
Reservas Provadas de Gás da Sasol Caem 25,6% Num Ano e Acentuam Risco de Abastecimento Após 2030
Relatório oficial da petrolífera revela que as reservas provadas da concessão original de Pande e Temane diminuíram de 440,6 para 327,9 mil milhões de pés cúbicos entre Junho de 2025 e Junho de 2026. A empresa confirma que o declínio da produção começou em 2024 e admite que novos investimentos poderão apenas atenuar temporariamente a redução da oferta. Inhassoro e o futuro terminal de GNL da Matola surgem entre as alternativas para a continuidade do abastecimento energético.
Questões-Chave:
- Reservas em declínio: Sasol reporta uma redução de 25,6% nas reservas provadas de gás da concessão PPA de Pande e Temane, equivalente a 112,7 mil milhões de pés cúbicos;
- Produção em redução: Empresa confirma que o declínio começou em 2024 e que a produção total de gás em Moçambique diminuiu 7% no exercício de 2026;
- Horizonte de 2030: Produção da concessão original poderá terminar em 2030, com possibilidade de prolongamento até 2031, enquanto a licença permanece válida até 2034;
- Nova produção: Concessão PSA apresenta 110,9 mil milhões de pés cúbicos de reservas provadas, com licença válida até 2050;
- Investimentos adicionais: Novos poços e sistemas de compressão poderão recuperar volumes adicionais, mas a Sasol reconhece que não impedirão o declínio de longo prazo;
- Segurança energética: Terminal de GNL da Matola prepara fecho financeiro até 2027, numa estratégia de diversificação do abastecimento à indústria e à geração de electricidade.
Sasol Confirma Redução das Reservas e Declínio da Produção de Gás
As reservas provadas de gás natural da concessão original de Pande e Temane, explorada pela Sasol na província de Inhambane, diminuíram 25,6% no espaço de um ano, passando de 440,6 mil milhões de pés cúbicos, em Junho de 2025, para 327,9 mil milhões de pés cúbicos, em Junho de 2026. Os dados, divulgados no relatório anual da petrolífera sul-africana, confirmam o declínio da base de reservas comercialmente recuperáveis e acrescentam uma dimensão quantitativa às preocupações sobre a continuidade do abastecimento energético no sul de Moçambique.
O relatório oficial da Sasol, referente ao exercício encerrado em 30 de Junho de 2026 e submetido à Securities and Exchange Commission (SEC), dos Estados Unidos, revela uma redução líquida de 112,7 mil milhões de pés cúbicos nas reservas provadas da concessão PPA — Petroleum Production Agreement — que sustenta parte importante do fornecimento de gás ao mercado moçambicano e à África do Sul.
A diminuição reflecte os efeitos da produção acumulada e de revisões das estimativas geológicas e dos modelos de recuperação dos reservatórios, não devendo ser interpretada integralmente como volume extraído durante o período.
A Sasol confirma igualmente que a redução da produção associada às reservas provadas da concessão original começou em 2024, quando deixou de ser possível manter integralmente os volumes de fornecimento historicamente contratados.
No exercício financeiro de 2026, a produção total de gás da empresa em Moçambique diminuiu 7% relativamente ao ano anterior, devido a constrangimentos operacionais, impactos de inundações e declínio natural dos poços da concessão PPA, parcialmente compensados pelo aumento da contribuição da nova operação PSA.
Os dados oficiais introduzem uma dimensão importante na avaliação das perspectivas do sector: o declínio da produção já está em curso, embora o calendário do seu encerramento e os volumes recuperáveis continuem sujeitos a factores técnicos, comerciais e de investimento.
Fonte: Sasol, relatório anual Form 20-F 2026, submetido à SEC (sec.gov).
Reservas Provadas da Concessão Original Recuam Para 327,9 Mil Milhões de Pés Cúbicos
A evolução das reservas constitui um dos indicadores mais expressivos da maturidade produtiva dos campos de Pande e Temane.
Segundo o relatório Form 20-F de 2026, a Sasol registava, no final de Junho, 327,9 mil milhões de pés cúbicos de reservas provadas de gás na concessão PPA, comparativamente aos 440,6 mil milhões contabilizados no exercício anterior.
