
Sector privado contesta exclusividade do ICM na importação de cereais e alerta para riscos de pressão sobre preços, abastecimento e competitividade.
- CTA cria comissão especializada para dialogar com o Governo sobre novas regras de importação de cereais;
- Sector privado contesta exclusividade atribuída ao Instituto de Cereais de Moçambique (ICM) na importação de arroz e trigo;
- Empresários alertam para riscos de aumento de preços ao consumidor e perturbações no abastecimento;
- Medida poderá elevar custos operacionais e comprometer competitividade da indústria de moagem e processamento;
- CTA defende solução concertada que concilie produção nacional, segurança alimentar e sustentabilidade empresarial.
O sector privado moçambicano, através da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), anunciou a criação de uma comissão de trabalho especializada para negociar com o Governo a recente deliberação que atribui ao Instituto de Cereais de Moçambique (ICM) exclusividade na importação de cereais, nomeadamente arroz e trigo.
A decisão surge na sequência de um encontro de emergência promovido pela CTA, a pedido de operadores económicos dos sectores do arroz e do trigo, que manifestaram apreensão quanto aos impactos da medida sobre a actividade empresarial, o funcionamento do mercado e a estabilidade dos preços.
Exclusividade do ICM Gera Preocupações no Sector Empresarial
Segundo uma comunicação divulgada pela CTA, os empresários alertam que a nova regra poderá afectar a viabilidade das operações, num contexto já marcado por custos de produção elevados, constrangimentos logísticos e pressão cambial.
O sector privado reconhece a importância de políticas orientadas para o estímulo da produção nacional e para a redução da dependência externa, mas considera que a imposição de restrições à importação de matérias-primas essenciais, nas actuais condições, pode produzir efeitos contrários aos objectivos pretendidos.
Impacto nos Preços e no Abastecimento
Entre as principais preocupações apontadas estão o aumento dos custos operacionais, a pressão sobre os preços finais ao consumidor e o risco de perturbações no abastecimento do mercado interno.
A CTA alerta ainda para a possibilidade de criação de barreiras comerciais que possam isolar o mercado nacional ou desencadear eventuais retaliações por parte de parceiros externos, num momento em que a estabilidade das cadeias de fornecimento se mantém frágil.
Competitividade da Indústria Nacional em Risco
A indústria moçambicana de moagem e processamento de cereais poderá ser uma das mais afectadas, caso a medida avance sem ajustamentos. O aumento dos custos de matérias-primas importadas e a limitação do acesso directo aos mercados internacionais poderão comprometer a competitividade das empresas, com reflexos no emprego e no investimento.
Os empresários sublinham que a segurança alimentar e a estabilidade do abastecimento devem ser tratadas como prioridades estratégicas, exigindo soluções que equilibrem intervenção pública e eficiência do sector privado.
CTA Defende Diálogo Público-Privado
Perante este cenário, a comissão agora criada pela CTA deverá, nos próximos dias, iniciar um diálogo directo com o Executivo, com o objectivo de apresentar os constrangimentos enfrentados pelo sector e propor soluções equilibradas.
A organização defende uma abordagem concertada, que permita harmonizar os objectivos de promoção da produção interna com a necessidade de assegurar previsibilidade regulatória, sustentabilidade das empresas, estabilidade do abastecimento e segurança alimentar do país.
A CTA sublinha que o diálogo público-privado será determinante para evitar perturbações no mercado e garantir confiança aos agentes económicos, num contexto económico já pressionado por inflação, custos logísticos e incertezas externas.
Moçambique Alarga Tributação à Economia Digital
16 de Janeiro, 2026
Mais notícias
-
Acordo Entre AICS e Eni Reforça Agenda da Economia Azul em Cabo Delgado
26 de Junho, 2025 -
GREEN VENTURE VAI INVESTIR EM MOÇAMBIQUE
22 de Abril, 2024
Conecte-se a Nós
Economia Global
Mais Vistos
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Economia Informal: um problema ou uma solução?
16 de Agosto, 2019 -
LAM REDUZ PREÇO DE PASSAGENS EM 30%
25 de Maio, 2023
















