Transformação Económica Exige Planeamento Mais Inteligente, Coordenado E Mensurável

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  • 22.ª Sessão do Observatório de Desenvolvimento defendeu maior rigor estratégico, capacidade de execução e monitoria de impactos num contexto marcado por desaceleração económica, choques climáticos e crescentes vulnerabilidades estruturais.
Questões-Chave:
  • 22.ª Sessão do Observatório de Desenvolvimento decorreu hoje em Maputo sob o lema da planificação responsiva;
  • Governo defende maior rigor na execução, monitoria e avaliação das políticas públicas;
  • Evento analisou os cinco pilares estruturantes do PQG 2025-2029;
  • Salim Valá alertou para riscos económicos, climáticos e geopolíticos que pressionam Moçambique;
  • Debate reforçou necessidade de transformar crescimento económico em industrialização, emprego e melhoria efectiva das condições de vida.

O Ministério da Planificação e Desenvolvimento (MPD) realizou esta quarta-feira, em Maputo, a 22.ª Sessão Plenária do Observatório de Desenvolvimento (OD), num contexto marcado pelo agravamento das vulnerabilidades económicas, choques climáticos, tensões geopolíticas e crescentes exigências de transformação estrutural da economia moçambicana.

Subordinado ao tema “Papel do Observatório de Desenvolvimento para uma planificação responsiva aos desafios socioeconómicos e oportunidades para a melhor operacionalização do PQG 2025–2029”, o evento reuniu membros do Governo, parceiros de desenvolvimento, sector privado, academia, organizações da sociedade civil, sindicatos, juventude, partidos políticos e outros actores nacionais de desenvolvimento.

Mais do que uma sessão de balanço institucional, o encontro acabou por assumir um forte carácter estratégico, ao centrar o debate sobre a capacidade do País transformar visão política, instrumentos de planificação e recursos disponíveis em resultados concretos, mensuráveis e com impacto efectivo sobre a vida das populações.

Observatório É Chamado A Ser Plataforma De Inteligência Estratégica

Na intervenção de abertura, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, defendeu que o Observatório de Desenvolvimento deve evoluir para uma verdadeira plataforma nacional de inteligência colectiva, produção de recomendações estratégicas e fortalecimento da qualidade da governação pública.

Segundo o governante, o actual contexto exige uma mudança de paradigma na forma como o País planifica, executa, monitoria e avalia as políticas públicas.

Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá

“Precisamos de planificar melhor, executar melhor e monitorar melhor. Precisamos de articular melhor as acções para que possam gerar impactos mais visíveis na vida das populações”, afirmou Salim Valá.

O Ministro advertiu igualmente que os planos nacionais não podem continuar a ser tratados apenas como exercícios formais de intenção política, defendendo instrumentos “realísticos, com métricas bem definidas” e acompanhados por processos “meticulosos e rigorosos” de monitoria e avaliação.

Pressões Económicas E Climáticas Agravam Desafios Da Governação

Ao contextualizar a pertinência estratégica da sessão, o MPD sublinhou que Moçambique enfrenta actualmente um ambiente particularmente complexo, marcado por desaceleração económica, pressões fiscais, vulnerabilidade climática, tensões geopolíticas e fragilidades estruturais persistentes.

Na sua intervenção, Salim Valá reconheceu que a economia moçambicana continua confrontada com desafios significativos de curto prazo.

Depois de quatro trimestres consecutivos de contracção económica desde o último trimestre de 2024, o Produto Interno Bruto registou um crescimento de 4,67% no quarto trimestre de 2025, desempenho insuficiente para evitar uma contracção anual de 0,52% em 2025.

O governante admitiu igualmente que a previsão de crescimento económico de 2,8% para 2026 poderá ser revista em baixa devido aos impactos das cheias de Janeiro de 2026 e das tensões militares no Médio Oriente.

Ao mesmo tempo, destacou que o Plano Global de Recuperação e Reconstrução Pós-Cheias e o Programa Integrado de Investimento 2026-2030 poderão desempenhar um papel importante na recuperação do crescimento económico inclusivo.

Transformação Estrutural Continua A Ser O Desafio Central

A sessão voltou igualmente a colocar a transformação estrutural da economia no centro da agenda nacional de desenvolvimento.

Segundo a nota conceptual e o comunicado do evento, os debates estiveram organizados em torno de cinco pilares estratégicos: Unidade Nacional, Paz, Segurança e Governação; Transformação Estrutural da Economia; Transformação Social e Demográfica; Infra-estruturas, Organização e Ordenamento Territorial; e Sustentabilidade Ambiental, Mudanças Climáticas e Economia Circular.

No domínio económico, o Ministro reiterou que a independência económica continua a ser um dos maiores desafios nacionais, exigindo maior capacidade produtiva, diversificação económica, industrialização, fortalecimento das cadeias de valor nacionais e redução gradual da dependência externa.

“A independência económica começa quando a riqueza nacional passa a financiar a transformação nacional”, afirmou.

O governante defendeu igualmente que crescimento económico só terá significado transformador se produzir impactos efectivos sobre emprego, produtividade, redução das desigualdades sociais e melhoria concreta das condições de vida da população.

Desenvolvimento Sustentável Exige Mais Coordenação E Responsabilização

Ao longo da sessão, foi reiterada a necessidade de reforçar a coordenação interinstitucional, eficiência da despesa pública, responsabilização e alinhamento entre prioridades nacionais e intervenções sectoriais e territoriais.

O Observatório de Desenvolvimento foi apresentado como mecanismo estratégico de diálogo participativo e concertação nacional, visando consolidar contributos para o aperfeiçoamento contínuo das políticas públicas orientadas para o desenvolvimento sustentável e inclusivo de Moçambique.

Na parte final da sua intervenção, Salim Valá apelou a uma abordagem de desenvolvimento “mais colaborativa, participativa, inclusiva e orientada para resultados”, defendendo maior envolvimento do sector privado, academia, sociedade civil, parceiros de cooperação e demais actores nacionais no processo de transformação económica do País.

O Ministro concluiu afirmando que o futuro de Moçambique dependerá da capacidade colectiva de “transformar diálogo em acção, visão em execução e potencial em prosperidade partilhada”.

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