
Prime Rate Mantém-Se Em 15,50% Em Junho, Mas Spreads Continuam A Ditar Custo Real Do Crédito
Taxa de referência do sistema financeiro permanece inalterada pelo segundo mês consecutivo. Empresas e particulares continuam a enfrentar custos de financiamento que, em muitos casos, ultrapassam os 20% ao ano quando se somam os spreads praticados pelas instituições financeiras.
- Prime Rate do Sistema Financeiro Moçambicano mantém-se em 15,50% em Junho de 2026;
- Indexante Único foi fixado em 9,30% e o Prémio de Custo em 6,20%;
- Taxa MIMO permanece em 9,25%;
- Spreads continuam a determinar diferenças significativas entre bancos e produtos de crédito;
- Crédito à habitação, consumo e investimento empresarial continua a apresentar custos elevados para famílias e empresas.
A Prime Rate do Sistema Financeiro Moçambicano manter-se-á em 15,50% durante o mês de Junho, preservando o mesmo nível observado nos meses anteriores e confirmando a estabilidade recente das condições monetárias domésticas.
A informação consta do Comunicado n.º 05/2026 da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), divulgado no âmbito do mecanismo do Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano. Segundo o documento, a taxa resulta da combinação entre um Indexante Único de 9,30% e um Prémio de Custo de 6,20%.
O Indexante Único continua a reflectir a média ponderada das operações realizadas no Mercado Monetário Interbancário, incluindo operações overnight entre o Banco de Moçambique e os bancos comerciais, operações repo e operações de permuta de liquidez entre instituições financeiras.
Estabilidade Da Prime Rate Não Significa Crédito Mais Barato
Embora a manutenção da Prime Rate seja um sinal de estabilidade monetária, o custo efectivo do financiamento continua a depender dos spreads aplicados por cada banco e do perfil de risco de cada cliente.
Segundo a AMB, a Prime Rate constitui apenas a taxa-base para operações de crédito de taxa variável, sendo posteriormente acrescida ou reduzida por um spread específico associado ao risco de cada operação.
Na prática, isto significa que duas empresas ou dois particulares podem enfrentar custos de financiamento substancialmente diferentes, mesmo quando recorrem ao mesmo tipo de produto bancário.
Crédito À Habitação Apresenta Diferenças Significativas Entre Bancos
Os dados divulgados pela AMB mostram diferenças consideráveis entre instituições financeiras.
No crédito à habitação, o Standard Bank apresenta o menor spread padronizado, de apenas 1,00%, seguido do MBIM, com 1,20%, e do UBA, com 2,00%. Por outro lado, o Vista Bank e o First Capital Bank apresentam spreads de 6,00%.
Considerando a Prime Rate de 15,50%, um cliente com condições padronizadas poderá encontrar taxas indicativas a partir de 16,50% ao ano, embora o valor final dependa sempre da avaliação de risco efectuada pela instituição financeira.
Crédito Ao Consumo Continua A Ser Um Dos Mais Caros
No segmento do crédito ao consumo, as diferenças tornam-se ainda mais evidentes.
Segundo a tabela da AMB, o spread mais elevado entre os bancos comerciais é praticado pelo First Capital Bank, com 12,00%, seguido pelo ABSA, com 10,75%, e pelo Vista Bank, com 10,00%.
Somando estes valores à Prime Rate, os custos potenciais de financiamento ao consumo podem ultrapassar 27% ao ano em algumas instituições.
Mesmo entre os bancos com spreads mais reduzidos, as taxas finais permanecem elevadas, reflectindo o risco associado a este tipo de crédito.
Empresas Continuam A Enfrentar Custos Elevados De Financiamento
Para as empresas, os spreads variam entre 1,00% e 6,00% nos empréstimos de longo prazo e entre 1,78% e 6,00% nos financiamentos de curto prazo.
O ABSA apresenta o menor spread para financiamento empresarial de longo prazo, fixado em 1,00%, enquanto o MBIM pratica 1,78% nos empréstimos empresariais de curto prazo.
Apesar destas diferenças, o custo final do crédito continua a constituir um dos principais desafios para o investimento privado, sobretudo para pequenas e médias empresas que enfrentam limitações adicionais na apresentação de garantias e colaterais.
Microfinanças Mantêm Taxas Substancialmente Mais Elevadas
O comunicado revela igualmente spreads significativamente superiores no sector das microfinanças.
Algumas instituições apresentam spreads superiores a 40% em determinados produtos de consumo, reflectindo os riscos mais elevados associados a este segmento de mercado.
A realidade evidencia as dificuldades de acesso ao financiamento enfrentadas pelos segmentos mais vulneráveis da população e pelas microempresas, que frequentemente recorrem a este tipo de instituições por não conseguirem satisfazer os critérios exigidos pela banca tradicional.
Política Monetária Continua A Transmitir Estabilidade
A manutenção da Prime Rate em 15,50% surge num contexto em que o Banco de Moçambique mantém a taxa MIMO em 9,25%, sinalizando uma postura de relativa estabilidade monetária.
Para empresas e famílias, contudo, o elemento determinante continuará a ser a evolução dos spreads bancários, que permanecem como o principal factor diferenciador do custo efectivo do crédito no mercado moçambicano.
Num ambiente em que o acesso ao financiamento continua a ser um dos maiores constrangimentos ao investimento e ao consumo, a trajectória futura das taxas de juro continuará a ser acompanhada com atenção pelo sector privado e pelos agentes económicos.
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