Reservas provadas de gás — Concessão PPA
| Período | Mil milhões de pés cúbicos |
|---|---|
| Junho de 2025 | 440,6 |
| Junho de 2026 | 327,9 |
| Variação anual | −25,6% |
Fonte: Sasol, Form 20-F 2026 (sec.gov). Os volumes correspondem às reservas provadas líquidas atribuíveis à participação económica da Sasol, após os ajustamentos fiscais aplicáveis, e não à totalidade das reservas geológicas existentes nos campos.
A redução torna-se ainda mais evidente quando analisadas exclusivamente as reservas provadas já desenvolvidas, isto é, aquelas cuja recuperação está associada a instalações e condições de produção existentes.
Nesta categoria, os volumes diminuíram de 396,9 mil milhões de pés cúbicos, em Junho de 2025, para 233,1 mil milhões em Junho de 2026.
O movimento foi parcialmente compensado por um aumento das reservas provadas ainda não desenvolvidas, que passaram de 43,7 para 94,8 mil milhões de pés cúbicos, associado à expectativa de recuperação de volumes adicionais através de investimentos em compressão.
A distinção é relevante porque evidencia que parte das reservas reconhecidas depende da execução de projectos destinados a viabilizar a recuperação de gás que não pode ser produzido nas condições operacionais actuais.
A redução das reservas provadas constitui um sinal concreto da evolução dos campos, mas não permite, isoladamente, estabelecer uma data exacta para o esgotamento físico dos recursos.
Produção Começou a Diminuir em 2024 e Novos Investimentos Não Travarão Declínio a Longo Prazo
A Sasol reconhece expressamente que a produção da concessão original entrou numa trajectória descendente em 2024.
No relatório anual, a empresa assinala que os volumes provenientes das reservas provadas começaram a diminuir naquele ano, quando a capacidade de produção deixou de permitir o cumprimento integral das taxas de fornecimento historicamente contratadas.
A petrolífera acrescenta que a instalação de novos poços e equipamentos de compressão deverá proporcionar uma interrupção temporária da trajectória de declínio, sem impedir a sua continuidade no longo prazo.
Segundo a Sasol, “a taxa de declínio permanece incerta”, reflectindo as limitações inerentes à previsão do comportamento dos reservatórios e à recuperação de volumes adicionais de gás.
Fonte: Sasol, relatório anual Form 20-F 2026, submetido à SEC (sec.gov).
A empresa desenvolve uma carteira de alternativas de fornecimento que inclui investimentos nos activos PPA e PSA, oportunidades de exploração e a avaliação de futuras fontes de GNL.
Contudo, reconhece que a viabilidade económica e a disponibilidade de capital são factores determinantes na selecção dos projectos.
Esta ressalva assume importância perante a necessidade de investimentos adicionais para manter a produção de campos maduros. A recuperação de volumes progressivamente menores pode exigir infra-estruturas mais complexas, elevando os custos de extracção e colocando desafios à competitividade comercial do gás.
A própria Sasol admite que o custo de determinadas quantidades adicionais de gás poderá tornar o seu fornecimento economicamente pouco atractivo para os compradores.
O cenário aponta, assim, para a necessidade de avaliar simultaneamente a disponibilidade física dos recursos, os investimentos necessários à sua recuperação e as condições comerciais em que poderão ser fornecidos ao mercado.
Sasol Prevê Fim da Produção Original em 2030, Mas Licença Mantém-se Até 2034
As perspectivas de encerramento da produção da concessão original de Pande e Temane ganharam maior relevância após a divulgação, em Agosto de 2026, de informações da Sasol que apontam para o fim da extracção em 2030.
Segundo os dados apresentados pela petrolífera e posteriormente divulgados pela agência Lusa, investimentos adicionais poderão prolongar a actividade até 2031, embora a licença de produção permaneça válida até 2034.
Há, contudo, uma diferença entre estas datas.
O ano de 2030 corresponde ao horizonte projectado para o encerramento da produção da concessão original, enquanto 2034 representa o prazo de validade do respectivo título de exploração. A existência de uma licença válida não assegura que a produção permaneça economicamente viável durante todo esse período.
O relatório Form 20-F da Sasol confirma o declínio estrutural dos campos e a incerteza quanto à sua velocidade, mas não estabelece 2030 como data definitiva de esgotamento físico de todos os recursos existentes.
A produção acumulada dos campos de Pande, Temane e Inhassoro atingiu, até Outubro de 2025, aproximadamente 79,48 mil milhões de metros cúbicos de gás, equivalentes a 3.306,41 petajoules, segundo os dados apresentados pela Sasol e divulgados pela Lusa.
