Ouro Recua Ligeiramente Com Receios Inflacionistas E Incerteza Sobre Política Monetária Dos EUA

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  • Metal precioso pressionado por expectativa de juros mais altos, enquanto tensões no Médio Oriente mantêm mercado em alerta
Questões-Chave:
  • Ouro recua ligeiramente, com investidores a reagirem a sinais mais restritivos da Reserva Federal;
  • Preço do ouro mantém-se acima dos 4.600 dólares por onça, apesar da correcção;
  • Conflito no Médio Oriente e preços elevados do petróleo condicionam decisões de política monetária;
  • Expectativa de juros mais altos penaliza activos sem rendimento como o ouro;
  • Analistas apontam para intervalo entre 4.400 e 5.500 dólares até ao final do ano.

Os preços do ouro registaram uma ligeira queda esta segunda-feira, num contexto marcado por preocupações crescentes com a inflação e pela incerteza quanto à trajectória da política monetária dos Estados Unidos, factores que continuam a influenciar o comportamento dos investidores nos mercados globais.

De acordo com a Reuters, o ouro à vista recuava 0,2% para 4.605,19 dólares por onça, enquanto os futuros para entrega em Junho registavam uma descida de 0,6%, fixando-se em 4.616,30 dólares.

Pressão da política monetária condiciona ouro

O desempenho do metal precioso reflecte, em grande medida, a leitura mais restritiva da política monetária norte-americana. O presidente da Federal Reserve, Jerome Powell, encerrou recentemente o seu mandato mantendo as taxas de juro inalteradas, mas num ambiente de crescente preocupação com a inflação.

Analistas sublinham que o discurso mais “hawkish” da Reserva Federal, incluindo divergências internas quanto à possibilidade de cortes de juros, tem contribuído para pressionar o ouro, um activo que não oferece rendimento.

“Os efeitos persistentes da mensagem mais restritiva da Fed continuam a pesar sobre o ouro”, afirmou Tim Waterer, analista da KCM Trade, citado pela Reuters.

Petróleo elevado reforça expectativas de juros altos

A evolução recente do mercado petrolífero surge como um elemento adicional de pressão. Os preços do crude mantêm-se acima dos 100 dólares por barril, impulsionados pelo conflito no Médio Oriente e pelas disrupções na oferta global.

Este cenário poderá levar os bancos centrais a manter taxas de juro mais elevadas durante mais tempo, numa tentativa de conter a inflação, o que reduz a atractividade do ouro face a activos com rendimento, como as obrigações do Tesouro norte-americano.

Tensões geopolíticas continuam a sustentar procura

Apesar da ligeira queda, o ouro continua a beneficiar do seu estatuto de activo de refúgio, num contexto de elevada incerteza geopolítica. O conflito envolvendo o Irão, incluindo incidentes no Estreito de Ormuz e ataques a embarcações, mantém os mercados em alerta.

O anúncio do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Washington irá apoiar navios na região, surge num momento em que as negociações entre EUA e Irão continuam sem um desfecho claro.

Intervalo de preços reflecte incerteza do mercado

No plano prospectivo, os analistas apontam para uma trajectória marcada por elevada volatilidade. Segundo Tim Waterer, o ouro deverá negociar num intervalo entre 4.400 e 5.500 dólares por onça até ao final do ano.

Este intervalo reflecte a dualidade de forças que moldam o mercado: por um lado, a pressão de juros mais elevados e inflação persistente; por outro, o suporte proporcionado pelas tensões geopolíticas e pela procura por activos de refúgio.

Metais preciosos seguem trajectórias divergentes

No mesmo período, outros metais preciosos registaram desempenhos distintos. A prata subiu 0,1%, a platina avançou 0,7% e o paládio registou um ganho de 0,2%, evidenciando dinâmicas específicas em cada segmento do mercado.

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