
Sanções Contra a Rússia Reforçam Lucros das Grandes Petrolíferas
- Escalada da guerra económica e ataques a refinarias russas impulsionam margens de refinação e benefícios trimestrais da Shell, ExxonMobil, Chevron e TotalEnergies.
As principais petrolíferas ocidentais estão a registar lucros acima do esperado, impulsionadas pela escalada da guerra económica contra a Rússia e pelos ataques aéreos ucranianos contra instalações energéticas russas, que provocaram uma redução substancial nas exportações de combustíveis refinados.
Desde Julho, as ofensivas com drones contra refinarias e terminais de exportação da Rússia reduziram em cerca de 500 mil barris por dia as exportações marítimas de produtos refinados, que caíram para 2 milhões de barris diários em Setembro — o nível mais baixo em mais de cinco anos, segundo dados da Kpler.
A escassez de produto russo provocou um aumento expressivo das margens globais de refinação, beneficiando gigantes como a Shell, ExxonMobil, Chevron e TotalEnergies, que juntas representam mais de 10% da capacidade mundial de refinação (cerca de 11 milhões de barris/dia).
O resultado foi um salto combinado de 61% nos lucros das operações de refinação durante o terceiro trimestre, comparativamente ao trimestre anterior, contribuindo para uma subida média de 20% nos lucros consolidados do sector.
ExxonMobil e Shell Entre as Maiores Beneficiárias
A ExxonMobil, maior companhia petrolífera dos EUA, registou um aumento de 30% nos lucros da divisão de produtos energéticos, alcançando US$ 1,84 mil milhões no terceiro trimestre, impulsionada por margens de refinação “fortalecidas pelas interrupções no abastecimento”, segundo o relatório da empresa publicado a 31 de Outubro.
A Shell, maior comercializadora mundial de petróleo, reportou lucros ajustados de US$ 706 milhões na divisão de produtos químicos e energia — um aumento face ao trimestre anterior — atribuídos à força combinada das operações de comercialização e refinação.
Já a BP, que divulgará os resultados a 4 de Novembro, deverá seguir a mesma tendência. A sua margem indicadora de refinação subiu 33%, passando de US$ 11,9 para US$ 15,8 por barril no terceiro trimestre, permanecendo próxima dos US$ 15,1 nos primeiros dias de Outubro.
“As margens robustas estão a compensar a recente queda dos preços do crude, conferindo fôlego financeiro às grandes petrolíferas num momento de elevada volatilidade”, afirmou um analista citado pela Reuters.
Efeito das Sanções e das Proibições Europeias
A União Europeia reforçou, em Julho, as restrições sobre os combustíveis derivados de petróleo russo, anunciando uma proibição total de importações desses produtos a partir de Janeiro de 2026.
O novo pacote visa colmatar lacunas anteriores, que permitiam a países como Índia e Turquia refinar petróleo russo com desconto e revender os combustíveis à Europa.
A medida reposiciona as petrolíferas ocidentais numa posição de vantagem competitiva, já que o petróleo não russo e os produtos refinados com crude não sancionado passam a ter procura crescente e margens superiores.
Em simultâneo, os Estados Unidos anunciaram, a 22 de Outubro, sanções diretas à Rosneft e à Lukoil, duas das maiores empresas russas de energia, responsáveis por 5% da oferta mundial de crude e 3,3 milhões de barris/dia de exportações.
A decisão do Presidente Donald Trump provocou nova alta dos preços do petróleo e ampliou as margens de refinação, especialmente nos mercados da Índia e da Turquia, que procuram agora fontes alternativas de abastecimento.
Um Mercado Mais Resiliente, Mas Ainda Lucrativo
Apesar do endurecimento das sanções, analistas afastam a hipótese de uma repetição do choque de preços de 2022.
O mercado petrolífero global está melhor abastecido e mais adaptado às restrições, apoiado na expansão da chamada “frota paralela” de petroleiros, que tem permitido contornar as sanções e manter o fluxo de exportações russas.
Ainda assim, as restrições continuam a beneficiar estruturalmente as grandes petrolíferas ocidentais, que combinam produção a montante robusta com operações de refinação e comercialização altamente lucrativas.
“Enquanto as sanções permanecerem e a oferta russa for limitada, as margens das refinarias ocidentais manter-se-ão confortavelmente elevadas”, sublinhou um analista da Energy Aspects.
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