
Transformação Digital Acelera nos Bancos Centrais, mas Governação e Capacidades Técnicas Continuam a Ser o Maior Risco
Relatório OMFIF–EY 2025 aponta avanços significativos em pagamentos, dados e inovação, mas alerta para fragilidades institucionais e operacionais
- Bancos centrais aceleram digitalização de pagamentos, dados e supervisão financeira;
- Falhas de governação, escassez de competências e riscos cibernéticos persistem;
- Pagamentos instantâneos e infra-estruturas digitais surgem como prioridade global;
- Países emergentes avançam, mas enfrentam maiores constrangimentos institucionais.
A transformação digital tornou-se uma prioridade incontornável para os bancos centrais em todo o mundo, impulsionada pela modernização dos sistemas de pagamento, pela crescente digitalização das economias e pela pressão para reforçar a eficiência e a resiliência financeira. Contudo, segundo o relatório OMFIF–EY 2025, os avanços tecnológicos continuam a ser acompanhados por riscos estruturais ligados à governação, às capacidades técnicas e à cibersegurança, especialmente em economias emergentes.
Digitalização deixa de ser opção estratégica
O estudo, elaborado pelo Official Monetary and Financial Institutions Forum (OMFIF) em parceria com a EY, revela que a digitalização deixou de ser um projecto experimental para passar a integrar o núcleo da actuação dos bancos centrais.
Pagamentos instantâneos, modernização das infra-estruturas de mercado financeiro, uso de dados avançados e adopção de soluções digitais para supervisão bancária figuram entre as áreas com maior investimento e prioridade estratégica em 2025.
Pagamentos no centro da modernização
Entre os vários domínios analisados, os sistemas de pagamento destacam-se como o principal motor da transformação digital. O relatório identifica um consenso crescente de que infra-estruturas rápidas, interoperáveis e seguras são essenciais para apoiar a inclusão financeira, reduzir custos de transacção e reforçar a estabilidade dos sistemas financeiros.
Neste contexto, os pagamentos instantâneos surgem como um elemento estruturante, alinhando-se com iniciativas em curso em várias economias africanas, latino-americanas e asiáticas, onde os bancos centrais procuram responder às limitações dos modelos tradicionais.
Capacidades humanas como gargalo crítico
Apesar dos avanços tecnológicos, o relatório alerta que a escassez de competências técnicas especializadas continua a ser um dos maiores entraves à transformação digital eficaz. Muitos bancos centrais enfrentam dificuldades em recrutar e reter talento em áreas como tecnologia da informação, ciência de dados e cibersegurança, competindo directamente com o sector privado.
Esta fragilidade aumenta a dependência de fornecedores externos e expõe riscos adicionais em termos de continuidade operacional e soberania tecnológica.
Cibersegurança e governação sob pressão
Outro ponto crítico destacado pelo OMFIF–EY 2025 prende-se com a cibersegurança e a governação digital. À medida que os sistemas financeiros se tornam mais interligados e dependentes de plataformas digitais, cresce também a superfície de ataque e a complexidade dos riscos operacionais.
O relatório sublinha que muitos bancos centrais ainda não dispõem de quadros de governação suficientemente robustos para gerir estes riscos de forma integrada, sobretudo em jurisdições com limitações institucionais e orçamentais.
Economias emergentes avançam, mas com maior vulnerabilidade
Nas economias emergentes, o estudo reconhece progressos relevantes na adopção de soluções digitais, frequentemente impulsionados pela necessidade de inclusão financeira e eficiência operacional. No entanto, estes avanços são considerados assimétricos e mais vulneráveis a choques, dada a menor maturidade institucional e tecnológica.
O relatório conclui que o sucesso da transformação digital dos bancos centrais dependerá menos da adopção de tecnologia em si e mais da capacidade de alinhar estratégia, governação, talento e resiliência operacional.
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