Brent Mantém Estabilidade Entre Negociações Rússia–Ucrânia e Expectativa Pelo Encontro da OPEP+

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Negociações prolongadas entre Moscovo e Kiev mantêm risco geopolítico elevado, enquanto o mercado aguarda a decisão da OPEP+ sobre níveis de produção. WTI retoma operações após falha técnica nos EUA.

Questões-Chave:
  • Brent mantém pouca variação, negociando nos USD 63 por barril;
  • WTI retoma operações após interrupção por falha técnica nos EUA;
  • Negociações entre Rússia e Ucrânia influenciam volatilidade e risco geopolítico;
  • Expectativa elevada pela reunião da OPEP+, que deverá manter níveis de produção;
  • Mercado enfrenta a mais longa sequência de perdas mensais desde 2023;
  • Analistas prevêem queda no preço médio do Brent para 2026;
  • Os preços do petróleo Brent mantiveram-se estáveis, com o mercado dividido entre negociações prolongadas Rússia–Ucrânia e expectativas sobre a OPEP+;
  • Futuros do WTI retomaram a negociação após interrupção causada por falha técnica nos EUA.

Mercado Em Suspenso: Geopolítica vs. Perspectivas de Oferta

O mercado petrolífero iniciou o dia sem direcção definida. Os contratos de Brent para Janeiro — que expiram hoje — recuaram ligeiramente 0,3%, para USD 63,15 por barril, enquanto o contrato de Fevereiro negociava a USD 62,70, uma queda de 17 cêntimos.

A ausência de movimento significativo é explicada pelo equilíbrio entre dois factores:

  • o impacto das negociações prolongadas entre a Rússia e a Ucrânia;
  • e a expectativa do que poderá decidir a OPEP+ na reunião de domingo sobre níveis de produção.

O analista John Evans, da PVM Oil Associates, caracteriza o sentimento como hesitante:

“O mercado está preso entre não haver alívio imediato das sanções à Rússia e a possibilidade de um acordo futuro, por mais lento que seja o processo.”

WTI Retoma Negociação Após Falha Técnica nos EUA

Nos Estados Unidos, os futuros do West Texas Intermediate (WTI) reabriram a USD 58,90 por barril, uma subida de 0,43% em relação ao fecho de quarta-feira.

A negociação ficou suspensa devido a uma falha operacional num centro de dados da CyrusOne, que afectou o sistema da CME Group. O incidente impediu a liquidação normal na quinta-feira, coincidindo com o feriado do Dia de Acção de Graças.

Quatro Meses de Perdas: O Mais Longo Ciclo Desde 2023

Apesar da estabilidade desta semana — ambas as referências acumulam ganhos superiores a 1% — os contratos caminham para o quarto mês consecutivo de perdas, a mais longa série negativa desde 2023.

O elemento dominante é a expectativa de excedente global de oferta, que tem sido suficiente para neutralizar factores de suporte, como a procura sazonal por combustível.

O analista Janiv Shah, da Rystad Energy, explica:

“As margens de refinação estão fortes em alguns mercados, mas a perspectiva de um excedente de petróleo está a pressionar os preços.”

OPEP+ Deve Manter Produção Inalterada

Segundo fontes internas citadas pela Reuters, a OPEP+ deverá manter os níveis de produção nas reuniões de domingo e avançar com um mecanismo para avaliar a capacidade máxima futura de cada membro.

Este sinal de continuidade procura evitar nova pressão descendente nos preços, num momento em que a Arábia Saudita deverá reduzir, pelo segundo mês, o preço oficial de venda do crude para a Ásia, para o nível mais baixo em cinco anos — resultado directo da abundância de oferta.

Expectativas para 2026: Previsões Revistas em Baixa

Um inquérito realizado pela Reuters a 35 economistas e analistas aponta para uma previsão média de USD 62,23 por barril para o Brent em 2026, uma descida face à projecção anterior de USD 63,15.

Apesar disso, o preço médio registado até agora em 2025 permanece significativamente superior, situando-se nos USD 68,80, segundo dados da LSEG.

Um Mercado Condicionado Pela Geopolítica e Pela Oferta

As variações desta semana reflectem um mercado dividido entre sinais mistos. Por um lado, a possível proximidade de um acordo entre a Rússia e a Ucrânia pressiona os preços para baixo; por outro, o ritmo lento das negociações impede qualquer reacção definitiva.

A isto soma-se uma expectativa de elevada oferta mundial, que deverá continuar a condicionar a evolução dos preços no curto prazo.

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