preços do Petróleo Caminham Para a Primeira Perda Semanal em Três Semanas
Expectativas de maior oferta da OPEP+, aumento inesperado das reservas nos EUA e riscos geopolíticos pressionam o mercado
- Brent e WTI registam queda em três sessões consecutivas;
- Expectativas de aumento de produção pela OPEP+ fragilizam suporte aos preços;
- Reservas norte-americanas de crude sobem 2,4 milhões de barris contra previsões de queda;
- Refinarias enfrentam margens comprimidas e menor procura global;
- Geopolítica continua a introduzir riscos, com os EUA a pressionarem a Europa a reduzir compras de petróleo russo.
Os preços do petróleo encerram a semana sob forte pressão, com o Brent e o West Texas Intermediate (WTI) a apontarem para a primeira perda semanal em três semanas, num ambiente marcado pelo regresso do fantasma do excesso de oferta e pela incerteza geopolítica que ameaça reconfigurar o equilíbrio global da energia.
O Brent, referência global, recuou 0,15% para 66,89 dólares por barril, enquanto o WTI desceu 0,20% para 63,35 dólares. No acumulado da semana, o Brent apresenta uma perda de 1,78% e o WTI de 1%, quebrando uma sequência de ganhos sustentada, em grande medida, pela recuperação da procura e pela robustez do sector de refinação nos últimos meses.
Contudo, sinais crescentes de excesso de oferta voltaram a dominar as expectativas dos investidores. Segundo analistas da ANZ Research, “o crude permanece sob pressão devido às preocupações em torno da crescente oferta da OPEP+”, com o mercado a antecipar que o cartel e os seus aliados venham a aumentar a produção em Outubro. De acordo com a agência Reuters, pelo menos oito membros do grupo defendem a introdução de mais barris no mercado, como forma de recuperar quota perdida para os produtores de xisto nos EUA.
Um eventual incremento significaria o início da reversão antecipada dos cortes adicionais de 1,65 milhões de barris por dia — cerca de 1,6% da procura mundial — definidos para vigorar por mais tempo. Esta possibilidade, combinada com a notícia de que as reservas de crude dos EUA aumentaram 2,4 milhões de barris na última semana, quando os analistas esperavam uma redução de dois milhões, intensificou a percepção de sobreoferta.
A margem de refinação, que vinha funcionando como suporte para os preços, começa também a mostrar fragilidades. De acordo com analistas da BMI, a aproximação do período de manutenção das refinarias e o abrandamento do crescimento da procura global deverão comprimir os ganhos do downstream, reduzindo a necessidade de crude no curto prazo.
No plano geopolítico, permanecem riscos latentes. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou junto de líderes europeus a exigência de que a Europa cesse a importação de petróleo russo, uma medida que, a ser implementada, poderia redesenhar o mapa energético mundial e provocar novas pressões sobre os preços.
A combinação destes factores coloca o mercado petrolífero num ponto de inflexão: de um lado, o risco de excesso de barris a curto prazo; do outro, a ameaça de rupturas geopolíticas que poderiam inverter a trajectória de queda.
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