Chapo Apresenta Em Bruxelas Visão De Transformar Moçambique Em Hub Energético E Logístico Da SADC

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Presidente da República destaca megaprojectos de gás, energias renováveis, corredores logísticos e economia digital como pilares da estratégia para posicionar o país como plataforma regional de energia, comércio e inovação.

Questões-Chave:
  • Presidente da República apresenta estratégia para posicionar Moçambique como hub energético e logístico regional;
  • Megaprojectos de gás na bacia do Rovuma são apontados como motores da transformação económica;
  • Governo prevê decisão final de investimento do projecto da ExxonMobil ainda este ano;
  • Cahora Bassa e Mphanda Nkuwa surgem como pilares da expansão energética regional;
  • Estratégia inclui também digitalização logística, centros de dados e industrialização baseada no gás.

Diplomacia Económica Procura Atrair Investimento Para Nova Fase De Crescimento

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, apresentou em Bruxelas uma visão estratégica destinada a posicionar Moçambique como um centro regional de energia, logística e inovação digital na África Austral, numa intervenção dirigida a autoridades e empresários da Bélgica.

A apresentação foi feita durante uma mesa-redonda de alto nível com o Governo Federal belga e representantes do sector privado, num encontro centrado na transição energética global e nas oportunidades de investimento em economias emergentes.

Na ocasião, o Chefe do Estado sublinhou que Moçambique reúne condições únicas para se tornar um dos principais polos energéticos da região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), destacando o papel estratégico dos megaprojectos de gás natural e das energias renováveis na transformação económica do país.

Megaprojectos De Gás Surgem Como Motor Da Transformação Económica

Durante a intervenção, o Presidente detalhou os avanços dos projectos de gás natural na bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, considerados um dos maiores investimentos energéticos em curso no continente africano.

O estadista referiu-se ao projecto liderado pela TotalEnergies, cuja retoma se tornou possível após melhorias nas condições de segurança no norte do país.

“Este projecto começou por volta de 2017, mas teve de ser interrompido devido à situação de terrorismo. No mês passado estivemos em Afungi para reiniciar as actividades”, afirmou.

O Presidente revelou ainda expectativas de novos avanços no projecto liderado pela ExxonMobil, indicando que o Governo está em diálogo com a empresa norte-americana para anunciar a decisão final de investimento ainda este ano.

“Estamos actualmente em diálogo com a ExxonMobil e acreditamos que, possivelmente em Agosto ou Setembro, poderemos anunciar juntos a decisão final de investimento deste projecto”, declarou perante os investidores presentes.

Energia Renovável E Industrialização Baseada No Gás No Centro Da Estratégia

Além do gás natural, o Presidente destacou o potencial das energias renováveis como pilar fundamental da estratégia energética nacional.

Moçambique já desempenha um papel relevante no fornecimento de energia à região através da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, que abastece vários países da África Austral.

O Chefe do Estado convidou igualmente investidores internacionais a participarem no desenvolvimento do projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, que deverá acrescentar cerca de 1.500 megawatts de capacidade instalada ao sistema energético nacional.

Segundo o Presidente, o gás natural deverá também desempenhar um papel decisivo no processo de industrialização.

“Com o nosso gás doméstico queremos promover a industrialização. Queremos produzir fertilizantes, apoiar a industrialização do país e desenvolver centrais de energia e linhas de transmissão para abastecer Moçambique e a região”, afirmou.

Corredores Logísticos E Digitalização Como Vetores De Integração Regional

A estratégia apresentada em Bruxelas inclui igualmente uma forte aposta no desenvolvimento logístico e na digitalização das infra-estruturas.

O Presidente destacou os corredores de desenvolvimento de Maputo, Beira e Nacala como plataformas estratégicas para ligar o interior da África Austral aos mercados globais.

No caso do Porto de Nacala, considerado um dos melhores portos de águas profundas da região, o Governo pretende reforçar investimentos em modernização e digitalização das operações.

“Queremos investir na digitalização das infra-estruturas logísticas, criando novos corredores digitais que complementem os corredores de desenvolvimento”, afirmou o Chefe do Estado.

Ambição Digital E Diversificação Económica

A intervenção presidencial incluiu ainda uma visão para transformar Moçambique num centro digital regional, aproveitando a crescente disponibilidade de energia para atrair centros de dados e infra-estruturas tecnológicas.

“A nossa ambição é transformar Moçambique num centro digital da região da SADC. Queremos instalar centros de dados no país para servir não apenas Moçambique, mas também os países vizinhos”, afirmou.

Além da energia e da logística, o Presidente apontou oportunidades adicionais nos sectores da agricultura e do turismo, destacando o potencial das vastas áreas agrícolas do país e dos mais de 2.700 quilómetros de costa moçambicana.

Convite Ao Investimento Internacional

No encerramento da mesa-redonda, o Presidente dirigiu um convite directo ao sector privado belga e internacional para participar no processo de transformação económica de Moçambique.

“Estamos abertos a trabalhar com o sector privado – tanto de Moçambique como da Bélgica e de outros países — para desenvolver a nossa economia e criar oportunidades de investimento”, afirmou.

A mensagem transmitida em Bruxelas insere-se na estratégia de diplomacia económica do Governo, que procura mobilizar capital internacional para acelerar a industrialização, a integração regional e a transição energética do país.

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