
ExxonMobil Avalia Levantamento do Estado de Força Maior no Projecto Rovuma LNG
- Melhoria das condições de segurança em Cabo Delgado e reactivação do projecto da TotalEnergies abrem caminho a uma nova fase para o gás moçambicano.
A ExxonMobil está a avaliar a possibilidade de levantar o estado de força maior declarado no projecto Rovuma LNG, avaliado em cerca de 30 mil milhões de dólares, após sinais de melhoria das condições de segurança em Cabo Delgado e o avanço da TotalEnergies no vizinho Mozambique LNG.
O anúncio foi feito pelo CEO da ExxonMobil, Darren Woods, durante uma conferência com investidores, na passada sexta-feira, onde afirmou que a companhia se encontra “no processo de fazer o mesmo”, após a francesa TotalEnergies ter confirmado o levantamento oficial da força maior no seu projecto, suspenso desde 2021 na sequência dos ataques insurgentes em Palma.
“A Total acaba de levantar a sua força maior, e nós estamos a avaliar e a preparar-nos para fazer o mesmo”, declarou Woods, citado pela Reuters.
Sinergia Entre Projectos e Impacto da Decisão da TotalEnergies
As operações da ExxonMobil no bloco Rovuma LNG (Área 4) estão directamente interligadas às da TotalEnergies (Área 1), com ambas as companhias a partilharem infra-estruturas logísticas e de apoio em Afungi.
A decisão da TotalEnergies de retomar os trabalhos cria o contexto operacional necessário para a Exxon avançar, ao restabelecer a normalidade nas cadeias de fornecimento e nas rotas de segurança.
De acordo com a Reuters, a Exxon não pôde tomar uma decisão final de investimento (FID) enquanto o projecto da Total permanecia paralisado, devido à dependência entre ambos em instalações portuárias, logísticas e energéticas.
A retoma agora em análise é vista como um marco determinante para a reposição da confiança internacional no ambiente de negócios moçambicano.
Moçambique Poderá Entrar no Top-10 Mundial de Produtores de Gás
A consultora Deloitte estima que, com a concretização dos projectos Coral Norte, Rovuma LNG (liderado pela ExxonMobil) e Mozambique LNG (da TotalEnergies), Moçambique poderá posicionar-se entre os dez maiores produtores de gás natural do mundo até 2040.
A ExxonMobil lidera a construção e operação das unidades de liquefacção em terra, enquanto a Eni — parceira no consórcio — conduz as operações offshore, incluindo as unidades flutuantes de produção de gás Coral Sul e Coral Norte.
O Rovuma LNG prevê uma capacidade inicial de 15,2 milhões de toneladas por ano, com primeira produção prevista para 2030, após a decisão final de investimento (FID) que a Exxon espera tomar no início de 2026.
“Estamos num ponto muito positivo da nossa relação com Moçambique”, afirmou Woods, após uma reunião com o Presidente Daniel Chapo nos Estados Unidos, descrevendo o diálogo como “produtivo e de alinhamento estratégico”.
Próximos Passos e Expectativas do Governo Moçambicano
Apesar do optimismo, persistem questões por resolver entre a TotalEnergies e o Governo moçambicano, relacionadas com o orçamento global, as condições contratuais e os prazos de produção do Mozambique LNG, conforme referido no documento.
Analistas consideram que a resolução desses pontos poderá criar um precedente positivo para o processo negocial da ExxonMobil e acelerar o retorno da confiança de investidores e parceiros técnicos ao país.
O levantamento da força maior pela ExxonMobil seria um sinal de viragem estrutural para a indústria do gás moçambicano, marcando o início de uma nova fase de implementação coordenada entre os três grandes projectos do Rovuma — Eni, TotalEnergies e ExxonMobil — e recolocando Moçambique no mapa dos grandes exportadores globais de GNL.
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