Deste volume, 3.278,66 petajoules correspondiam à concessão original PPA, desenvolvida ao abrigo do acordo assinado em 2000.
As reservas inicialmente estimadas para Pande e Temane situavam-se em aproximadamente 4,5 biliões de pés cúbicos, dos quais cerca de 3,1 biliões tinham sido produzidos até ao final de 2025.
Importa distinguir estas estimativas históricas dos volumes de reservas provadas líquidas actualmente reconhecidos pela Sasol, que obedecem a critérios técnicos, económicos e contabilísticos específicos.
O encerramento projectado da concessão PPA representa, por isso, uma transformação importante no modelo de fornecimento de gás desenvolvido nas últimas duas décadas, com consequências para os consumidores industriais e para as infra-estruturas energéticas dependentes desta fonte.
Sasol Investe em Novos Poços e Compressão Para Recuperar Gás Adicional
Perante a redução dos volumes produzidos, a Sasol mantém investimentos destinados a melhorar a recuperação de gás nos campos existentes.
Entre as intervenções identificadas no relatório anual destaca-se o Junction Compression Project, concebido para melhorar as condições de extracção através da instalação de capacidade adicional de compressão.
O projecto está associado a uma estimativa de 94,8 mil milhões de pés cúbicos de reservas provadas ainda não desenvolvidas na concessão PPA, comparativamente aos 43,7 mil milhões registados no exercício anterior.
Esta evolução resulta de revisões dos modelos dos reservatórios, que aumentaram as estimativas de recuperação futura associadas ao projecto de compressão.
Paralelamente, a Sasol desenvolve intervenções de perfuração de novos poços, incluindo o programa PEDOP, destinado a aproveitar volumes adicionais existentes nos campos maduros.
O relatório da empresa indica que os novos investimentos poderão contribuir para estabilizar temporariamente a produção, mas reconhece que a redução dos volumes disponíveis continuará a caracterizar a evolução da concessão a longo prazo.
As decisões de investimento encontram-se também condicionadas pela relação entre os custos de desenvolvimento, os volumes recuperáveis e os preços de comercialização do gás.
Para os consumidores, esta dimensão económica é particularmente relevante: a existência de recursos adicionais não significa necessariamente que possam ser produzidos e fornecidos a preços competitivos.
Fonte: Sasol, relatório anual Form 20-F 2026, submetido à SEC (sec.gov).
Nova Concessão PSA Oferece Alternativa, Mas Também Regista Revisão das Reservas
A aproximação do fim da concessão original não significa o encerramento de toda a actividade de produção de gás da Sasol em Moçambique.
A petrolífera desenvolve igualmente operações ao abrigo do Contrato de Partilha de Produção (PSA), associado aos campos de Inhassoro e Temane, cuja licença é válida até 2050.
A nova operação iniciou a produção em 2025, enquanto a instalação integrada de processamento atingiu a condição de operação funcional em Março de 2026.
Segundo o relatório Form 20-F, as reservas provadas de gás da concessão PSA diminuíram de 141,5 mil milhões de pés cúbicos, em Junho de 2025, para 110,9 mil milhões, em Junho de 2026.
Reservas provadas de gás atribuíveis à Sasol
| Concessão | Jun. 2025 | Jun. 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| PPA | 440,6 | 327,9 | −25,6% |
| PSA | 141,5 | 110,9 | −21,6% |
Valores em mil milhões de pés cúbicos. Variações calculadas a partir dos dados da Sasol, Form 20-F 2026 (sec.gov).
Contudo, a diminuição das reservas contabilizadas no PSA apresenta características diferentes das registadas na concessão PPA.
Segundo a Sasol, esta revisão está principalmente associada aos sucessivos adiamentos da entrada em funcionamento da Central Térmica de Temane (CTT) e ao horizonte comercial utilizado para reconhecer reservas provadas.
Actualmente, os volumes reconhecidos para o PSA estão limitados ao gás necessário para abastecer a CTT até Março de 2034, período durante o qual a nova operação utiliza serviços de processamento associados à concessão PPA.
A empresa esclarece que continua a analisar a solução de processamento a adoptar após aquela data.
Assim, a diminuição das reservas provadas do PSA não demonstra necessariamente uma redução equivalente dos recursos geológicos disponíveis.
O indicador reflecte igualmente condições de comercialização, infra-estruturas e calendários de desenvolvimento que influenciam o reconhecimento das reservas.
