
Estabilidade Macroeconómica Sustenta Novas Apostas De Investimento, Mas Desafios Fiscais Ameaçam
Inflação controlada, reservas externas confortáveis e reformas em curso reforçam credibilidade financeira, enquanto o País procura novo acordo com o FMI e financiamento concessionais para sectores estratégicos.
- A inflação mantém-se num intervalo considerado estável, entre 3% e 4%;
- As reservas internacionais asseguram entre três e cinco meses de importações;
- Moçambique prepara negociações para um novo programa com o FMI, com foco na sustentabilidade da dívida;
- O Governo prioriza investimentos em agricultura, energia, turismo, corredores logísticos e capital humano.
A estabilidade macroeconómica registada por Moçambique cria espaço para a mobilização de novos financiamentos e compromissos de investimento em sectores estratégicos. Contudo, o contexto continua a exigir prudência fiscal, reformas estruturais e uma gestão rigorosa da dívida pública, num momento em que o País negoceia um novo enquadramento de cooperação financeira internacional.
A economia moçambicana apresenta sinais de estabilidade ao nível dos principais indicadores macroeconómicos, nomeadamente da inflação e das reservas externas, factores considerados determinantes para a confiança dos parceiros financeiros e investidores. De acordo com dados apresentados pela Ministra das Finanças, Carla Loveira, a inflação tem-se mantido num intervalo entre 3% e 4%, enquanto as reservas internacionais garantem cobertura de importações entre três e cinco meses .
Este enquadramento macroeconómico foi partilhado no início de Dezembro, durante um encontro de trabalho com parceiros internacionais, no qual foram analisados os desenvolvimentos recentes da economia nacional e os progressos das reformas estruturais em curso. Segundo a responsável pelas Finanças, o Executivo continua a implementar medidas orientadas para o reforço da gestão fiscal e para uma execução mais eficiente do Orçamento do Estado, num esforço de consolidação das finanças públicas .
Um dos elementos destacados foi a saída de Moçambique da Lista Cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), considerada um passo relevante para o reforço da credibilidade financeira do País e para a normalização das relações com o sistema financeiro internacional. Este desenvolvimento surge num contexto em que o Governo procura reposicionar-se junto dos parceiros multilaterais e bilaterais de financiamento.
No plano externo, Moçambique iniciou negociações para um novo programa com o Fundo Monetário Internacional, centrado em reformas fiscais, expansão da base tributária e racionalização da despesa pública. As discussões incluem igualmente medidas destinadas a assegurar a sustentabilidade da dívida pública e a preservar a estabilidade macroeconómica no médio prazo .
Paralelamente, o Executivo está a negociar novos financiamentos direccionados para sectores considerados prioritários para o crescimento económico e a competitividade nacional, nomeadamente a agricultura, a energia, o turismo, os corredores de desenvolvimento e o capital humano. Estes sectores integram a estratégia de desenvolvimento que orienta a mobilização de recursos externos e a definição de parcerias com instituições financeiras internacionais.
No sector agrícola, foi submetido um pedido de financiamento para um projecto de mecanização avaliado em 139,5 milhões de dólares, que prevê a aquisição de quase quatro mil máquinas e equipamentos agrícolas, bem como a construção de um Centro de Serviços e Montagem e de três centros regionais destinados à manutenção e formação de agricultores. O Governo defende que este financiamento seja concedido em termos altamente concessionais, com uma componente de donativo de pelo menos 35%, maturidade de 25 anos, período de graça de dez anos e taxa de juro entre 0% e 1%, em linha com a Estratégia de Gestão da Dívida Pública 2025–2029 .
Outra frente relevante de actuação é a cooperação financeira com o Afreximbank, instituição da qual Moçambique é accionista fundador. O Executivo aguarda uma resposta formal daquele banco, enquanto prossegue os esforços de captação de recursos para projectos agrícolas, energéticos e de apoio ao sector privado, com particular enfoque nas pequenas e médias empresas, consideradas essenciais para a recuperação económica e a criação de emprego.
O quadro traçado evidencia uma economia que beneficia de maior estabilidade macroeconómica, mas que continua confrontada com desafios estruturais significativos. A capacidade de transformar credibilidade financeira em investimento produtivo sustentável dependerá da consistência das reformas, da qualidade da execução orçamental e da disciplina na gestão da dívida pública, num contexto em que a margem de manobra fiscal permanece limitada.
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