
Mercados de Matérias-Primas Continuam em Turbulência: Queda Inicial Dá Lugar a Oscilações e Tentativa de Reversão
Após forte sell-off nos metais preciosos e no petróleo provocado pela nomeação de Kevin Warsh para a Fed e pela valorização do dólar, mercados registam hoje sinais mistos, com algum repique de ouro e prata, mas pressão persistente nas commodities.
- A nomeação de Kevin Warsh para a Fed provocou um crash nas matérias-primas;
- Ouro e prata caíram acentuadamente e hoje mostram rebotes parciais;
- O petróleo manteve a pressão de baixa com alívio geopolítico;
- O dólar forte continua a afetar os preços das commodities;
- Analistas divergem entre correcção técnica e possível mudança estrutural.
Os mercados globais de matérias-primas continuam instáveis no início de Fevereiro de 2026, depois de um severo ciclo de vendas no final da semana passada e no início desta, desencadeado pela nomeação de Kevin Warsh como próximo presidente da Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos e pela subsequente valorização do dólar, que debilitou fortemente os preços do ouro, da prata, do petróleo e dos metais industriais.
Da Queda Generalizada à Volatilidade
Na segunda-feira, 2 de Fevereiro, os mercados de matérias-primas registaram perdas significativas: o ouro e a prata lideraram a queda, com ambos a recuarem expressivamente no seguimento da venda generalizada que se gerou após a nomeação de Warsh, percebido pelos investidores como um candidato com inclinação a manter uma política monetária mais rígida e um dólar mais forte.
O petróleo bruto também perdeu quase 5 %, refletindo o alívio das tensões entre os Estados Unidos e o Irão e reduzindo os prémios de risco de oferta, enquanto os metais industriais enfrentaram pressão adicional devido a níveis elevados de inventário e à antecipação de procura mais fraca antes do Ano Novo Lunar na China.
O reforço do dólar desempenhou um papel central no movimento inicial. Um dólar mais forte tende a tornar as commodities denominadas nessa moeda mais caras para os detentores de outras moedas, comprimindo assim a procura global destes activos, particularmente no caso de metais preciosos que não pagam rendimento.
Sinais de Repique e Volatilidade Persistente
Hoje, 3 de Fevereiro, os mercados mostram um quadro mais misto. Após as perdas acentuadas, o ouro e a prata registaram rebotes parciais significativos, com o ouro a subir mais de 3 % e a prata a recuperar cerca de 5 %, numa tentativa de estabilização depois da turbulência recente.
Esse repique sugere que os investidores podem estar a aproveitar os níveis mais baixos de preço para entrar novamente nos mercados, ou que a pressão de venda inicial começou a abrandar. No entanto, a volatilidade continua elevada, e os preços permanecem substancialmente abaixo dos máximos recentes que tinham sido alcançados no final de Janeiro.
Interpretações dos Analistas
Os analistas permanecem divididos quanto à natureza deste movimento. Alguns consideram que o episódio de queda foi uma correcção técnica após semanas de ganhos excecionais em metais preciosos, amplamente impulsionados por uma combinação de incerteza geopolítica, procura de activos de refúgio e um dólar mais fraco ao longo de 2025.
Outros alertam que a tensão entre expectativas de política monetária mais rígida — derivada da nomeação de Warsh para a Fed — e o fortalecimento do dólar pode ser um sinal de mudança mais profunda no sentiment dos investidores, com potenciais implicações duradouras para o apelo das commodities como activos de protecção contra a inflação.
Pressão Contínua nas Commodities e Perspectivas
Apesar do repique, permanece a pressão para baixo em várias classes de activos de commodities. O petróleo continua a enfrentar resistência, e os metais industriais não mostraram um repique tão robusto como os metais preciosos, numa altura em que a procura global ainda é fragmentada e as expectativas de crescimento económico variam entre as principais regiões.
O movimento das próximas sessões será crucial para clarificar se os mercados assistem simplesmente a uma normalização após excessos especulativos ou se estão no limiar de uma mudança estrutural mais profunda no ciclo das matérias-primas, influenciada por políticas monetárias, dólar e dinâmica de procura global.
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