Esta distinção é determinante para avaliar o futuro da produção de gás em Moçambique, uma vez que as duas concessões apresentam características técnicas, contratuais e operacionais diferentes.
Central Térmica de Temane Enfrenta Novo Calendário de Entrada em Operação
A evolução da concessão PSA está estreitamente associada ao desenvolvimento da Central Térmica de Temane, um dos principais projectos de geração de electricidade a gás natural em Moçambique.
A central apresenta uma capacidade instalada prevista de aproximadamente 450 MW e deverá consumir cerca de 23 petajoules de gás natural por ano, ao abrigo de um acordo de fornecimento com duração prevista de 25 anos.
Segundo o relatório anual de 2026 da Sasol, a entrada em operação comercial da central sofreu sucessivos adiamentos, associados a condições meteorológicas adversas, perturbações sociais e problemas relacionados com o empreiteiro responsável pela construção.
A empresa passou a apontar para o último trimestre de 2027, indicando Novembro desse ano como referência para a entrada em operação comercial.
O atraso constitui um dos factores que influenciaram a revisão das reservas provadas reconhecidas no PSA, uma vez que reduziu o período de fornecimento considerado dentro do horizonte comercial actualmente estabelecido.
A Sasol também reconheceu perdas por imparidade associadas aos atrasos na monetização de determinados volumes de gás e à evolução dos custos do projecto.
A operação da central representa uma componente importante da estratégia de aproveitamento doméstico do gás, articulando a produção de hidrocarbonetos com a expansão da capacidade de geração de electricidade.
A sua entrada em funcionamento deverá permitir a utilização de volumes de gás da concessão PSA para produção eléctrica destinada ao mercado nacional.
Fonte: Sasol, relatório anual Form 20-F 2026, submetido à SEC (sec.gov).
Declínio de Pande e Temane Aumenta Exigências Sobre a Segurança Energética
A redução da produção da concessão original afecta uma fonte que tem desempenhado um papel importante no abastecimento de gás natural à indústria e à geração de electricidade no sul de Moçambique.
A Sasol fornece gás ao mercado doméstico através de contratos com diferentes operadores, incluindo a Matola Gas Company, a ENH-Kogas, a Central Térmica de Ressano Garcia e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos.
Os acordos associados à concessão PPA representam uma componente importante do fornecimento energético à região sul, onde se concentram actividades industriais que utilizam gás natural como combustível nos seus processos produtivos.
A Matola Gas Company, que opera desde 2005, abastece actualmente duas centrais eléctricas e mais de 35 unidades industriais.
Por sua vez, segundo informações divulgadas pela Beluluane Gas Company, as centrais eléctricas a gás de Chókwè, Ressano Garcia e Maputo fornecem, em conjunto, cerca de 450 MW à Electricidade de Moçambique.
Este conjunto de instalações é distinto da Central Térmica de Temane, também projectada para aproximadamente 450 MW, cuja entrada em operação comercial permanece prevista para 2027.
A diferenciação é importante para evitar a sobreposição de capacidades de geração existentes e projectadas.
A diminuição da produção de gás de Pande e Temane coloca exigências acrescidas à planificação do abastecimento, particularmente perante a necessidade de assegurar volumes suficientes para os consumidores industriais e as centrais eléctricas.
A Sasol reconhece que, em 2024, a produção da concessão PPA deixou de permitir o fornecimento integral dos volumes historicamente contratados, evidenciando que as limitações de disponibilidade já começaram a manifestar-se.
Neste contexto, o desenvolvimento de novas fontes de fornecimento assume relevância para reduzir os riscos de interrupção da actividade industrial e energética.
Terminal de GNL da Matola Surge Como Alternativa de Abastecimento Após 2030
O desenvolvimento do futuro terminal de Gás Natural Liquefeito da Matola insere-se na estratégia de diversificação das fontes de abastecimento energético, perante a perspectiva de redução progressiva da produção dos campos de Pande e Temane.
O projecto, promovido pela Beluluane Gas Company (BGC), pretende criar capacidade de importação e regaseificação de GNL através do Porto da Matola, permitindo disponibilizar gás natural ao mercado doméstico e, potencialmente, à África do Sul.
A BGC foi constituída em 2016 pela sul-africana Gigajoule e pela multinacional francesa TotalEnergies, com o objectivo de desenvolver a infra-estrutura.
Em 5 de Novembro, a empresa anunciou a contratação do consórcio VGI/PRDW como Engenheiro do Proprietário, responsável por consolidar os trabalhos de engenharia e prestar assistência técnica à contratação do empreiteiro responsável pela construção.
