Ouro Recuo de Um Máximo de Três Semanas e Prata Cede: Dólar e “Profit-Taking” Impõem Travão ao Rally

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Depois de uma forte subida na sessão anterior, o ouro interrompe a sequência de ganhos, pressionado por um dólar mais firme e por realização de lucros; incerteza comercial e sinais mistos da Fed mantêm o mercado sensível.

Questões-Chave:
  • Ouro cai 0,8% após ter subido 2,5% na sessão anterior;
  • Dólar mais firme pressiona metais cotados em USD;
  • Trump volta a agitar cenário comercial com ameaça de novas tarifas;
  • Fed admite pausa em Março caso mercado laboral mostre solidez;
  • Prata recua 1%, enquanto platina e paládio ajustam posições.

O ouro registou esta terça-feira (24) uma correcção técnica relevante, recuando 0,8% para 5.189,99 dólares por onça, após ter atingido, mais cedo na sessão, um máximo de mais de três semanas. O movimento interrompe uma sequência de quatro sessões consecutivas de ganhos, depois de o metal precioso ter valorizado 2,5% na segunda-feira.

A descida ocorre num contexto de realização de lucros por parte dos investidores, depois do rally expressivo da véspera, e de um reforço do dólar norte-americano, que voltou a exercer pressão sobre os activos denominados em USD.

Rally significativo seguido de fase de digestão técnica

Segundo Ilya Spivak, responsável de macro global da Tastylive, o mercado entrou numa fase de “digestão” após a forte subida anterior, sublinhando que o movimento correctivo não reflecte necessariamente uma mudança estrutural de tendência, mas sim ajustamentos tácticos de curto prazo.

Importa notar que o ouro havia reagido na segunda-feira a um ambiente de forte aversão ao risco em Wall Street. Contudo, essa dinâmica não se prolongou com a mesma intensidade na Ásia, onde os mercados accionistas mostraram maior contenção, reduzindo a procura imediata por refúgio.

Comércio, tarifas e incerteza geopolítica

O pano de fundo continua, ainda assim, marcado por incerteza comercial. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu países que possam reconsiderar acordos comerciais recentemente negociados com Washington de que poderão enfrentar tarifas significativamente mais elevadas ao abrigo de outros dispositivos legais, depois de o Supremo Tribunal ter invalidado as suas tarifas de emergência.

Este discurso reacendeu receios de uma nova escalada proteccionista, num momento em que as tensões entre os EUA e o Irão também permanecem no radar dos investidores, contribuindo para um ambiente de volatilidade elevada.

Fed divide mercado entre pausa e cortes

No plano monetário, o Governador da Reserva Federal Christopher Waller admitiu a possibilidade de manter as taxas de juro inalteradas na reunião de Março, caso os dados do emprego de Fevereiro indiquem que o mercado laboral recuperou consistência após um 2025 mais frágil.

Apesar dessa abertura a uma pausa, os mercados continuam a antecipar três cortes de 25 pontos base ao longo de 2026, segundo o FedWatch Tool da CME, evidenciando que as expectativas permanecem inclinadas para um ciclo de flexibilização gradual.

Esta ambiguidade mantém o ouro particularmente sensível a qualquer dado macroeconómico que altere o equilíbrio entre “pausa prolongada” e “cortes acelerados”.

Prata acompanha, mas mantém fundamentos mistos

A prata caiu 1%, para 87,38 dólares por onça, após ter atingido na segunda-feira um máximo de mais de duas semanas.

O movimento acompanha o do ouro, mas a natureza híbrida do metal — simultaneamente activo de investimento e insumo industrial — continua a conferir-lhe uma trajectória mais volátil.

No restante complexo, a platina recuou 0,7% para 2.139,25 dólares por onça, enquanto o paládio subiu 0,3% para 1.748,12 dólares, reflectindo ajustamentos assimétricos entre metais com dinâmicas de oferta e procura distintas.

No essencial, o episódio de hoje confirma que, mesmo num ambiente estruturalmente favorável aos activos de refúgio, os metais preciosos permanecem altamente dependentes da trajectória do dólar, das expectativas sobre a Reserva Federal e do risco geopolítico.

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