
Petróleo Recuou Esta Semana: Brent Cai Para 60 Dólares com Perspectiva de Excedente Global e Encontro Trump-Putin no Horizonte
- O Brent caiu para cerca de 60,98 dólares por barril, o nível mais baixo desde Maio;
- O WTI negociou-se a 57,37 dólares, acumulando uma perda semanal próxima de 3%;
- A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê excedente de oferta até 2026, pressionando preços;
- Reunião entre Donald Trump e Vladimir Putin, marcada para Budapeste, atenua receios de perturbação no abastecimento;
- Produção recorde dos EUA e aumento de inventários ampliam a tendência de baixa.
Os preços do petróleo caíram novamente nos principais mercados internacionais, reflectindo a crescente percepção de excesso de oferta global e o impacto de factores geopolíticos moderadores. O Brent fixou-se em 60,98 dólares por barril, enquanto o WTI recuou para 57,37 dólares, ambos com perdas próximas de 3% na semana, em resposta a novas projecções da Agência Internacional de Energia (AIE) e à expectativa de um encontro entre Trump e Putin para discutir o fim da guerra na Ucrânia.
Geopolítica e Expectativas de Paz Temporária Impactam os Mercados
De acordo com a Reuters, a decisão dos presidentes Donald Trump e Vladimir Putin de realizarem uma cimeira em Budapeste, nas próximas duas semanas, trouxe alívio momentâneo aos receios de uma perturbação nas cadeias globais de fornecimento energético.
A iniciativa diplomática surge no momento em que Washington pressiona Índia e China a reduzirem as importações de crude russo.
“As preocupações com um aperto na oferta foram atenuadas depois do anúncio do encontro entre Trump e Putin para discutir o fim da guerra na Ucrânia”, explicou Daniel Hynes, analista do ANZ Bank.
A aproximação entre Washington e Moscovo ocorre também quando a Ucrânia solicita novos mísseis Tomahawk aos EUA, intensificando o jogo diplomático e militar em torno do conflito.
AIE Prevê Excedente e Mercado Reage com Quedas
Os dois principais referenciais — Brent (Londres) e West Texas Intermediate (Nova Iorque) — registaram quedas acumuladas próximas de 3% na semana terminada a 17 de Outubro.
O movimento foi fortemente influenciado pela nova projecção da AIE, que estima um excedente global de oferta prolongado até 2026, fruto da manutenção da produção elevada pelos países da OPEP+ e pelo avanço de produtores independentes como os Estados Unidos.
Os analistas alertam que, se a procura global continuar a crescer a um ritmo inferior a 1,5%, os preços poderão estabilizar abaixo dos 65 dólares/barril durante 2025-2026.
Produção Recordista dos EUA e Inventários em Alta
O relatório da Energy Information Administration (EIA), divulgado na quinta-feira, reforçou o pessimismo dos investidores: os inventários de crude nos Estados Unidos subiram 3,5 milhões de barris na última semana, para 423,8 milhões de barris, ultrapassando largamente as previsões dos analistas (288 mil barris).
A subida deveu-se, segundo a EIA, à redução da taxa de refinação no período de manutenção sazonal (“fall turnarounds”) e ao aumento da produção doméstica, que atingiu 13,636 milhões de barris por dia — o nível mais alto alguma vez registado.
Com a oferta norte-americana em máximos históricos e a procura global a desacelerar, o mercado mantém-se em terreno de correção técnica.
Mercado de Petróleo Entra em Fase de Ajuste e Incerteza Prolongada
Para as próximas semanas, analistas da Reuters e da Financial Times Energy Intelligence projectam que o preço do Brent oscile entre 60 e 65 dólares/barril, dependendo do desfecho da cimeira Trump-Putin e dos novos dados de consumo provenientes da China e da Europa.
Um eventual cessar-fogo na Ucrânia poderá aliviar ainda mais os prémios de risco e consolidar o actual patamar de preços baixos. Contudo, o cenário de longo prazo mantém-se incerto, dado o excesso de capacidade produtiva e a transição energética que vem redirecionando investimentos para fontes renováveis.
Impactos Regionais: Alívio na Factura Energética e Pressões na Receita
A queda do preço internacional do crude poderá traduzir-se em alívio temporário da factura de importação de combustíveis para Moçambique e outros países africanos importadores, mas também reduz margens de receita dos produtores emergentes.
Especialistas advertem que a volatilidade persistente exige planeamento macroeconómico prudente, sobretudo num contexto de pressões cambiais e ajustes orçamentais.
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