O projecto deverá alcançar o fecho financeiro antes do final de 2027, segundo as previsões dos promotores.
O financiamento inicial dos trabalhos preparatórios será assegurado pela Matola Gas Company e pela Gigajoule International.
Paralelamente, a BGC mantém negociações relativas ao fornecimento de GNL, ao financiamento da construção e à venda de gás ao mercado sul-africano, processos que a empresa considera estarem em fase final.
A concretização do terminal poderá permitir o acesso a novas fontes internacionais de gás, reduzindo a dependência dos volumes produzidos na concessão original de Pande e Temane.
Contudo, a conclusão do financiamento em 2027 não corresponde à entrada em funcionamento da infra-estrutura, cujo calendário definitivo de construção e operação ainda não foi anunciado.
A articulação entre os prazos de desenvolvimento do terminal e a evolução da produção doméstica constituirá uma variável importante para a continuidade do fornecimento.
Substituição de Gás Nacional Por GNL Importado Introduz Novos Custos
A perspectiva de complementar ou substituir o fornecimento doméstico com GNL importado apresenta implicações económicas relevantes para os consumidores.
O gás produzido em Moçambique e o GNL adquirido no mercado internacional apresentam estruturas de custos distintas.
No caso do GNL importado, o preço final incorpora custos associados à aquisição, liquefacção, transporte marítimo, regaseificação e distribuição aos consumidores.
Estas componentes poderão influenciar os custos de operação das centrais eléctricas e das indústrias utilizadoras de gás, dependendo dos preços internacionais e das condições comerciais estabelecidas.
A Sasol reconhece no seu relatório que a recuperação de volumes adicionais em campos maduros pode igualmente implicar custos elevados, sobretudo quando a extracção exige investimentos significativos para produzir quantidades relativamente reduzidas.
Assim, a comparação entre o fornecimento doméstico e as importações deverá considerar os custos económicos efectivos de cada alternativa, a disponibilidade dos volumes e a segurança do abastecimento.
O desenvolvimento do terminal da Matola poderá proporcionar maior diversificação das fontes e flexibilidade comercial, mas não assegura, por si só, preços inferiores aos do gás actualmente produzido no país.
As condições futuras de competitividade energética estarão associadas aos contratos de fornecimento, aos investimentos realizados e à evolução dos preços internacionais.
O Futuro do Gás Exige Coordenação Entre Reservas, Investimentos e Novas Fontes de Fornecimento
Os dados oficiais da Sasol permitem identificar uma alteração estrutural no horizonte do abastecimento de gás natural em Moçambique.
A concessão original de Pande e Temane encontra-se em declínio produtivo desde 2024 e apresenta uma redução significativa das reservas provadas, enquanto a nova operação PSA oferece volumes adicionais, embora condicionados por calendários de desenvolvimento e necessidades de infra-estruturas.
Os investimentos em novos poços e sistemas de compressão poderão contribuir para prolongar a produção dos campos maduros, mas a própria Sasol reconhece que estas intervenções não impedirão o declínio de longo prazo.
O cenário de encerramento da concessão original por volta de 2030, eventualmente prolongado até 2031, introduz uma referência temporal importante para a organização das alternativas de abastecimento.
Entre essas alternativas encontram-se a produção da concessão PSA, o desenvolvimento de outras oportunidades de exploração e a possibilidade de fornecimento de gás natural liquefeito importado através do terminal da Matola.
A continuidade do abastecimento deverá ser analisada em função da disponibilidade efectiva dos recursos, da viabilidade económica dos investimentos e da compatibilidade entre os calendários de produção e as necessidades dos consumidores.
Para a indústria e a geração de electricidade, a previsibilidade do fornecimento constitui um factor relevante para a planificação das operações e dos investimentos.
A evolução das reservas, da produção e dos novos projectos energéticos será, por isso, determinante para avaliar a capacidade de Moçambique manter condições de abastecimento adequadas às necessidades do desenvolvimento industrial.
Os dados agora divulgados pela Sasol confirmam que o declínio da produção original é uma realidade operacional, mas não sustentam a conclusão de que todo o gás explorado pela empresa em Moçambique terminará em 2030. O futuro do abastecimento assenta numa combinação de produção remanescente, novos investimentos, desenvolvimento de outras concessões e eventual recurso a importações.
















