Autoridades Alertam Para Chuvas Fortes no Norte Numa Altura em Que Mais de 720 Mil Pessoas Já Foram Afectadas Pelas Cheias

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INAM prevê precipitação acima de 50 milímetros em distritos de Nampula, Cabo Delgado e Niassa, enquanto o país enfrenta um agravamento do impacto humano, agrícola e económico das cheias registadas desde Janeiro.

Questões-Chave:
  • O INAM emitiu alerta para chuvas moderadas a fortes no norte do país, com precipitação acima de 50 mm em 24 horas;
  • Nampula, Cabo Delgado e Niassa são as províncias sob maior risco imediato;
    As cheias já afectaram mais de 723 mil pessoas e causaram 22 mortes desde Janeiro;
  • A agricultura e a pecuária registam perdas severas, com impacto directo na segurança alimentar;
  • A resposta de emergência continua a contar com apoio internacional significativo.

As autoridades moçambicanas alertaram para a ocorrência de chuvas moderadas a fortes, esta terça-feira, em distritos das províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa, no norte do país, num momento em que Moçambique já contabiliza mais de 720 mil pessoas afectadas pelas cheias que assolam várias regiões desde o início de Janeiro, segundo dados oficiais.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) indicou que a precipitação poderá ultrapassar os 50 milímetros em 24 horas, resultado de condições atmosféricas instáveis, caracterizadas por elevada humidade e pela influência de sistemas de baixa pressão nas regiões Norte e Centro do território nacional. As autoridades apelam à adopção de medidas de segurança e precaução, com particular atenção às zonas ribeirinhas e áreas historicamente vulneráveis a inundações.

O alerta surge num contexto de agravamento do impacto das cheias registadas desde Janeiro. De acordo com dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), o número de afectados subiu para 723.289 pessoas, correspondentes a 170.223 famílias. Desde 7 de Janeiro, foram registadas 22 mortes, 45 feridos e nove desaparecidos, além de milhares de habitações danificadas ou destruídas.

O balanço do INGD aponta para 3.541 casas parcialmente destruídas, 794 totalmente destruídas e 165.946 inundadas, traduzindo um impacto significativo sobre as condições de vida das populações atingidas. A dimensão da crise estende-se ao sector produtivo, com consequências relevantes para a economia rural e para a segurança alimentar.

Na agricultura, estima-se que 451.571 hectares de área cultivada tenham sido afectados, dos quais 275.765 hectares foram considerados perdidos, comprometendo a actividade de 332.863 agricultores. O sector pecuário registou igualmente perdas expressivas, com a morte de 430.972 cabeças de gado, incluindo bovinos, caprinos e aves.

Os trabalhos de socorro e assistência às famílias sitiadas pelas cheias prosseguem, com maior incidência nas províncias de Maputo e Gaza, no sul do país, onde comunidades inteiras permanecem isoladas devido às chuvas intensas e persistentes. A resposta humanitária tem contado com o apoio de parceiros internacionais, incluindo a União Europeia, Estados Unidos da América, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Noruega, Japão e países vizinhos.

Desde o início da época chuvosa, em Outubro, incluindo os eventos extremos de Janeiro, Moçambique regista um total de 146 mortos, 148 feridos e 844.295 pessoas afectadas, segundo o INGD, num cenário que reforça os desafios estruturais do país em matéria de gestão de riscos climáticos, resiliência territorial e protecção social.

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